Começou ontem a consulta pública sobre o ensino técnico-profissional do ensino não-superior com o Governo a defender o aperfeiçoamento dessa vertente no território como uma forma de melhor servir a economia de Macau. Além disso, os objectivos também passam por incentivar estes alunos a enveredar pelos estudos superiores

 

Viviana Chan

 

Aprofundar a colaboração entre escolas, empresas, associações e responsáveis por actividades económicas para que estas participem mais activamente no ensino técnico-profissional é uma das metas que o Governo pretende alcançar. São vários os objectivos no quadro do Regime do Ensino Técnico-Profissional do Ensino Não-Superior sujeito a auscultação pública até 15 de Julho.

O actual regime vigora há mais de 20 anos. Actualmente, há nove escolas com 36 cursos desta via de ensino frequentados por cerca de 1.300 alunos.

A intenção do Governo passa por convidar o sector empresarial a participação na elaboração dos programas de ensino, por forma a garantir que os cursos correspondem às necessidades das respectivas actividades económicas e do mercado. O futuro do ensino técnico-profissional de Macau implicará também a implementação de uma estratégia curricular mais focada na componente prática, indicou Vong Iat Hang, chefe-substituto do departamento de Estudos e Recursos Educativos da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ).

Desse modo, pretende-se reforçar as componentes lectivas de disciplinas convencionais como Matemática, Língua Estrangeira, Educação Física, entre outras, por forma a assegurar uma “melhor a continuação do ensino para o [grau] superior”, apontou o mesmo responsável. A ideia passa também por criar um mecanismo de articulação com as instituições de ensino superior para, a longo prazo, “elevar o nível profissional, o reconhecimento do ensino técnico-profissional e reforçar a empregabilidade dos alunos.

Neste contexto, Vong Iat Hang indicou que, com base em dados oficiais relativos ao ano lectivo 2016/2017, 80% dos finalistas do ensino secundário complementar técnico-profissional manifestaram-se interessados em prosseguir os estudos no ensino superior. Nos últimos anos, cerca de 40% dos mesmos ingressaram em cursos correspondentes às mesmas áreas científicas do secundário, apontou.

Ao mesmo tempo, o regime em consulta pública atribui grande importância à componente estagiária. Além de elevar a eficiência do estágio profissional, pretende-se criar condições para que a sua programação seja flexível e contar com o apoio de pessoal especializado para assumir funções de coordenação e orientação dos estágios.

Por sua vez, Vong Iat Hang acrescentou que o Governo mantém uma postura aberta em relação à remuneração salarial que deve ser fixada a estes alunos pelo que a população será auscultada sobre esta matéria.

“Muitas vezes, os alunos do ensino profissional são mal vistos pela sociedade, achando que são pessoas que não conseguem estudar nas escolas ‘normais’. Isso não é verdade. Hoje em dia, os jovens começam a traçar os seus planos para o futuro muito mais cedo. O ensino profissional pode ser uma oportunidade para começar os estudos profissionais mais cedo”, acrescentou.

 

80 milhões em apoios para reparar escolas

No ano passado, o Fundo de Desenvolvimento Educativo disponibilizou mais de 80 milhões de patacas para ajudar as escolas de Macau com as obras de reparação dos danos causados pelo tufão “Hato”. Durante a reunião plenária do Conselho de Educação para o Ensino, foi indicado que o Fundo financiou mais de 1.500 projectos num valor total de 870 milhões de patacas.