O Governo vai recolher opiniões do público e de sectores profissionais sobre a Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrado de Macau, composta principalmente por três novas instalações culturais. Segundo o texto conceptual, as autoridades pretendem erguer a leste da Torre de Macau o “Pavilhão Cultural do Museu Nacional de Macau”, e na Zona C dos Novos Aterros tenciona construir o “Centro Internacional de Artes Performativas de Macau” e o “Museu Internacional de Arte Contemporânea”

O Governo divulgou ontem o texto conceptual da Zona Internacional de Turismo e Cultura Integrado de Macau (ZITCI), inicialmente apresentada como Bairro Turístico e Cultural Internacional. O documento, que foi divulgado numa sessão de recolha de opiniões destinada às áreas políticas e jurídicas, sugere a construção de três recintos culturais: “Pavilhão Cultural do Museu Nacional de Macau”, “Centro Internacional de Artes Performativas de Macau” e “Museu Internacional de Arte Contemporânea”.

A ideia preliminar assenta em construir o “Pavilhão Cultural do Museu Nacional”, com uma área bruta de construção entre 80 mil e 100 mil metros quadrados, num lote costeiro a leste da Torre de Macau. A par disso, o “Centro Internacional de Artes Performativas” surgirá no lado oeste da Zona C dos Novos Aterros, com uma área de construção entre 55 mil e 65 mil metros quadrados. Também na Zona C, mas no lado leste, poderá ser construído o “Museu Internacional de Arte Contemporânea”, com uma área de construção entre 35 mil e 45 mil metros quadrados.

A Zona C, com a obra de execução do aterro concluída em Novembro de 2022, localiza-se a norte da Ilha da Taipa, na zona marítima em frente à Avenida do Oceano.

Na mesma ocasião, a Secretária para os Assuntos Sociais e Cultura revelou que o Executivo tenciona realizar, até ao final do próximo mês, sete sessões de recolha de opiniões sobre a ZITCI, sendo cinco exclusivas para sectores profissionais e duas para o público.

Frisando que o Governo atribui elevada importância às opiniões e sugestões de todos os sectores da sociedade em relação a este projecto, O Lam prometeu que as opiniões serão recolhidas de forma sistemática e ordenada, e analisadas rapidamente, para servirem de base para os próximos trabalhos.

De recordar que o Chefe do Executivo, Sam Hou Fai, revelou que esta zona poderá requerer um orçamento na ordem dos 12 mil milhões de patacas.

Segundo o texto conceptual, o “Pavilhão Cultural do Museu Nacional” será o maior museu de Macau, dispondo de espaços funcionais para o armazenamento de relíquias culturais, restauro e investigação do património cultural e montagem flexível de exposições. A par disso, esse recinto cultural acolherá espaços complementares destinados à educação e intercâmbio, incubação, instalações de apoio comercial, lazer e serviços operacionais.

Concretamente, o público poderá encontrar, nesse espaço, itens de exposição representativos do intercâmbio cultural entre a China e o Ocidente, relíquias culturais que demonstram culturas típicas de Macau, bem como artefactos históricos da cultura chinesa.

No que respeita ao “Centro Internacional de Artes Performativas”, o documento revela que este servirá de plataforma pública integrada para as artes performativas de nível internacional. Além disso, também proporcionará uma plataforma onde instituições de artes performativas e artistas possam criar obras artísticas, cooperar e formar quadros.

Já o “Museu Internacional de Arte Contemporânea” terá como funções principais a colecção, investigação, exibição e educação da arte, e como funções complementares a formação de quadros na área da arte e o intercâmbio e cooperação internacionais. Ao mesmo tempo, este museu visa acolher exposições de arte contemporânea de alta qualidade, disponibilizar experiências e serviços comerciais, assim como criar uma plataforma de criação, estudos e diálogo vocacionada para os artistas, curadores, colectores, académicos e educadores.

