Representantes do sector imobiliário consideram que as novas medidas que visam arrefecer o mercado podem ter um efeito contrário, pois muitos proprietários já começaram a subir os preços das casas. Por outro lado, o director dos Serviços de Finanças defendeu que o facto do pagamento de imposto de transferência de imóvel ter quintuplicado no início de Fevereiro deve-se à aproximação do Ano Novo Chinês, altura de maior número de transacções de casas
Rima Cui
Entraram em vigor no sábado, o imposto de selo adicional para a aquisição da segunda ou mais casas e o novo rácio para empréstimos destinados à habitação, com o objectivo de apoiar os jovens. As medidas pretendem controlar os preços do mercado imobiliário, disponibilizando mais fracções, no entanto, um responsável de uma agência imobiliária adiantou que muitos proprietários já suspenderam as vendas para definir novos preços depois do Ano Novo e com base no mercado.
Em declarações ao jornal “Ou Mun”, o mesmo responsável indicou ainda que os proprietários que decidiram continuar com a venda de imóveis optaram por elevar os preços imediatamente.
Além disso, há compradores que dizem ter sido convencidos pelos intermediários a “acelerar a acção”, defendendo que a medida de apoio aos jovens para os empréstimos vai aumentar a procura. Responsáveis do sector imobiliário avisaram ainda que os preços das casas vão continuar a crescer depois do Ano Novo.
O tema do imobiliário continua a estar “quente”, motivando a participação do director dos Serviços de Finanças (DSF) no programa do “Ou Mun Tin Toi”. Iong Kong Leong afirmou que nos primeiros oito dias de Fevereiro registaram-se 900 casos de pagamento de imposto de selo especial sobre a transmissão de bens imóveis, destinados a habitação, quando normalmente são contabilizados 600 ou 700 por mês. Na sua opinião, este aumento exponencial deve-se à aproximação do Ano Novo Chinês, altura em que de se registam muitas transacções de casas. Porém, Iong Kong Leong salientou que neste momento ainda não há indícios de subida dos preços do imobiliário.
Analisando as novas medidas em vigor, o antigo deputado Cheang Chi Keong defendeu que a “intervenção administrativa apropriada é necessária”, mas considerou demasiado exageradas as declarações de agências imobiliárias.
Em relação ao facto de o Governo ter “avisado” o público sobre as medidas de flexibilização das margens de empréstimo, salientou que o mercado teve tempo para se ajustar, pelo que poderá não motivar grandes alterações nos preços. Cheang Chi Keong considera ainda que a entrada em vigor dessa medida foi muito demorada, tendo em conta que já tinha passado pelo Conselho Executivo, o que demonstra uma baixa eficácia administrativa.
O tema também esteve em discussão no programa “Fórum”, onde a deputada Ella Lei se mostrou preocupada com os riscos da medida levar muitos jovens a entrar no mercado. Já William Kuan, director da Associação dos Empresários do Sector Imobiliário, criticou o Governo por não pensar em controlar o mercado através do aumento da oferta e de melhorias nas políticas de habitação social.



