O último Relatório sobre a Condição da Mulher em Macau, relativo a 2017, concluiu que há um alto nível de igualdade de género no território. Segundo o estudo, as mulheres de Macau estão cada vez mais independentes, a par de mudanças nas percepções dos conceitos de casamento e maternidade

 

Viviana Chan

 

As conclusões do Relatório sobre a Condição da Mulher em Macau de 2017, desenvolvido pela Companhia de ERS Soluções, indicam que, comparativamente a 2012, as mulheres de Macau parecem evidenciar maior sentido de independência e alteraram o seu pensamento sobre o casamento e a maternidade. Em concreto, apenas 37,2% das 1.001 cujas respostas foram validadas concordam com a ideia de que as “mulheres devem casar-se e ter filhos”, traduzindo uma queda de 18,6 pontos percentuais em relação a 2012 e mostrando que “a crença de que é necessário casar-se e ter filhos enfraqueceu em algumas mulheres em comparação com o passado”.

Para os responsáveis pelo estudo, essa mudança nos valores das mulheres pode estar associada a factores como “situações económicas, maior acessibilidade ao ensino superior, maior independência, procura de desenvolvimento de carreira e stress psicológico”.

Além disso, apenas 13,3% das inquiridas concordaram com a ideia de que as “mulheres devem deixar o estudo/carreira profissional por amor ou família”, uma descida de 18,7 pontos percentuais no intervalo de cinco anos. Este resultado indica que, para algumas mulheres, prevalecem necessidades de realização pessoal e procura da auto-estima para além das fronteiras familiares, bem como a expectativa de terem mais espaço para o autodesenvolvimento e prosseguirem as suas careiras ou realizações académicas.

Nas vertentes abordadas sobre o conceito de casamento, o relatório concluiu ainda que 19,1% das mulheres consideram “aceitáveis” as “actividades sexuais extraconjugais”, um aumento de seis pontos percentuais face a 2012. Já 69,2% das inquiridas consideram que o casamento deve ser para sempre, diminuindo 11,6 pontos.

As mulheres entrevistadas, com idades compreendidas entre os 15 e 74 anos, mostraram também menor dependência dos homens no âmbito familiar. Nomeadamente, 76% (menos três pontos percentuais) entendem que têm a mesma responsabilidade dos homens relativamente aos rendimentos familiares e 51,1% (menos 11,2 pontos) consideram que os homens devem ser o pilar económico da família.

 

Nível de educação em alta

De acordo com o relatório, o nível de educação das mulheres de Macau melhorou significativamente. Registou-se um aumento da população feminina na força de trabalho e na mediana do rendimento mensal do emprego das mulheres entre 2012 e 2016, respectivamente de 170 mil para mais de 190 mil, e de 10 mil patacas para 14 mil, representando um acréscimo de 40%.

No entanto, apesar do estudo mencionar que o rendimento das mulheres trabalhadoras cresceu muito, ainda persistem obstáculos para o desenvolvimento das suas carreiras, pelo que algumas têm perspectivas limitadas no local do trabalho. Isto porque a mentalidade tradicional restringe o seu desenvolvimento em certas direcções, limitando assim a procura de novas possibilidades.

Macau surge também referenciada como uma região onde a igualdade de género é “satisfatória”, atingindo mesmo um “nível relativamente alto” não só na área da Grande China, mas também no panorama internacional.

O trabalho, os filhos e problemas económicos são as questões que mais pressionam as mulheres em Macau. O estudo revelou que, embora 39% considerem ter boa saúde física e 52,2% boa saúde mental, 20% das mulheres confessaram sofrer de perturbações emocionais, causadas principalmente pelo trabalho, problemas com a educação ou comunicação com os filhos, para além de questões económicas.

A divulgação do estudo coincidiu com a realização da segunda reunião plenária este ano do Conselho para os Assuntos das Mulheres e Crianças, que consistiu também na última deste mandato. O chefe do Departamento de Serviços Familiares e Comunitários do Instituto da Acção Social (IAS), Tang Yuk Wa, revelou que será criado um grupo de trabalho interdepartamental para acompanhar os trabalhos das mulheres e crianças a partir de 2019, tendo sido definidas 79 medidas, a serem promovidas e aplicadas.

Sem relevar pormenores, a chefe da Divisão de Apoio Comunitário do IAS, Lam Pui Seong, explicou que as medidas definidas focam-se em diferentes âmbitos para a melhoria da condição da mulher, tais como formação, incentivos à participação nas actividades sociais e assistência nos serviços médicos, entre outros.