O Gabinete de Ligação do Governo Central teve uma atitude correcta ao desaconselhar a vinda de três escritores convidados para o Festival Rota das Letras, entende Jorge Morbey
Jorge Morbey pronunciou-se ontem sobre o cancelamento da participação de três escritores no Festival Literário “Rota das Letras”, considerando que Pequim agiu depois de o Governo local nada ter feito para impedir a presença dos autores. “Contrariamente ao que circula por aí, o Gabinete de Ligação, se realmente comunicou com o Festival e desaconselhou [os escritores] a vir, penso que isto é de louvar, porque quando falha o Governo, se não há outra entidade para pôr mão nas coisas, acaba por ser o Gabinete de Ligação”, defendeu o antigo presidente do Instituto Cultural em declarações à Rádio Macau.
De recordar que a organização do “Rota das Letras” afirmou que a informação de que a visita de Jung Chang, Suki Kim e James Church era considerada “inoportuna” partiu do Gabinete de Ligação do Governo Central que terá ainda afirmado “oficiosamente” que não estava garantido que os três escritores conseguissem entrar no território.
Morbey, actual professor da Universidade da Ciência e Tecnologia de Macau, considerou mesmo os responsáveis pelo Gabinete de Ligação como “uns tipos óptimos”. Como argumento, recordou que num evento no qual esteve envolvido, uma conferência intitulada “Riscos e Protecção contra Catástrofes em Macau: o tufão de 22/23 de Setembro de 1874”, no C&C, em 2010, “o Gabinete de Ligação esteve lá presente”, enquanto o Executivo local “fez greve”. Lamentou nomeadamente que desde o Chefe do Executivo a vários directores de serviços “ninguém tenha respondido afirmativamente ao convite para marcar presença”.
Nas mesmas declarações, o antigo presidente do IC apontou que o Governo e Alexis Tam, em particular, devem ser responsabilizados pelo que sucedeu com o Festival Literário, uma vez que não souberam evitar eventuais problemas. “A situação que se criou é da responsabilidade do Governo, concretamente do Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura, porque é óbvio que o planeamento do Festival Rota das Letras é objecto de uma proposta, porque de outra maneira não fazia sentido o dinheiro que se gasta com isto e que é suportado pelo Governo. A assinatura que vale ouro aí é a do senhor Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura. Portanto, isto não lhe passou ao lado e se isto era mau, se o convite a era estas pessoas era mau, devia ser um problema levantado por ele à organização do Festival, o que não levantou. Talvez por não saber quem eram as pessoas, o que é lamentável”, disse.



