Os nadadores-salvadores que no sábado e ontem não foram trabalhar devido à falta de condições laborais dizem que só retomam as suas funções quando todos os problemas “do passado” estiverem resolvidos. Para Sulu Sou, o principal problema são as horas extraordinárias até porque afectam as capacidades dos profissionais
Inês Almeida
A Associação Novo Macau (ANM) organizou ontem uma conferência de imprensa para dar conta da situação “injusta” que enfrentam 24 nadadores-salvadores que exercem funções nas piscinas públicas, a maioria deles oriundos da China.
O vice-presidente da ANM exige responsabilidades à companhia e defende que o Instituto do Desporto (ID) a deve monitorizar de perto.
“Eles [nadadores-salvadores] têm muitas queixas. Uma tem a ver com as horas extraordinárias, sobretudo na época alta. Desde Março a Novembro trabalham entre 13 e 18 horas e meia por dia, não têm uma folga semanal desde 13 de Março. Trabalharam todos os dias. Além disso, de acordo com a Lei das Relações de Trabalho deviam ter seis dias de férias por ano, mas nunca tiveram direito a férias”, indicou Sulu Sou.
“O trabalhador não tem acesso ao contrato ou ao recibo do salário. Eles ligaram ao patrão na sexta-feira e disseram que estavam contra as condições que tinham mas a companhia não cooperou com eles, então, foram à Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), que imediatamente chamou o patrão para lá ir e tiveram uma reunião presencial”. Porém, ressalvou Sulu Sou, não houve resultados claros. Assim, os nadadores-salvadores decidiram não ir trabalhar no sábado.
Perante essa decisão dos profissionais, o ID relembrou-os de que se não trabalhassem durante mais de três dias consecutivos a companhia tinha “justa causa” para os despedir, por isso, no domingo, voltaram a desempenhar as suas funções. Ontem faltaram de novo por terem estado na DSAL. Actualmente, há mais de 60 trabalhadores não-residentes a trabalhar como salva-vidas. Em caso de despedimento, a companhia revogará os “Blue Card” e os trabalhadores têm de regressar ao Continente no prazo de 10 dias.
“Insistimos em três questões: se, no passado houve ilegalidades, injustiças ou tratamento pouco razoável, seja devido aos salários ou ao pagamento de horas extraordinárias, a companhia tem de dar uma compensação. Depois, a partir deste momento, a empresa deve resolver os assuntos de forma legal. Por último, instámos a companhia a prometer que não despede os trabalhadores por esta acção na DSAL”, indicou Sulu Sou, assegurando que a companhia concordou em não despedir os trabalhadores e solicitou uma semana para resolver os problemas.
Ainda não é certo quando os nadadores-salvadores vão voltar ao trabalho. A questão foi debatida entre os mais de 20 profissionais ontem à noite, depois da conferência da ANM. “A companhia trata-os muito injustamente e isso prejudica a segurança da piscina pública e todos nos preocupamos porque se esses nadadores-salvadores trabalharem muitas horas por dia, questionamos se têm a capacidade de ajudar um utente da piscina”, referiu o vice-presidente da ANM recordando que em 2006, quando a mesma empresa já prestava serviços, uma mulher faleceu nas Piscinas do Carmo num período em que não havia qualquer nadador-salvador de serviço.
O ID reuniu ontem ao final da tarde com a empresa para debater esta questão. A TRIBUNA DE MACAU tentou saber junto do organismo a que conclusões tinham chegado no encontro, no entanto, sem sucesso até ao fim desta edição.
De recordar que a incapacidade da “Surf Hong” em destacar nadadores-salvadores para as piscinas de Cheoc Van e Dr. Sun Iat Sen levou a que encerrassem.



