Wang Sai Man obteve o apoio de 813 dos 920 votantes dos sectores industrial, comercial e financeiro e irá ocupar a vaga aberta na Assembleia Legislativa com a saída de Ho Iat Seng. Ainda assim, a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa irá investigar uma queixa por alegada campanha ilegal
Viviana Chan
A eleição suplementar por sufrágio indirecto para a Assembleia Legislativa, ontem realizada no Fórum Macau, traduziu-se num apoio expressivo dos sectores industrial, comercial e financeiro a Wang Sai Man, vice-presidente da Associação Industrial de Macau, que obteve 813 dos 822 votos num universo de 920 eleitores. Num acto que teve uma taxa de participação de 89,35%, a Comissão de Assuntos Eleitorais da Assembleia Legislativa (CAEAL) contabilizou ainda quatro votos em branco e cinco inválidos.
Apesar desse forte apoio, a eleição de Wang Sai Man para o lugar deixado vago por Ho Iat Seng motivou uma queixa por alegada campanha ilegal do candidato único. Segundo a denúncia, Wang terá, em declarações a jornalistas, mencionado as suas ideias inscritas no programa político, fazendo campanha no próprio dia das eleições.
Numa reposta ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, a CAEAL indicou que “tal acto poderá eventualmente violar as disposições da Lei Eleitoral sobre a proibição de propaganda no dia da eleição”, pelo que irá proceder à recolha de todas as informações sobre o caso, encaminhando-as depois para o Corpo de Polícia de Segurança Pública para investigação. À noite, o presidente da Comissão, juiz Tong Hio Fong, esclareceu que Wang só perderia o estatuto de deputado, caso não defendesse a Lei Básica da RAEM ou não revelasse fidelidade à RAEM.
Ainda antes de ser conhecida a queixa, à porta do Fórum de Macau, Wang assegurou que vai trabalhar em equipa com os deputados do mesmo sector para servir a AL e a sociedade. Aos jornalistas, Wang Sai Man frisou estar atento aos assuntos comerciais e financeiros, prometendo prestar atenção aos interesses dos empregadores.
Segundo o jornal “Ou Mun”, considerou que o Governo deve criar um ambiente favorável aos negócios, por forma a que Macau possa alcançar resultados satisfatórios ao nível da diversificação económica. Em concreto, o novo deputado apontou o problema dos recursos humanos.
Recordando encontros que manteve entre 9 e 22 de Novembro com responsáveis do sector, Wang Sai Man advertiu que “muitas associações manifestaram problemas como as despesas elevadas e a burocracia”.
Por sua vez, o presidente da AL, Kou Hoi In disse que “a eleição suplementar apenas mudou um colega na AL” e mostrou-se convicto que o Hemiciclo continuará a “trabalhar em equipa”.
Já o deputado Chui Sai Peng espera que Wang assuma uma visão global sobre o desenvolvimento de Macau. “Cooperámos em diferentes áreas e temos ideias semelhantes”, disse.
Ma Iau Lai, presidente da Associação Comercial, assegurou, por seu turno, que “o sector conseguiu seleccionar o candidato através de negociações amigáveis”, sendo que “os empresários dão valor aos compromisso”. Na sua perspectiva, os sectores patronal e laboral têm um bom mecanismo de comunicação, pelo que poderá haver um equilíbrio, o que é favorável à manutenção de uma “sociedade harmoniosa”.



