A abertura do Centro de Serviços para os Idosos em Seac Pai Van valida a promessa do Governo de aumentar a oferta de camas em lares de idosos ainda este ano. O novo complexo é mais do que um lar, na medida em que disponibiliza diversos serviços
Viviana Chan
O novo Complexo de Serviços de Apoio ao Cidadão Sénior inaugurado ontem em Seac Pai Van dispõe de 318 vagas permanentes. Ao mesmo tempo, o Centro gerido pela Caritas terá capacidade para prestar apoio domiciliário a um máximo de 110 pessoas.
O secretário-geral da Caritas estima que o centro poderá começar a receber utentes no final deste ano. “Os serviços vão entrar em vigor gradualmente”, referiu.
Considerando que há alguma urgência no que respeita ao serviço prestado a tempo inteiro, Paul Pun espera que este projecto contribua para “diminuir o tempo de espera” e aliviar a procura deste tipo de apoios.
Ainda que o edifício se situe em Seac Pai Van, os futuros utentes não terão de ser, obrigatoriamente, dessa zona, pelo facto de estar associado a um sistema central de inscrição. Muitos idosos poderão mesmo ser transferidos da Península.
Paul Pun considera que a distância não será um problema até porque o ambiente natural de Coloane é mais calmo. “Se não houver congestionamento rodoviário, consegue-se chegar à zona de Seac Pai Van em 15 minutos. Além disso, é uma zona com muito espaço e é raro encontrar um local semelhante na Península”, indicou.
Por outro lado, a Caritas já conseguiu contratar trabalhadores para a primeira fase, até mais do que o necessário, por forma a garantir recursos humanos suficientes no caso dos “assistentes mudarem de ideias durante as acções de formação”.
Na cerimónia de descerramento da placa do complexo, Paul Pun mencionou que o Centro representa um “marco histórico” no desenvolvimento dos serviços de apoio a idosos na RAEM. “O centro inclui retribuição no nome, tanto em Chinês como Português, o que transmite uma mensagem de gratidão e reciprocidade”.
Para o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, a abertura deste centro traduz-se na concretização de uma iniciativa do Governo, integrada no Mecanismo de Protecção dos idosos e o Plano Decenal de Acção para os Serviços de Apoio a Idosos (2016-2025). “O Governo foi aumentando, gradualmente, a oferta nos lares de idosos, dos centros de cuidados especiais, serviços de apoio ao domicílio e dos cuidadores de idosos, envidando assim todos os esforços no sentido de responder às solicitações da sociedade”, destacou Alexis Tam.
O complexo oferece diversos serviços, estando bem apetrechado com equipamentos e integrando cuidados prestados ao domicílio e especiais diurnos, serviços de cuidados nos lares e de apoio a cuidadores de idosos em moldes diversificados.
Por sua vez, a directora do Instituto da Acção Social (IAS), Celeste Vong, afirmou que a criação de base de dados sobre idosos está em andamento. Além dos registos sobre o número de idosos que vivem sozinhos, o organismo pretende aproximar-se dos que nunca usaram qualquer serviço do Governo. “Gostaríamos de ter uma base de dados abrangente para melhor acompanhar o envelhecimento da população”, disse.
Concurso de casas socais dá novas esperanças
Noutro âmbito, o secretário-geral da Caritas considerou que o novo concurso de habitação social voltou a dar esperança às pessoas com carências financeiras. “As pessoas continuam a solicitar uma casa social, mas agora começou um concurso e os candidatos estão muito activos. Muitos candidatos ainda não submeteram o formulário pois acreditam que as condições dos seus agregados familiares satisfazem as exigências”, revelou.
Sublinhando que “um T1 pode ser arrendado por mais de 5.000 dólares de Hong Kong”, Paul Pun lamentou que o nível das rendas continue num “nível elevado”. Por isso, considera que, embora não haja muitas fracções disponíveis neste concurso, o simples facto de ter sido aberto um novo processo de candidaturas já confere mais esperança.
Quanto às exigências sobre os rendimentos familiares, o mesmo responsável apontou que este ajustamento poderá abranger mais famílias, sobretudo da classe média. “Se não podem concorrer a uma habitação social, acredito que podem candidatar-se a uma casa económica”, disse.



