O MGM Cotai abriu ontem ao início da noite as suas portas ao público. O director executivo da MGM China mostrou-se confiante na capacidade do empreendimento de atrair mais visitantes e de haver um rápido retorno do investimento. Grant Bowie está convicto de que o Governo renovará a licença concedida à operadora quando o prazo chegar ao fim, nomeadamente devido à oferta diversificada que o novo hotel-casino acrescenta ao portefólio da empresa. A abertura do MGM Cotai contou ainda com a presença do CEO da MGM Resorts que salientou a importância do complexo para o desenvolvimento do sector turístico

 

Inês Almeida

 

Eram 19:30 quando o MGM Cotai abriu pela primeira vez as portas ao público entre um clima de optimismo espelhado pelos discursos dos executivos da MGM China e da empresa-mãe. “Venho a Macau e à China há mais de 20 anos e o MGM celebra as tradições da comunidade local e dos visitantes. Apreciamos a ligação da China a Macau e celebramos as criações locais no MGM Cotai”, sublinhou o CEO da MGM Resorts.

“Começámos com a visão de desenvolver um resort integrado que oferece experiências diferentes a Macau e que vai mais além. Estou incrivelmente orgulhoso da equipa do MGM que materializaram esta visão com a abertura do MGM Cotai”, frisou James Murren.

A co-presidente da MGM China partilha do optimismo de James Murren. “Estou muito orgulhosa de me juntar a vocês para termos, 10 anos depois da abertura do MGM Macau, a experiência do MGM Cotai. Nos últimos dois anos, a MGM China trabalhou sem parar para encontrar novas formas de entretenimento ao público”, sublinhou Pansy Ho.

A empresária destaca que o novo complexo hoteleiro é um investimento “dos mais desenvolvidos e mais de ponta”. “Podemos ter mais de 200 peças de arte, uma zona de exposição para que os visitantes possam apreciar. Temos de encontrar novas formas de competitividade. O MGM está a preparar-se para a Ponte do Delta e para Macau integrar a Grande Baía”.

Por sua vez, o director executivo da MGM China vai mais longe e frisa que o novo empreendimento pode ser um factor decisivo para a renovação da licença de jogo quando o momento chegar, em 2020. “Aumentámos e melhorámos a nossa oferta, merecemos a extensão do nosso contrato de concessão. Estamos empenhados a longo prazo e a respeitar os requisitos estratégicos de desenvolvimento do Governo”, garantiu Grant Bowie. Além disso, “a renovação [das licenças] não tem a ver com o sucesso dos casinos mas com a diversificação. Com o MGM Cotai temos uma nova oportunidade de fazer algo significativo”.

O desafio agora é “procurar novas oportunidades”. “Esta é uma propriedade que têm de experimentar e viver. O entretenimento está no núcleo do MGM como companhia e temos de atender aos pedidos cada vez mais importantes dos consumidores chineses. O desafio hoje é fazer algo novo”, destacou o empresário.

Embora não se arrisque a fazer previsões muito específicas sobre o impacto do empreendimento no território, Grant Bowie é claro: “é muito importante abrir agora”. “Temos um grande número de reservas para o Ano Novo Chinês. As pessoas vêm para Macau jogar mas muitos vêm também com a família pelo entretenimento e relaxamento. O entretenimento não jogo também é muito importante”.

Assim, “as expectativas de retorno do investimento são muito altas”, no entanto, o CEO prefere não apontar um prazo específico. “É um bom investimento e terá retorno (…) Macau está a tornar-se num mercado maduro e a tendência a que estamos a assistir é do reforço do mercado de massas porque nele reside a sustentabilidade”, apontou Grant Bowie.

 

Atrasos sem impacto no investimento

Os sucessivos atrasos na abertura do hotel-casino não aumentaram significativamente os custos, assegurou. “Com um investimento de 3,4 mil milhões temos a oportunidade de satisfazer as necessidades dos nossos clientes. Os atrasos não geraram um aumento grande. O pior foi em Agosto, quando o tufão [Hato] atingiu Macau. Tivemos bastantes danos”.

Agora, “o mais importante vai ser o reforço do mercado” que deverá “demorar algum tempo”, antevê Grant Bowie. “É isso que vamos fazer para aumentar o retorno para nós e para os nossos accionistas”. “Queremos melhorar a qualidade dos clientes em termos de gastos e aumentar as estadias. Somos um destino que todas as pessoas podem visitar e temos de reconhecer a nossa posição”.

Em termos de jogo, o MGM Cotai dispõe actualmente de equipamentos focados sobretudo nas “massas premium”. “Estamos a usar os bens que temos de forma eficiente. Temos 100 novas mesas, sabemos que tínhamos de ter mais do que isso, portanto, pensámos em transferir 77 do casino antigo. Não íamos fazê-lo se não gerassem mais receitas aqui”.

O desenvolvimento do sector VIP é empurrado para mais tarde. “Só quando a propriedade estiver completa, na segunda metade do ano, revelaremos mais informação”. No entanto, apontou Grant Bowie, o casino vai dispor de cinco “junkets”.

 

Histórias sobre jogo em Hainão não preocupam Grant Bowie

Os rumores sobre uma hipotética abertura de espaços de jogo na ilha de Hainão não aflige o director executivo da MGM China. “Esta é talvez a sexta ou sétima vez que ouço histórias sobre jogo em Hainão. Vai continuar a surgir este tipo de histórias de certeza. O jogo na China é um desafio e o Governo da China vai trabalhar sobre a matéria”, frisou Grant Bowie na conferência de imprensa de apresentação do MGM Cotai.