As escolas privadas e públicas do ensino não-superior do território contam actualmente com 90 docentes de Português, revelou o chefe de Departamento da DSEJ. Para Kong Ngai, esta realidade, somada aos alunos que estão a ser formados nessa área, demonstra que o número de professores é “suficiente”

 

Catarina Almeida

 

A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) prevê que o sistema de ensino local estará devidamente apetrechado em termos de professores de Língua Portuguesa. A garantia foi dada ontem pelo chefe de Departamento de Ensino, ao ser questionado sobre o ponto de situação do ensino bilingue. “Prevemos um número suficiente de professores de Português e há também muita procura pelos estudos da Língua Portuguesa”, disse Kong Ngai.

Segundo o mesmo responsável, no ensino não-superior, existem 90 docentes de Português – 40 nas escolas públicas e 50 nas privadas. “As escolas públicas têm vindo a promover turmas bilingues e também verificámos que nas particulares o número de alunos de Língua Portuguesa duplicou, de mais de 1.000 para mais de 4.000 em 10 anos. Logo, temos um número suficiente de professores de Língua Portuguesa”, indicou, destacando ainda o facto de “para além dos que já ensinam em Macau”, a DSEJ tem vindo a “atribuir bolsas de estudo a alunos que frequentem cursos de Língua Portuguesa ou de ensino em Portugal para assim, quando regressarem, integrarem a equipa de docentes”.

Estes números reforçam, de resto, as metas projectadas pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura que, na apresentação das Linhas de Acção Governativa para 2019, manifestou o desejo de ampliar o ensino bilingue para que o território se transforme numa “base de formação” de quadros qualificados em Chinês e Português. Uma das medidas anunciadas prende-se com o alargamento para os terceiros anos do ensino primário e secundário geral do programa bilingue nas escolas oficiais – uma iniciativa que visa generalizar em maior grau o ensino da língua de Camões.

Além dos docentes de Português afectos às privadas, Kong Ngai acrescentou que neste ano lectivo, 37 escolas oferecem cursos de Língua Portuguesa frequentados por 4.500 alunos. “Normalmente, são dois ou três tempos lectivos por semana”, disse.

Já nas escolas públicas, os 40 docentes leccionam outras disciplinas que não apenas a língua propriamente dita, nomeadamente Matemática, Ciências, entre outras.

Ao nível do ensino superior, no ano lectivo 2017/18, 39 alunos de Macau receberam bolsas de mérito e 18 bolsas especiais. Já 111 receberam subsídio do Fundo Escolar para frequentar cursos em Portugal. “De 2013/14 a 2017/18, o programa de formação de professores e talentos de língua portuguesa envolveu 81 alunos e o  programa de formação de quadros bilingues beneficia actualmente sete”, acrescentou o chefe do Departamento de Ensino da DSEJ.

 

DSEJ promove inquéritos sobre atitude e emoções dos alunos

A Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) encomendou um estudo à Universidade de Macau sobre o “Instrumento de avaliação da atitude e desenvolvimento afectivo dos alunos de Macau”. Esta avaliação visa permitir às “escolas e à DSEJ compreenderem as atitudes e a situação emocional, ao nível do desenvolvimento da saúde física e mental dos alunos de Macau”. “São instrumentos muito importantes que podem afectar o futuro do sector da educação”, disse Wong I Lin, coordenadora de inspecção escolar da DSEJ, indicando que serão definidas algumas “escolas-piloto” na expectativa de “ter os critérios preliminares” em 2020. Nesta fase, os inquéritos serão distribuídos a alunos desde o quarto ano da primária até ao secundário complementar. Em conjunto com as escolas, o organismo irá delinear as “medidas, actividades e estratégias de educação a adoptar para ajudar as crianças a se desenvolverem em termos psicológicos e físicos”, rematou.