A recuperação dos negócios da MGM China e Galaxy Entertainment ganhou força no terceiro trimestre deste ano, traduzindo-se em elevados ganhos operacionais. Impulsionados pelo crescimento do mercado de massas, os resultados das duas empresas já suplantaram os níveis pré-pandemia em diversas vertentes, desde as receitas geradas nos espaços comuns de jogo ao comércio a retalho
Sérgio Terra
Ao longo do terceiro trimestre deste ano, a MGM China voltou a registar resultados financeiros e operacionais acima da média da indústria do jogo, nalguns casos superando mesmo o desempenho observado em 2019, ou seja, antes da pandemia. Segundo os dados ontem anunciados pela empresa, o EBITDA (resultados antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) cresceu 7,9% para quase 1,9 mil milhões de dólares de Hong Kong (HKD) entre o segundo e terceiro trimestres de 2023 e excedeu em 22% o valor contabilizado entre Julho e Setembro de 2019.
O resultado do EBITDA assinala um recorde para a MGM, em termos de ganhos obtidos num terceiro trimestre. A margem do EBITDA, indicador de rentabilidade que estabelece uma relação entre as receitas líquidas e os ganhos operacionais das empresas, recuou de 30,1% para 29,6% em termos trimestrais, no entanto, também suplantou claramente a fasquia pré-pandemia (26,8%), devido essencialmente à crescente aposta no mercado de massas e à “eficiência operacional”.
No exercício financeiro encerrado a 30 de Setembro, as receitas líquidas ascenderam a 6,4 mil milhões HKD, o que representa crescimentos de 9,7% face ao segundo trimestre deste ano e de 10% em relação ao período homólogo de 2019. No espaço de um ano, as receitas aumentaram 829%, beneficiando da baixa base comparativa associada ao impacto da pandemia.
“A MGM China está a ter um desempenho excepcionalmente bom”, sublinhou Bill Hornbuckle, CEO e presidente da MGM Resorts International, accionista maioritária da operadora de Macau. Na habitual teleconferência com analistas após a publicação dos resultados, Bill Hornbuckle garantiu que o grupo está a trabalhar no sentido de retirar ainda mais dividendos do “boom” de negócios na RAEM, nomeadamente através da renovação de uma área de jogo no MGM Cotai e a oferta de mais seis “villas” no MGM Macau.
Por sua vez, Kenneth Feng, presidente e director executivo da MGM China, manifestou-se “entusiasmado com a recuperação de Macau, juntamente com o desenvolvimento da diversificação da cidade”. “Continuaremos a investir nas salas de jogo para aumentar o rendimento das mesas. Ao mesmo tempo, estamos empenhados em trazer mais experiências turísticas integradas para atrair visitantes internacionais”, acrescentou.
Entre Julho e Setembro, as receitas brutas diárias dos casinos da MGM atingiram 101% do nível de 2019, chegando mesmo aos 137% no mercado de massas (incluindo “slots”). A concessionária absorveu 14,3% das receitas totais do jogo em Macau no trimestre em análise, após ter detido uma quota de 9,5% no ano fiscal de 2019. Individualmente, os casinos MGM Cotai e MGM Macau conquistaram “fatias” de 7,9% e 6,4%, respectivamente.
O MGM Cotai manteve-se como a maior fonte de negócios da empresa, com receitas de 3,5 mil milhões HKD (contra 2,8 mil milhões no terceiro trimestre de 2019) e ganhos de mil milhões no EBITDA (692,9 milhões há quatro anos). Já no MGM Macau, as receitas cifraram-se em 2,9 mil milhões (o mesmo valor de 2019) e os lucros operacionais em 880,5 milhões (855,5 milhões na era pré-covid).
O grupo reiterou ainda que mantém uma “situação financeira saudável”. A 30 de Setembro, a sua liquidez totalizava cerca de 18,2 mil milhões HKD, incluindo dinheiro em caixa, equivalentes de caixa e linhas de crédito disponíveis. Este valor representa um aumento de 1,5 mil milhões no intervalo de três meses.
