UM e UCTM passam a contar com novos laboratórios de referência do Estado
UM e UCTM passam a contar com novos laboratórios de referência do Estado

Foram ontem inaugurados os dois novos Laboratórios de Referência do Estado, da Internet das Coisas da Cidade Inteligente, na Universidade de Macau, e de Ciência de Lua e Planeta, na Universidade de Ciência e Tecnologia. Rui Martins destaca que o laboratório instalado na UM vai apostar na formação de pessoas numa área que “ainda está em desenvolvimento em todo o mundo”

 

Inês Almeida

 

O Grande Auditório do Centro Cultural de Macau recebeu ontem a cerimónia de entrega de prémios para o Desenvolvimento das Ciências e da Tecnologia de Macau e da inauguração do “Laboratório de Referência do Estudo de Ciência de Lua e Planeta” e do “Laboratório de Referência do Estado de Internet das Coisas da Cidade Inteligente”, instalados na Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau e na Universidade de Macau (UM) respectivamente. Este é já o terceiro Laboratório de Referência do Estado instalado na UM.

“Este laboratório vai designar-se por internet das coisas e cidade inteligente, que é uma área que ainda está em desenvolvimento em todo o mundo, portanto, a ideia é, com os colegas que temos especializados nesta área, começar a desenvolver projectos nomeadamente a formação de pessoas com mestrados e doutoramentos que possam também gerar resultados em termos de publicações e patentes que possam ser aplicadas no futuro a Macau como ‘smart city’, mas também sendo competitivo com o resto do mundo”, sublinhou Rui Martins, vice-reitor dos assuntos internacionais da UM.

O vice-reitor faz um balanço positivo dos dois laboratórios de Estado já em funcionamento. “Desde o início, destes laboratórios nós temos vindo a aumentar significativamente o número de publicações em revistas internacionais. Mas não só publicações, também o número de citações tem aumentado significativamente”.

Mais especificamente, Rui Martins destaca que a UM, incluindo os laboratórios, tem “cerca de 20.000 citações anualmente e mais de 1.500 artigos”. “Além disso, foram lançadas várias patentes. Nos Estados Unidos temos cerca de 70 neste momento, doutorámos nos dois laboratórios cerca de 70 pessoas e, além disso, alguns dos doutorados estão a criar os primeiros ‘spin-offs’, pequenas ‘start-ups’ na Ilha da Montanha, para que novos produtos sejam comercializados na China”.

Em termos de investimento, Rui Martins indica que directamente do Fundo para o Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia chegaram cerca de 200 milhões de patacas desde que os dois laboratórios de Estado entraram em funcionamento. “No meu laboratório de electrónica temos cerca de 100 pessoas, incluindo alunos de doutoramento e mestrado e pós-doutoramento. Em termos académicos temos cerca de 15. No Laboratório de Medicina Chinesa temos mais ou menos o dobro disso”, destacou.

Questionado sobre a possibilidade de, a breve trecho, serem instalados na UM novos laboratórios de referência do Estado, Rui Martins não afasta a possibilidade de um dia isso vir a acontecer na área da tradução automática de Português para Chinês. “Isso é um laboratório que no futuro podemos pensar. Já fizemos uma proposta para o estabelecer apenas como laboratório de referência local mas, provavelmente, num futuro próximo, iremos tentar um laboratório de referência do Estado nessa área da tradução automática”, garantiu.

 

Equipa cada vez mais forte

Rui Martins falava à margem de uma cerimónia durante a qual também foram entregues prémios para o Desenvolvimento das Ciências e Tecnologia de Macau. Ao todo foram galardoados “16 projectos excelentes” e 30 projectos de pós-graduados.

A equipa de Wang Chunming, do Laboratório de Referência do Estado para a Investigação de Qualidade em Medicina Chinesa, foi a terceira classificada nos prémios de ciências da natureza com um projecto sobre novos sistema de distribuição de medicamentos chineses e outros fármacos.

O investigador faz um balanço positivo do funcionamento do laboratório em que trabalha, frisando o recrutamento de investigadores “de todo o mundo”, além do estabelecimento de uma boa plataforma tecnológica.

“Se nos perguntarem se é bom, se é suficiente, posso dizer que para os cientistas os equipamentos e novas tecnologias são como brinquedos grandes, queremos sempre os novos brinquedos e fazer novas investigações”, sublinhou Wang Chunming. Porém, ressalva o investigador, a equipa está “feliz e grata” pelo que tem neste momento.