Augusto Santos Silva planeia visitar a China e Macau ainda este ano, no âmbito dos preparativos da deslocação oficial de Xi Jinping a Portugal
O Ministro português dos Negócios Estrangeiros tem uma visita prevista para a China “no próximo Outono”, para preparar a estada do Presidente chinês, Xi Jinping, em Portugal no fim deste ano.
“Nessa ocasião, visitarei também a Região Administrativa de Macau porque o Fórum de Macau é o instrumento certo para promover a cooperação entre a China, Portugal e os países africanos de língua portuguesa”, vincou Augusto Santos Silva, após uma “reunião muito proveitosa” com o Conselheiro de Estado e ministro dos Negócios Estrangeiros da República Popular da China, Wang Yi, com quem analisou “novas oportunidades de investimento de empresas chinesas em Portugal, designadamente industrial”.
“Também estão em curso na China processos de inspecção sanitária muito importantes para o desenvolvimento das exportações portuguesas para o mercado chinês, designadamente produtos na área agro-pecuária e alimentar”, referiu, acrescentando que espera que “esse processo esteja concluído ainda este ano”.
Augusto Santos Silva afirmou também que Portugal “está muito interessado em participar na grande iniciativa desenvolvida pela China, conhecida como nova Rota da Seda”. O ministro destacou “razões geográficas e económicas” para afirmar que Portugal “pode ser um bom ponto de encontro entre a faixa terrestre e a rota marítima da nova Rota da Seda”.
Assinalando que a China “é o sexto fornecedor de bens a Portugal”, o governante realçou que o aumento das exportações portuguesas “significará que ambos os países beneficiam de uma relação comercial cada vez mais importante”.
Santos Silva declarou que “as relações entre os dois países são excelentes”, sustentando que a “razão dessa excelência” funda-se “na mesma visão sobre a ordem internacional baseada em regras, baseada no multilateralismo”. Frisou ainda “a importância” que ambas as nações dão “às agendas essenciais para o futuro da humanidade, a agenda do Acordo de Paris e a agenda do Clima ou a agenda dos Objectivos do Desenvolvimento Sustentável”.
Relativamente à Oferta Pública de Aquisição chinesa da EDP, limitou-se a dizer que “se trata de uma operação de mercado que dever ser acompanhada pelas entidades reguladoras competentes”, sem se ter referido a hipotética alteração à lei que facilita a OPA.
Já Wang Yi frisou que “China e Portugal ficam nos dois extremos do continente euro-asiático, mas as relações e laços entre os dois países são estreitas”. “Especialmente nos últimos anos”, Portugal tem mostrado “espírito de abertura e inclusão” e em “expandir a cooperação e fazer com que a Parceria Estratégica Global seja elevada para um novo patamar”, salientou.
“Vamos manter a nossa cooperação e aumentar a nossa confiança política, para consolidar a relação bilateral”, afirmou Yi, manifestando agrado pela possibilidade de Portugal, que goza de “uma posição privilegiada”, constituir “um parceiro para a construção de uma rota da seda” e “formar Portugal como país estratégico”.
Salientando a “abertura mais aberta e inclusiva chinesa a investimentos estrangeiros”, Wang Yi notou que a China pretende “aumentar a importação de produtos agrícolas de Portugal e explorar novas oportunidades na área da energia e do financiamento”.
JTM com Lusa



