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Alguns já estão familiarizados com os rostos do futuro Governo, outros apenas sabem que a maioria vem da Função Pública, mas todos são unânimes: a mudança integral dos Secretários é um sinal positivo. Residentes ouvidos pelo JORNAL TRIBUNA DE MACAU esperam novas ideias e mais dinamismo dos cinco nomeados para melhorar a qualidade de vida

 

Fátima Almeida e Viviana Chan

 

20141204-06cChan Ngan Ha já trabalhava na banca de fruta da sua família quando via Florinda Chan ir para a escola com os irmãos. Nunca pensou que Florinda Chan chegasse a um dos principais cargos do Governo de Macau, mas apesar das críticas que foram apontadas à Secretária para a Administração e Justiça cessante, a vendedora dá-lhe uma nota razoável bem como a todos aos dirigentes que agora abandonam o seu cargo, notando que uns conseguiram trabalhar mais do que outros.

“Antes do caso das campas, considerava que trabalhava normalmente, mas depois surgiram muitas críticas contra ela. Esse caso parece muito grave e as pessoas falaram muito. No fundo, todos os Secretários trabalharam razoavelmente, mas há pessoas que se viram envolvidas em casos. É má sorte”, refere a vendedora ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

20141204-08cComerciante desde criança, Chan Ngan Ha olha agora para o futuro com mais esperança, porque as mudanças trazem energia a um corpo governativo já desgastado pelo tempo. “Tenho expectativas, claro. Espero que tenham novas ideias para a população”, afirma a mulher de 63 anos. “Considero muito positivo que tenham mudado os Secretários todos, porque os outros já estavam há muitos anos no poder. Estes são novos podem ter mais ideias e ser animados”, refere.

Os rostos que esta semana apareceram nos jornais são-lhe já familiares. Até de Raimundo do Rosário – nomeado para Secretário dos Transportes e Obras Públicas – Chan se recorda, apesar do tempo que este governante esteve em serviço no exterior. “Esta banca tem cerca de 50 anos e vou conhecendo as pessoas. Antes de Raimundo do Rosário ir para Portugal trabalhava no Governo, já não me lembro é da sua tarefa”, diz a propósito do ex-director das Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes.

“Não sei se eles [novos Secretários] trabalham bem, mas pelo menos há uma esperança. A esperança de que trabalhem mais para melhorarem a qualidade de vida das pessoas”, vinca Chan.

Para o senhor Wu, as novas caras do Governo parecem mais distantes. Sabe apenas que, além de Lionel Leong, o empresário que vai assumir a pasta da Economia e Finanças, todos os outros Secretários são funcionários públicos que ascenderam na carreira. Raimundo do Rosário parecer ser o brinde surpresa. “Fiquei surpreendido que ele viesse para este cargo. Acho que a maioria das pessoas não esperava que ele fosse Secretário, uma vez que esteve fora tantos anos”, refere o dono da loja de produtos secos, sem mostrar, contudo, preocupação com o facto de um dos futuros Secretários ter vivido 10 anos no exterior em representação de Macau.

“Não estou preocupado se ele vai ser uma pessoa competente ou não porque o mais importante é que a equipa trabalhe toda em conjunto”, refere, enquanto duas mulheres em voz miudinha comentam que os cheques pecuniários não deviam ser entregues a quem reside há poucos anos na RAEM por não terem contribuído para o seu desenvolvimento.

Olhando para os últimos anos de governação, Wu afasta as críticas e foca-se no desempenho das pastas para apontar Florinda Chan e Cheong U como os Secretários que mais trabalho promoveram. “São as melhores tutelas, porque não precisávamos de esperar tanto pelas reformas. Estes serviços trabalharam mais para simplificar. Já a Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego e o Instituto de Habitação são os que trabalham pior”, refere.

Choi Kam Bo, condutor de riquexó, concorda. “Na tutela dos transportes há muitos problemas que só começam a ser resolvidos com queixas. Acontecem todos os dias, mas não agem, esperam antes pelas queixas”, indica Choi, que guarda uma afeição especial por Francis Tam e Cheong U, que chegou a conhecer pessoalmente numa reunião relacionada com o Turismo. “Gosto muito de Francis Tam porque ele trabalhou bem para controlar o sistema financeiro e na sua área nunca houve indícios de corrupção, o que é bom”, refere. “Cheong U também trabalhava bem com o Património, o Turismo. Já tive com ele numa reunião sobre os riquexós e ele gostava de preservar as nossas coisas”, indica.

Habituado a conduzir em ruas movimentadas, Choi Kam Bo também não se esquece das promessas que Chui Sai On fez antes da eleição, pelo que faz um apelo: que o Chefe do Executivo leve a Pequim a situação dos filhos maiores para que estes possam residir em Macau junto dos pais que já obtiveram residência.

Os desafios da era do Jogo, depois das receitas dos casinos terem dado sinais de fraqueza, levam Lam Meng, de 60 anos, a colocar as suas expectativas em Lionel Leong. Depois das críticas a Florinda Chan, as atenções estão também voltadas para Sónia Chan, que deixa a liderança do Gabinete de Protecção de Dados Pessoais para assumir a pasta da Administração e Justiça. Trabalho também não faltará a Raimundo do Rosário na pasta que abarca os transportes e habitação. “Penso que resolver os problemas ligados com o bem-estar da população deve ser a prioridade para o próximo Governo. As casas e os transportes são os problemas mais urgentes”, salientou Lam Meng, depositando esperança na mudança radical da equipa de Secretários.

Samuel Chan, de 32 anos, mostra-se bem informado sobre as mudanças e considera a restruturação governativa “um bom sinal”. “Penso que no último mandato do Governo o trabalho não foi muito bem executado. Com os novos Secretários esta situação pode ser alterada”, acredita o funcionário público, que comentou a mudança do Governo num intervalo da leitura na biblioteca.

Tal como tantos jovens da sua idade, Samuel Chan diz enfrentar o problema da habitação. “É uma questão grave. É difícil pagar uma casa. Espero que o Governo possa aprender com Singapura porque o mercado de Macau já está a aproximar-se dos preços praticados em Hong Kong”, frisou com preocupação.

Embora se mostre satisfeito com a renovação do Governo, Samuel Chan, formado em Direito, sublinha que os resultados dependem da coordenação. “Há que lançar as medidas e depois cumpri-las. Muitas vezes, falta é orientação. Parece que às vezes o Governo não sabe como resolver os problemas”.