O director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego defendeu ontem que o Metro Ligeiro é a solução para os “problemas” de trânsito que a cidade enfrenta. Lam Hin San adiantou ainda que este ano serão acrescentados mais cinco parques de estacionamento públicos, com um total de dois mil lugares, e apontou que no âmbito do desenvolvimento dos transportes inteligentes será ponderada a criação de uma aplicação que permita o pagamento do estacionamento à distância. A consulta pública sobre o “Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau (2021-2030)” decorrerá até 22 de Julho e Lam Hin San frisou ontem várias vezes que o Governo quer ouvir o público

 

Catarina Pereira

 

O Metro Ligeiro figura como a solução para aliviar o tráfego causado pelo excesso de veículos privados e autocarros públicos no território, defendeu ontem o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, Lam Hin San, após a apresentação do “Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau (2021-2030)” ao Conselho Consultivo do Trânsito. “O transporte por carril consegue resolver os problemas de Macau”, afirmou.

Segundo o documento, que estará em consulta pública até 22 de Julho, devido à impossibilidade de escavação nas vias já construídas, e sendo o comprimento das vias projectadas limitado, “para aliviar, a partir da raiz, a pressão do tráfego rodoviário, é necessário planear racionalmente a concretização do transporte por carril, maximizando as suas vantagens” – como a eficiência, pontualidade, grande volume e conforto – no sistema de transportes terrestres.

Dando como exemplos Chongqing, Hong Kong e Singapura, Lam Hin San deu conta de que o transporte por carril ajudou a diminuir a pressão de trânsito rodoviário, “favorecendo um transporte urbano de alta eficiência, organizado, de baixo carbono e sustentável”. “Nestas cidades, o transporte por carril é a opção óbvia para resolver os problemas [de trânsito]. Todos os membros do Conselho Consultivo concordam com o plano e querem que possa acontecer o mais rápido possível”, frisou.

Quanto à Linha Oeste, que poderá vir a ligar as Portas do Cerco à Barra, Lam Hin San disse considerar que “poupará muito tempo”, sendo também “mais conveniente” para os visitantes. Contudo, ressalvou que é apenas “um conceito” e que “não há ainda qualquer plano”. “Queremos, através desta consulta pública, auscultar as opiniões. Porque se houver uma obra naquela zona toda, a parte Oeste de Macau vai sofrer de engarrafamento, por isso, pretendemos ouvir o público”, apontou.

As estimativas preliminares mostram que a extensão da Linha Oeste irá aumentar o comprimento da faixa ferroviária do Metro em seis quilómetros e um fluxo estimado de 105 mil passageiros por dia (correspondendo a um aumento de 77% e a um fluxo diário de 242 mil passageiros), cobrindo a população em cerca de 250 mil pessoas num raio de 500 metros da Estação.

Segundo Lam Hin San “a maior parte” dos membros do Conselho Consultivo “estão de acordo” com a direcção que o Executivo está a tomar, nomeadamente no que respeita ao transporte por carril, vias pedonais e transporte inteligente.

 

Transporte inteligente

Por outro lado, o Executivo quer desenvolver o transporte inteligente, de modo a facilitar a deslocação da população. Uma das apostas é o estacionamento inteligente, sendo que a DSAT pondera introduzir uma aplicação para poder pagar os parquímetros à distância.

“Há parquímetros de uma, duas e quatro horas. O que pretendemos é que todas as pessoas possam utilizar de forma justa os parquímetros e os lugares de estacionamento. Por exemplo, se for um parquímetro de quatro horas, se a pessoa pagou duas horas, pode pagar mais duas à distância. Mas, se o veículo já está parado há mais de quatro horas, já não pode fazer o pagamento à distância nem continuar a ocupar aquele lugar”, sublinhou Lam Hin San.