O documento realça várias vantagens desta hipótese que combina dois terrenos, analisando que os dois lotes, separados pelo estreito, têm entre eles uma distância relativamente curta, pelo que reúnem condições para ser planeados como uma zona, o que será positivo para se constituir uma interação paisagística e cultural.

Além disso, o Governo acredita que o lote costeiro a leste da Torre de Macau é preferível tendo em vista os transportes convenientes. As autoridades previram que as novas carreiras de autocarros derivadas da construção dos novos projectos culturais conseguirão aliviar a pressão no trânsito nas imediações da Zona C, e causarão pouca perturbação aos moradores.

Em relação à Zona C, o documento adianta que serão fomentados um corredor de arte e lazer e um núcleo cultural e artístico com uma estrutura completa e uma rica atmosfera que possa acolher também incubadores industriais e espaços de intercâmbio educativo.

 

Zona A, antigo “Ocean World” e Jockey Club na lista de alterativas

O texto conceptual aponta ainda para alguns terrenos alternativos, incluindo os lotes D11 e D12 no lado sul da Zona A dos Novos Aterros, parte do terreno do antigo “Ocean World” na Taipa e o terreno onde funcionava o Jockey Club. Segundo o documento, embora os dois lotes na Zona A possuam o potencial de mercado para cultivar projectos culturais e turísticos, a curto prazo, será difícil esses espaços surtirem rapidamente um efeito de concentração para as indústrias culturais e turísticas.

Quanto ao lote do antigo “Ocean World”, desocupado há muitos anos, poderá ganhar novo impulso através de eventuais novos projectos, porém, enfrenta uma forte pressão no tráfego circundante, aponta o documento. Sobre o terreno do Jockey Club, foi destacada a vantagem de integração na faixa turística da “Cotai Strip”, o que o tornará adequado para o desenvolvimento de projectos culturais e turísticos. No entanto, as autoridades identificaram, ao mesmo tempo, uma desvantagem: a possibilidade de acentuar ainda mais a pressão no trânsito na Avenida da Amizade, Estrada Governador Albano de Oliveira e outras vias.

A Secretária descreveu esses projectos como “grandes instalações culturais com influência internacional, icónicas e de alto padrão”, salientando que a ZITCI será um dos projectos-chave do Terceiro Plano Quinquenal de Desenvolvimento Socioeconómico da RAEM. Segundo antecipou a governante, trarão um novo motor para o desenvolvimento da diversificação adequada da economia e novas oportunidades de emprego para residentes, sendo também um novo marco cultural da cidade.

Por sua vez, a presidente do Instituto Cultural (IC) realçou que o “Pavilhão Cultural do Museu Nacional” ficará num lote com belas vistas para o mar, longe das áreas residenciais e próximo do Centro Histórico, podendo assim constituir recursos complementares. Segundo a imprensa em língua chinesa, para Leong Wai Man, o “Centro de Artes Performativas” e o “Museu de Arte Contemporânea” na Zona C darão uma oportunidade para instalações culturais na Península serem estendidas para a Taipa e estabelecerem ligações com os recursos turísticos no COTAI.

A presidente do IC mostrou-se convicta de que as novas instalações culturais serão capazes de satisfazer a procura por museus, espaços culturais, de exposição e de artes performativas na nova era, colmatar a escassez de instalações culturais no território, assim como proporcionar uma plataforma de prática, postos de trabalho e apoio ao empreendedorismo para o sector cultural e as novas gerações. Em termos de longo prazo, Leong Wai Man espera que impulsionem a constituição de uma ecologia industrial completa e sustentável para a indústria cultural.

Segundo O Lam, o projecto conta com estudos argumentativos específicos efectuados pela Academia de Turismo da China, subordinada ao Ministério da Cultura e Turismo. Além disso, foram organizadas dezenas de visitas, colóquios e reuniões entre especialistas de diversas áreas, bem como ouvidas opiniões internas do Governo, para a elaboração do texto conceptual.