As escolas do ensino primário já começaram a sentir os efeitos da baixa taxa de natalidade que tem assolado as creches do território. Em 2024/2025, e pela primeira vez em mais de uma década, o ensino primário contabilizou menos alunos do que no ano anterior. Os 37.043 estudantes matriculados na última temporada escolar corresponderam a um decréscimo anual de 2,5%. Analisados por este jornal, dados oficiais da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude indicam que as turmas do primeiro ano do ensino primário registaram descidas consecutivas no número de alunos nos dois últimos anos lectivos
PEDRO MILHEIRÃO
A tendência de quebra do número de alunos nas creches de Macau já se alastrou para o ensino primário, de acordo com dados oficiais analisados pelo Jornal TRIBUNA DE MACAU. No cômputo geral do último ano lectivo, o ensino primário contabilizou um total de 37.403 de alunos, uma descida de 2,5% face à temporada anterior e a primeira quebra desde o ano escolar de 2012/2013, indicam dados da Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).
Na soma dos dois últimos anos lectivos, as turmas do primeiro ano do ensino primário perderam 913 alunos matriculados. Na temporada escolar de 2023/2024, estas contavam com um total de 6.094 crianças inscritas, uma redução de 6,3% face ao ano lectivo anterior. Em 2024/2025, o número de alunos no primeiro ano voltou a cair, 8%, para 5.593 estudantes.
Estas variações mantêm-se em linha com os números de alunos registados nas turmas do terceiro ano do ensino infantil nas temporadas escolares imediatamente anteriores. Olhando para o ano lectivo de 2021/2022, estas turmas registaram 6.507 alunos. Nas temporadas seguintes, o número de alunos desceu para 6.078 e 5.582, traduzindo-se em contracções anuais de 6,6% e 8,2%.
Contudo, na temporada escolar passada, o número de alunos no último ano de creche permaneceu sensivelmente o mesmo (5.553) face à temporada anterior, o que poderá sugerir, no ano lectivo corrente, que a quantidade de alunos no primeiro ano do ensino primário deverá estabilizar.
Por outro lado, é possível antecipar uma quebra contínua nos próximos anos, se olharmos para evolução do número de crianças nas turmas dos dois primeiros anos do ensino infantil desde 2023. No ano escolar de 2023/2024, as turmas do primeiro ano do ensino infantil tinham 5.079 alunos, correspondentes a uma redução anual de 7,9%. Consequentemente, na temporada de 2024/2025, o número de crianças no segundo ano de creche também caiu 7,9%, fixando-se em 5.093 alunos.
Mais significante foi a quebra do número de crianças no primeiro ano do ensino infantil de 2024/2025, cujas turmas registaram 4.406 alunos, traduzindo-se numa descida de 13,3% em termos anuais. No conjunto dos últimos cinco anos escolares, o ensino infantil passou de 18.908 alunos em 2020/2021 para 15.052 em 2024/2025, o que corresponde a uma diminuição de 20,4%.
A diminuição no número de crianças inscritas nas creches é uma consequência da baixa taxa de natalidade, que tem vindo a cair no território ao longo dos últimos anos. No ano passado nasceram apenas 2.870 nados vivos, representando um decréscimo anual de 20,4% e o pior ano em termos de nascimentos desde 1978.
A RAEM encerrou 2025 com uma média de 0,47 nascimentos por cada mulher entre os 15 e os 49 anos, 0,11 pontos percentuais abaixo do ano anterior e a mais baixa do mundo.
Alunos no ensino especial mais do que triplicaram
Nos anos escolares de 2011/2012 a 2024/2025, o total de alunos inscritos no ensino especial ou sujeitos a educação inclusiva mais do que triplicou. Em 2011/2012 eram somente 1.044, ao passo que no último ano lectivo já eram 3.840, representando um crescimento de 267,8% em 14 temporadas escolares, segundo dados da DSEDJ.
Entre os alunos com necessidades de ensino especial, a proporção de rapazes tem rondado os 70% há mais de uma década. Segundo o Resumo dos Dados Estatísticos da Educação do ano passado, 48% eram crianças dos seis aos 11 anos, o maior dos grupos etários, seguidas pelos adolescentes dos 12 aos 17 anos (40%). Dos três aos cinco anos de idade representavam 8% do total, enquanto os estudantes maiores de idade constituíam 5%.
Dobro dos estudantes do exterior nas instituições superiores
Contrariamente às turmas dos ensinos infantil e primário, as instituições do ensino superior têm registado um aumento considerável de alunos, nos últimos cinco anos, de acordo com os dados disponibilizados pela DSEDJ. Entre 2020/2021 e 2024/2025, o número de alunos cresceu 60%. Os alunos de licenciaturas aumentaram 37,5% para 36.536. Por sua vez, apesar de representarem uma proporção menor que os alunos de 1º grau, os mestrandos e estudantes de doutoramento mais do que duplicaram, com aumentos de 101,3% e 140%, respectivamente, para 17.005 e 8.567. Contudo, este aumento deve-se sobretudo ao aumento do número de alunos oriundos do exterior. No último ano lectivo, estes eram 62.463 e já representavam 75,5% do total de estudantes matriculados nas instituições de ensino superior da RAEM, sendo que, em 2020/2021, os 15.930 alunos locais representavam 40,7%. Na mesma base comparativa, a quantidade de alunos do exterior cresceu para mais do dobro, tendo passado de 23.163 para 47.188, o que se traduz num aumento de 103,7%. Por outro lado, o número de estudantes locais caiu 4,1%, de 15.930 para 15.275 no mesmo período.



