Até Abril, vão chegar a Macau carruagens do Metro numa base mensal, indicou Raimundo do Rosário. O “salto” simbólico do Metro para a Península ocorrerá na segunda-feira com o lançamento da primeira pedra da Estação da Barra. Por outro lado, o Secretário indicou que a proposta do reconhecimento de cartas de condução está relacionada com a conclusão da Ponte do Delta
Salomé Fernandes
Vão chegar remessas de carruagens novas para o Metro Ligeiro todos os meses até Abril, adiantou Raimundo do Rosário. Para além disso, o Secretário para os Transportes e Obras Públicas indicou que “a linha entre a estação dos Jardins do Oceano e a do Jockey Clube já está electrificada”. “E vamos electrificando sucessivamente a chegar aqui ao Pac On”, explicou à margem da inauguração da estação postal do Terminal Marítimo de Passageiros da Taipa.
Os testes começarão “nos próximos meses” após a electrificação de “três ou quatro estações”, sendo que o Secretário recordou que a linha da Taipa deve entrar em funcionamento em 2019. As primeiras carruagens, descarregadas no sábado, eram de manutenção, enquanto as próximas serão de passageiros, perfazendo um total de cerca de 40.
O contrato entre o Governo da RAEM e a “Mitsubishi Heavy Industries” para o fornecimento de comboios e do sistema do Metro foi celebrado pelo valor de 4,68 mil milhões de patacas, sofrendo posteriormente um ajuste de 700 milhões.
Por outro lado, na próxima segunda-feira será lançada a primeira pedra da construção preliminar da Estação da Barra do Metro, assinalando a passagem simbólica do projecto para a Península. Segundo o Gabinete para as Infra-Estruturas de Transportes (GIT), esta fase envolverá a construção de uma parede moldada subterrânea, com o comprimento total de quatro faces de 255 metros e a profundidade de 40 metros.
A empreitada será executada pela “China Road Bridge Corporation”, e prevê-se que seja concluída no terceiro trimestre de 2018. A construção da estrutura principal da estação da Barra vai iniciar-se logo depois da conclusão do projecto.
Reconhecimento de cartas “ligado” à Ponte do Delta
Noutro âmbito, Raimundo do Rosário defendeu que a proposta preliminar sobre o reconhecimento mútuo de cartas de condução entre Macau e o Continente chinês não vai levar a uma “invasão” de viaturas. “Nós reconhecemos as cartas e não os carros”, disse, acrescentando que existem poucos carros com matrícula dupla ou para alugar.
Para além disso, alertou para a inevitabilidade do debate devido à aproximação da data da inauguração da ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. “Esta é uma medida que tem a ver com a ponte que vai ser inaugurada em breve”, explicou Raimundo do Rosário.
“Já há um reconhecimento entre a China e Hong Kong, e penso que não podemos adiar muito mais esta questão”, acrescentou o titular da pasta dos Transportes e Obras Públicas, ao defender que Macau não pode estar “permanentemente a fechar as portas”.
Ainda assim, ressalvou que a proposta – que tem motivado muitas críticas por receios de contribuir para o agravamento do trânsito – ainda está em discussão.
O Secretário assegurou também que ainda não dispõe de dados concretos sobre o modelo da circulação rodoviária na ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau, que deve ficar concluída até ao final deste ano.
DSAMA pede mais rapidez nas licenças para restaurantes
Também presente na inauguração da estação postal, a directora da Direcção dos Serviços de Assuntos Marítimos e de Água (DSAMA) assegurou que já há restaurantes interessados em operar no Terminal Marítimo da Taipa e pediu maior celeridade no processo de licenciamento.
“O mais demorado são sempre os restaurantes porque têm de pedir electricidade extra, água e licença para operar”, indicou Susana Wong, acrescentando que a DSAMA tenta “ajudar, telefonar para as agências governamentais e outros departamentos relevantes, mas eles também têm de acelerar um bocadinho o processo”. “Há restaurantes interessados, tais como McDonald’s, e lojas famosas locais. O número total de restaurantes são 14, pequeninos e de diferentes estilos”.
Para além da nova estação postal, o Terminal conta actualmente com uma loja de conveniência, balcões de agências de turismo, no equivalente a metade do espaço reservado para esse efeito, e um gabinete de turismo. Susana Wong espera que até ao final do ano haja mais lojas ao dispor.
Por outro lado, segundo referiu, o volume de passageiros mantém-se estável, com números semelhantes aos do Terminal Marítimo Temporário. “Há 600 a 700 mil passageiros por mês”, disse. No entanto, Susana Wong espera que, depois de concluídas as obras aos danos causados pelo tufão, haja mais movimento.
Quanto ao tráfico marítimo esperado depois da entrada em funcionamento da ponte com Hong Kong e Zhuhai, comentou que “há agências de navegação preocupadas com essa mudança, mas temos de esperar para ver a política dos autocarros ‘shuttle’, e a vontade das pessoas de viajar por via terrestre ou marítima”.
Secretário tranquiliza compradores do lote “T+T1”
Apesar dos bancos locais terem rejeitado conceder empréstimos aos compradores do lote “T+T1” e da preocupação dos compradores com a declaração de caducidade da concessão do terreno vizinho, onde o grupo Polytec deveria erguer o “Pearl Horizon”, Raimundo do Rosário garantiu que não há motivo para inquietação. “Sei que toda a gente está preocupada se há caducidade, se o terreno vai ser revertido. Já disse que não há nada disto. O edifício foi vistoriado, foi emitida licença de utilização dentro dos prazos, e portanto os promitentes compradores podem ficar descansados que a partir de agora são só procedimentos administrativos”, frisou o Secretário.



