Os 1,1 mil milhões de dólares americanos investidos pela Melco Resorts & Entertainment na construção do novo hotel “Morpheus” vão começar a render a partir de 15 de Junho, data em que ocorrerá a sua abertura. Um projecto que avança voltado para as massas e sem mesas de jogo VIP. Lawrence Ho, líder da operadora de jogo, adiantou também que a antiga torre do “Hard Rock”, renomeada como “The Countdown”, vai ser fechada no próximo Ano Novo Chinês para sofrer uma renovação total

 

Salomé Fernandes

 

O novo hotel da Melco Resorts & Entertainment no COTAI, o “Morpheus”, vai abrir a 15 de Junho, no mês em que o “City of Dreams” completará nove anos. A informação foi avançada pelo director executivo da operadora de jogo, num evento de apresentação do projecto.

O “Morpheus”, que contou com um investimento de 1,1 mil milhões de dólares americanos, terá cerca de 770 quartos e vai focar-se no mercado de massas, pelo que a operadora não pediu mesas de jogo VIP ao Governo. Lawrence Ho não adiantou o número de mesas solicitadas, indicando apenas que é proporcional ao investimento.

“Na última década estivemos sempre preparados para a renovação das licenças. Foram nove anos continuamente focados em melhorar as nossas instalações, empenhados em mostrar ao Governo que tem sido uma década de diversificação. Focámo-nos em atracções não relacionadas com o jogo, como entretenimento. Por isso estamos muito confiantes, mas claro que vamos esperar pela decisão do Governo”, comentou Lawrence Ho.

O novo hotel é o primeiro arranha-céus de esqueleto em forma livre, suportado por essa estrutura exterior, e a sua entrada em operação deverá criar cerca de 1.300 postos de trabalho. Entre as atracções principais encontram-se uma piscina no 40º andar, elevadores de alta velocidade para observação da arquitectura interior e restaurantes com vista panorâmica.

O líder da Melco Resorts & Entertainment frisou que o crescimento na indústria, populacional e de classe média que se vai observar na Ásia nos próximos 100 anos leva a que países como o Camboja e o Japão estejam atentos às tendências dos turistas chineses. Lawrence Ho deu a entender que o projecto “Morpheus” é também uma forma de chamar a atenção para a empresa, que se encontra a tentar expandir para o Japão apesar de garantir que Macau continua a ser o foco principal.

“Esperar pelas licenças não vai diminuir o nosso investimento. Temos um grande compromisso e crença no mercado. É a nossa versão de uma carta de amor ao Governo, e do nosso apoio. Daí que tenhamos feito este design arquitectónico”, indicou.

Para além disso, adiantou que a antiga torre do Hard Rock, renomeada como “The Countdown” pelos últimos meses, vai sofrer mudanças. “Estava em contagem decrescente para o Morpheus. Depois da abertura vamos fazer contagem decrescente até ao próximo Ano Novo Chinês. Aí vamos fechar o edifício inteiro e fazer uma renovação total”. Vai chamar-se “Libertine”, ter menos quartos do que o hotel actual e pretende-se que seja “uma oferta de cinco estrelas”.

Apesar de ainda se estar a avaliar o design, Lawrence Ho indicou que “considerando o quão grandes serão, as renovações demorarão cerca de 18 meses”. Em termos de investimento, prevê que se possam vir a gastar mais de 20 milhões, montante que considera normal para renovações deste tipo.

O “Studio City” também conta com novidades, esperando-se até ao final do ano a abertura de um estádio de “e-desporto”, bem como a maior zona de realidade virtual da ásia. Uma aposta nas camadas mais jovens do mercado de massas.

 

Arquitectura como atracção turística

Viviana Muscettola, Lawrence Ho e Peter Remedios

Durante a apresentação do hotel “Morpheus” fizeram-se também sentir críticas indirectas a outras operadoras. “Queria que o ‘Morpheus’ representasse uma nova era para Macau, um local onde as pessoas vêm para ver a arquitectura, o design, e não algo que reflecte outros países” disse Viviana Muscettola, directora associada da “Zaha Hadid Architects”. “Não se está a experienciar outro lugar, uma espécie de pastiche. Isto é real, é design icónico”, apoiou-a Peter Remedios, director da empresa responsável pelos interiores do projecto.

O objectivo é responder às vontades do turista envolvendo a arquitectura no entretenimento. “Se mais criadores tivessem a mente voltada para grandes designs e excelente arquitectura, [as pessoas] vinham para isso. É como Valência, as pessoas vão lá pela arquitectura. A Sydney vão pelo edifício da Ópera. Criam-se pontos de referência através da arquitectura, onde o design atinge a sua função”, comentou Remedios.

O designer de origem macaense, que já trabalhou em diversos projectos de design na vertente da hospitalidade, acredita que na indústria do jogo sempre tentou apresentar a história de Macau, mas que “as pessoas não vêm cá por isso, não estão assim tão interessadas nessa parte”. Por isso admite que não é viável integrar elementos portugueses e da herança cultural de Macau em projectos novos.

“Um dos projectos em que trabalhámos nos últimos anos foi o Ritz-Carlton em Quioto, mas é diferente porque o design faz sentir que se está em Quioto. E isto foi um ingrediente importante para os japoneses. (…) Infelizmente num lugar como Macau a herança é menos importante. Deriva da procura, daquilo que traz cá as pessoas. A Quioto vai-se para uma imersão cultural, a Macau vem-se para se ser entretido. Cidades de jogo como esta podia haver em qualquer lugar”, lançou.

Remedios lamenta que edifícios antigos tenham já desaparecido, mas reconhece que os visitantes procuram entretenimento e por isso a aposta deve ser fazer algo “diferente, icónico”, uma oportunidade que lhe foi concedida por Lawrence Ho.

“Há 12 ou 13 anos quando conheci Lawrence e fizemos o Altira juntos ele tinha ideias óptimas. Queria fazer algo fantástico, mas teria sido à frente do seu tempo. O COTAI ainda não estava aqui, era um aterro”, recordou.

O “Morpheus” representou a oportunidade de fazer algo diferente. O novo hotel foi desenhado pela renomeada arquitecta Zaha Hadid, que faleceu em Março de 2016. De acordo com Viviana Muscettola, “pode-se dizer que participou desde o início até ao fim”, dado que o projecto estava quase terminado quando morreu a primeira mulher a ganhar o prémio Pritzker, conhecido como “o Nobel da Arquitectura”.