A “relação interdisciplinar em proveito dos utentes” com recurso às novas tecnologias é a principal mais valia do Centro Long Cheng, que apoia mais de 30 pacientes mas tem capacidade para uma centena, considera a presidente da Associação de Reabilitação Fu Hong. Apesar de, nesta fase, o Centro ter fase profissionais em número suficiente, o processo de contratação “tem sido cada vez mais difícil”, lamenta Fátima dos Santos Ferreira
Inês Almeida
A Associação de Reabilitação Fu Hong inaugurou oficialmente na sexta-feira o Centro Long Cheng, apesar de as instalações já estarem a funcionar há mais de um ano. Tem capacidade para 100 utentes e foi o primeiro lar criado pela associação em colaboração com o Instituto de Acção Social (IAS) para os utentes do sexo masculino, portadores de deficiência intelectual de grau moderado ou superior, com 16 ou mais anos.
Aos utentes é proporcionado alojamento a longo prazo, cuidados de enfermagem, reabilitação, bem como actividades sócio-recreativas, de participação na comunidade, e é dado apoio aos familiares.
A presidente da associação destaca que a maior mais-valia do centro “é uma relação interdisciplinar em proveito dos utentes”. “Temos vários tipos de aparelhos que lhes permitem integrar-se. Há um que permite que andem, uma espécie de reabilitação porque muitos nem conseguem estar de pé, andam de cadeira de rodas. Mas o simples facto de sentirem que podem estar de pé e andar, é uma satisfação”, sublinhou Fátima dos Santos Ferreira.
“Também temos outro aparelho que pode testar a saúde deles, o peso, o coração, a gordura, água, tudo o que o organismo tem falta. Contamos com uma nutricionista que desenha a alimentação em função dessas deficiências e temos a possibilidade de os familiares, caso não possam vir cá visitá-lo, fazerem ‘Facetime’. Têm um ‘iPad’ e podem contactar com os familiares a qualquer hora. Às vezes há uma saudade”, referiu a presidente da Associação Fu Hong.
Como exemplo, Fátima dos Santos Ferreira apontou o caso de um utente que “ficou muito zangado com as irmãs”, sentindo-se mesmo abandonado, por não compreender que uma delas estava no hospital e outra tinha adoecido.
Actualmente, o centro inaugurado pelo Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura apoia mais de 30 pacientes, tendo capacidade para 100. “Não podem entrar todos de uma vez, tem de ser aos poucos. É preciso adaptarem-se ao espaço. O pessoal precisa de se adaptar a eles e, também, precisamos de contratar pessoal em função do número. Tem sido cada vez mais difícil. Em alguns casos temos de fazer contratações exteriores em termos de terapeutas ocupacionais. Temos ido a Taiwan contratar. A língua não é um problema, portanto, podemos contratar para fazer esse trabalho”, indicou Fátima dos Santos Ferreira.
Para o volume de pacientes apoiados actualmente, não há falta de profissionais, no entanto, quando forem admitidas mais pessoas serão precisos reforços. “Os utentes que recebemos são enviados pelo IAS muitas vezes consoante as necessidades e temos um serviço que é de necessidades urgentes como o caso de um familiar ir para o hospital. Nesse caso, a pessoa fica cá o tempo necessário até poder regressar a casa própria”.
À margem da cerimónia, Alexis Tam disse ter ficado “muito contente” com o centro, uma vez que “as pessoas conseguem perceber” as políticas do Governo no sentido de “ajudar os grupos mais vulneráveis e, especialmente, os deficientes mentais”. “Eles estão a viver muito bem, cada vez melhor, e não apenas eles, também as crianças. Já criámos um centro de avaliação pediátrica para este campo e mais um centro de reabilitação e estamos a implementar uma séria política para ajudá-los. Penso que estão bem agora, não apenas nos lares, também nos serviços de reabilitação”, sublinhou o Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura.
Actualmente, Macau tem cerca de 13.000 pessoas identificadas como portadoras de deficiência.



