O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais criou nove lagoas perto das Casas-Museu da Taipa para manter condições de habitat favoráveis às várias espécies que passam pela zona durante o Inverno

 

Salomé Fernandes

 

Não são apenas as pessoas, mas também o ambiente, a sofrer com as mudanças de estação. A zona ecológica de terras húmidas da Baía de Nossa Senhora da Esperança passa por uma redução da profundidade das águas quando se faz sentir no território o clima mais seco do Inverno, entre Outubro e Fevereiro. Para manter as condições de vida do ecossistema, o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) criou este ano mais nove lagoas a oeste das Casas-Museu da Taipa.

As acções de monitorização e conservação ecológica do IACM não são novas. Já em 2014, depois de consultar especialistas da Universidade Sun Yat-Sen, o IACM criou três lagoas ecológicas que funcionam como refúgio, salientou o organismo à TRIBUNA DE MACAU.

“O IACM concluiu que estas lagoas podem ajudar os peixes a suportar as correntes frias e a melhorar as suas condições de vida durante o Inverno”.

No ano passado, “também foi adoptada uma variedade de técnicas ecológicas para conservar as zonas húmidas e aumentar a sua biodiversidade, aumentando as suas funções e vida selvagem de várias maneiras, para criar um habitat aquático adequado”, comentou o IACM.

Vale a pena referir que a área de 4.500 metros não é habitat apenas de espécies aquáticas. Se por um lado os visitantes da zona podem contemplar a arquitectura portuguesa das Casas-Museu, por outro podem observar uma colónia de garças, na qual se inserem cerca de 30 espécies, sendo que à noite é possível avistar bandos de pássaros a regressar aos seus ninhos. Para além de aves como a garça-branca-pequena, a garça-nocturna e o “ardeola bacchu”, até Janeiro foi registada a passagem de 50 colhereiros-de-cara-preta em Macau.

As plantas que preenchem actualmente aquela zona, e que atraem as aves, são o resultado de mudanças ecológicas ao longo do tempo, passando de um mangal costeiro a uma região húmida de água doce. Depois de anos de obras de aterro, no início da década de 1990 a zona de terras húmidas formou-se a partir de águas subterrâneas e da chuva.

“Contudo, como esta área foi conquistada ao mar, o teor de salinidade do solo era muito elevado, enquanto a água que a preencheu era doce, colocando um grande desafio ao desempenho dos trabalhos de conservação ecológica”, explicou o IACM.

Essa questão veio a ser resolvida após a plantação de raízes de lótus envolvidas em terra com menos sal, e de outras plantas que se adaptavam às condições da região, e que começaram a neutralizar a salinidade do solo, desenvolvendo o meio natural que hoje se observa.