Outro objectivo é melhorar o fornecimento aos condutores

informações em tempo real sobre o trânsito circundante, incluindo informações sobre lugares disponíveis nos parques de estacionamento públicos, lugares de estacionamento com sensores e parquímetros

e para veículos eléctricos, bem como a situação rodoviária.

O director da DSAT defendeu ainda que a população deve utilizar com mais frequência os parques de estacionamento públicos ao invés dos lugares nas ruas, já que estes são “para um estacionamento de curto prazo”.

Questionado sobre o que poderá ser feito em relação a esta matéria, Lam Hin San disse que a sensibilização deverá ser reforçada. “Podemos reforçar a divulgação, sensibilizar as pessoas. Já temos falado sobre este assunto nos últimos 10 anos e o resultado não foi bom, mas os cidadãos têm de, passo a passo, utilizar mais os lugares dos parques de estacionamento. Não queremos lançar medidas rigorosas, o que pretendemos é ensinar, sensibilizar”, afirmou, acrescentando que há inúmeras vantagens na utilização dos parques.

Neste sentido, a DSAT vai acrescentar este ano mais cinco parques de estacionamento, com um total de 2.000 lugares, aos 55 parques públicos já existentes.

 

Descartadas medidas para limitar número de veículos

Outra meta do Governo incluída no plano é, com base na actual política de controlo dos veículos, a garantir um aumento anual inferior a 3% dos veículos motorizados, no entanto, o director da DSAT disse ontem que, face ao actual cenário, nomeadamente no âmbito económico, não é necessário avançar com medidas para limitar o número de veículos.

No documento são dados também os exemplos de Hong Kong e Singapura – ambos adoptam “políticas e medidas abrangentes para regular a aquisição e o uso de veículos particulares, por exemplo, através do imposto de registo de veículos, da cobrança de taxa de licença”. No caso de Singapura, há quotas fixadas para o número de veículos que cada cidadão pode ter.

“Se observarmos a situação económica de Macau, acreditamos que no futuro o aumento do número de veículos se vai manter baixo. Se a situação económica recuperar, o número de veículos vai aumentar. Nos próximos 10 anos, o aumento do comprimento das estradas é só de 1% e se não conseguir suportar tantos veículos, claro que vamos controlar o número. Mas num curto e médio prazo acho que não vai acontecer”, explicou Lam Hin San.

 

Teleférico entre Zona A e Centro de Ciência poderá transportar mais de seis mil por hora

Uma das novidades do “Planeamento Geral do Trânsito e Transportes Terrestres de Macau (2021-2030)” é o estudo sobre a eventual construção de um teleférico que cruze as águas entre a Zona A e o Centro de Ciência. Ontem, o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego adiantou que será “muito diferente” do teleférico do Jardim da Flora. “De acordo com a nossa ideia, conseguirá transportar 50 pessoas e, por hora, mais de seis mil. Assim pode aliviar muito a pressão de trânsito”, defendeu. Apontando que os membros do Conselho Consultivo do Trânsito ligados ao sector do turismo concordaram com a ideia, Lam Hin San ressalvou, no entanto, que é importante ouvir as opiniões do público. “É como se fosse um papel em branco: nada está escrito, nada está planeado. O que queremos é consultar as opiniões do público, comunicar, discutir”, afirmou.

 

Quarta ponte concluída em três ou quatro anos

As obras da quarta ponte que vai ligar a Península à Taipa, entre a Zona A dos novos aterros e o Pac On, deverão ficar concluídas dentro de três a quatro anos, segundo indicou o director dos Serviços para os Assuntos de Tráfego, após a apresentação do planeamento do trânsito e transportes para os próximos 10 anos. Do plano consta também a construção do túnel da Taipa Grande e que vai ligar-se à quarta ponte e chegar à Universidade de Ciência e Tecnologia, permitindo aos veículos que não passem junto ao aeroporto. “Poderá também ser útil para aliviar o engarrafamento na Taipa”, defendeu Lam Hin San.