Galaxy com ganhos de 2,8 mil milhões
O terceiro trimestre também foi muito positivo para a Galaxy Entertainment, com os ganhos do EBITDA a aumentarem 11,9% para 2,77 mil milhões HKD em relação aos três meses precedentes. Um ano antes, o EBITDA teve um saldo negativo de 581 milhões.
De acordo com o comunicado ontem enviado à Bolsa de Valores de Hong Kong, as receitas líquidas do grupo totalizaram 9,65 mil milhões, traduzindo acréscimos de 11,4% e 374,4% face ao trimestre anterior e ao período homólogo de 2022, respectivamente. O maior empreendimento da empresa, o Galaxy Macau, gerou receitas líquidas de 7,63 mil milhões e ganhos operacionais de 2,56 mil milhões, o que representa crescimentos de 16,5% e 18,0% relativamente ao trimestre anterior.
Em termos de receitas brutas do jogo, a Galaxy Entertainment facturou cerca de 8,75 mil milhões HKD, montante que ilustra subidas de 14,2% e 852,7% no espaço de três meses e um ano, respectivamente. As mesas do mercado de massas contribuíram com cerca de 7,44 mil milhões, o segmento VIP com 813 milhões e as “slots” com 492 milhões, valores que traduzem, respectivamente, um aumento trimestral de 18%, uma descida de 13% e uma subida de 11%.
“Do ponto de vista das receitas de negócios, estamos muito satisfeitos por ver uma recuperação contínua tanto nas chegadas de visitantes como nas receitas do jogo associadas. No terceiro trimestre de 2023, as receitas de jogo de massas da Galaxy Entertainment foram aproximadamente de 102% quando comparadas com os níveis de 2019”, realçou Lui Che Woo, presidente do grupo, citado no comunicado. O desempenho do casino Galaxy Macau foi ainda melhor, com 121% do nível de 2019, enquanto a retoma no StarWorld avançou para cerca de 71%.
Paralelamente, as vendas no retalho mantiveram uma trajectória ascendente entre Julho e Setembro. “O aluguer de centros comerciais no terceiro trimestre de 2023 em todo o nosso portfólio foi de 379 milhões, o que equivale a 114% dos níveis de 2019”, destacou ainda Lui Che Woo.
A 30 de Setembro, o valor da caixa e dos investimentos líquidos da Galaxy situava-se próximo dos 24,8 mil milhões HKD, a caixa líquida incluía 23,3 mil milhões e a dívida total atingia 1,5 mil milhões. “O nosso sólido balanço e fluxo de caixa operacional permitem-nos devolver capital aos accionistas através de dividendos, financiar os nossos planos de desenvolvimento e prosseguir as nossas ambições de expansão internacional”, frisou Lui Che Woo, indicando ainda que o grupo pagou um dividendo especial de 0,20 HKD por acção no dia 27 de Outubro.
Durante o trimestre de referência, foi lançada parte da Fase 3 do Galaxy Macau, nomeadamente os hotéis Raffles e Andaz, que se juntaram ao Centro de Convenções e à Arena, inaugurados no início do corrente ano. O grupo está agora focado na Fase 4, garantindo que “está bem encaminhada”.
Com conclusão prevista para 2027, a Fase 4 estende-se por cerca de 600 mil metros quadrados e receberá “várias marcas de hotéis luxo”, bem como um anfiteatro com 4.000 lugares, lojas, restaurantes e uma zona com atracções aquáticas. “Continuaremos a ajustar o calendário de desenvolvimento de acordo com a procura do mercado”, refere o comunicado.
“O desenvolvimento de um mercado internacional demorará tempo a evoluir e estamos a trabalhar activamente com a DST [Serviços de Turismo] no apoio às suas actividades promocionais e turísticas”, reitera a Galaxy, adiantando que se prepara para abrir um escritório em Banguecoque, depois de já ter tomado idêntica medida em Tóquio e Seul. “A competição por turistas internacionais de alto valor é significativa e faremos o nosso melhor para apoiar esta iniciativa do Governo”, acentuou.



