Depois da mãe ter sido eleita 2ª dama de honor no concurso Miss Macau 1985, Débora Lopes de Oliveira prepara-se agora para representar o território no “Miss Grand International”, que decorrerá em Outubro, no Myanmar. Aos 22 anos, a bailarina profissional sente-se honrada pela presença numa competição que figura entre as melhores do mundo. À TRIBUNA DE MACAU, a jovem sublinha que, hoje em dia, estes concursos vão muito além da beleza exterior e dão oportunidade às participantes de se unirem para chamar a atenção para temas importantes da sociedade actual. Além disso, são uma boa escola para aprender a lidar com o criticismo e a opinião pública

 

Liane Ferreira

 

Chama-se Débora Lopes de Oliveira, tem 22 anos e foi escolhida para ser a “Miss Grand Macau” no concurso “Miss Grand International”, que vai decorrer em Outubro no Myanmar. A selecção não foi fácil, tendo sido necessárias duas rondas de audições, mas aconteceu, e numa altura em que apenas tinha regressado de Londres para o desfile do irmão, Nuno Lopes, em Março.

“Antes de ir à audição fiz alguma pesquisa sobre o concurso internacional, vi o espectáculo do ano passado e fiquei muito surpreendida com a produção e a qualidade das concorrentes. Depois de mais pesquisa, fiquei a saber que está no top 5 de concursos de beleza no mundo, por isso, sinto-me honrada e animada por ter esta oportunidade de representar Macau”, começou por dizer à TRIBUNA DE MACAU.

Apesar de ter sido o irmão a incentivá-la a “tentar”, Débora Lopes de Oliveira confessa que o facto da própria mãe ter sido 2ª dama de honor no concurso Miss Macau em 1985 também tem alguma influência. “Ela tem sido o meu exemplo de vida a seguir desde sempre. E, tendo sido ela própria Miss Macau, sinto que de certa forma me estive a preparar para este papel toda a vida”, afirmou.

“A minha mãe ficou muito orgulhosa e apoia a decisão de participar no concurso. Ela tem partilhado histórias desses dias e do que esperar, preparando-me mentalmente para o que vem a seguir. Fico muito contente por seguir as pegadas da minha mãe e fazê-la orgulhosa de mim”, confessou.

 

Para além da beleza exterior

Questionada sobre a importância deste tipo de concursos numa altura em que o movimento “#metoo” ganha terreno, nota que os “concursos de beleza evoluíram ao longo dos anos, e mais recentemente não são apenas sobre a beleza exterior, mas também sobre talento e bem-estar”.

“Estes concursos celebram as mulheres, que juntas lutam pela consciencialização de temas, como a igualdade, guerra ou violência. São mais dos que bonitas coroas e maquilhagem. Também exige muita independência e disciplina”, declarou, explicando que as concorrentes tem de arranjar o seu próprio cabelo e maquilhagem. “Para isto é preciso conhecimento e prática e além disso também é preciso saber falar em público e ter conhecimentos de etiqueta. Está envolvido muito treino antes do concurso final”, frisou.

A seu ver, participar nestes concursos ajuda as jovens mulheres a terem “mais autoconfiança, mas também a refinar os seus talentos e beleza natural”.

“Também servem para se educarem e sentirem-se orgulhosas das suas origens. Apenas quando se participa nestes concursos é que se percebe que são mais do que beleza exterior, especialmente quando hoje em dia com as redes sociais, as meninas mais jovens têm ideias erradas de beleza e lutam por atingir padrões de beleza irrealistas”, destacou.

Para além disso, em termos mentais considera que ajuda ter uma tolerância mais forte à rejeição e opinião pública, bem como a manter uma mentalidade positiva, focada no que é mais importante na vida.

Para a concorrente local, como Macau tem um historial de organização de concursos de beleza e “espaços espectaculares” seria “mais do que possível organizar este tipo de eventos que têm capacidade para colocar o território nas luzes da ribalta a nível internacional”.

“Macau como cidade glamorosa seria o pano de fundo perfeito para concursos de beleza e tenho a certeza que beneficiaria a indústria de turismo local”, destacou a jovem bailarina, graduada em dança urbana pela Universidade de East London.

Sobre o período de estudos fora e agora a graduação, explicou que, desde os 15 anos que estuda artes performativas, sendo que depois da universidade ingressou num grupo de dança em Londres. Em Maio deste ano, foi convidada para actuar na Dinamarca.

“Adoro dançar em palco, porque sinto que me posso expressar totalmente, mostrar os meus talentos e capacidades”, disse de forma apaixonada.

A participação no concurso, alterou-lhe os planos porque pretendia ser uma instrutora de “fitness” credenciada e bailarina profissional. Agora, como representa Macau, sente que tem o “dever de promover o território no palco internacional”, mais ainda do que tem feito, desde que vive no exterior.

“As minhas raízes estão em Macau e espero poder tornar-me na sua embaixadora”, concluiu.