Pelo terceiro ano consecutivo volta a celebrar-se o 10 de Junho durante todo o mês. Este ano, serão mais de duas dezenas de eventos culturais, desportivos e gastronómicos enriquecidos pelo contributo de mais de 35 artistas, com destaque para o concerto do músico português Pedro Abrunhosa no Centro Cultural. Com o sub-lema “de todos e para todos”, o programa “Junho, Mês de Portugal” é o último de Vítor Sereno como Cônsul-Geral na RAEM. O diplomata acredita que este “momento de mobilização efectiva” veio para ficar
Catarina Almeida
É com um “vastíssimo programa” que o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas será assinalado e comemorado em Macau à semelhança dos últimos dois anos durante todo o mês de Junho: de 1 a 30 de Junho irá promover-se Portugal através de um “momento de mobilização efectiva e conjunta de vários agentes culturais, económicos e institucionais”, frisou o Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong.
Aquele que será o último 10 de Junho de Vítor Sereno enquanto diplomata em Macau, é também o terceiro na forma de um conceito que terá a participação de mais de 35 artistas envolvidos em espectáculos, exposições, festivais e sessões de índole diversa, que irão animar mais de 10 espaços da cidade, “emblemáticos, muitos deles de património de origem portuguesa” em Macau.
Com o sub-lema “de todos e para todos”, as celebrações do 10 de Junho neste formato que se prolonga por todo o mês passou de um “sonho em 2013” para uma realidade.
“Aquilo que dantes era a celebração apenas de um dia, com um concerto e recepção aberta à comunidade, passou a ser um mês inteiro. Primeiro, e de forma tímida, com seis/sete eventos – no primeiro ano chegámos a 12 e hoje, três anos depois (deste conceito) temos mais do dobro. Espero, do fundo do coração, que este seja um conceito que perdure e que permaneça”, realçou Vítor Sereno, na conferência de apresentação do programa.
“Isto não tem a ver com o Sereno, não tem a ver com o Cônsul-Geral, mas tem a ver com um conjunto de boas almas e da confluência de boas vontades de instituições portuguesas e de matriz portuguesa que cresce de ano para ano”, frisou, notando que “tenho a certeza absoluta que o representante diplomático que estiver aqui [em 2019], juntamente com os meus companheiros de mesa e com outras instituições portuguesas e de matriz portuguesa, farão Junho, mês de Portugal, muito melhor do que este 2018”.
Pedro Abrunhosa e canção de Coimbra
Pedro Abrunhosa actuará a 8 de Junho no Centro Cultural
À semelhança dos últimos dois anos, esta iniciativa desdobra-se em várias formas para promover a “valorização de expressões de matriz portuguesa” seja pela música, desporto, entre outras. Cumprindo a tradição, o programa institucional, a 10 de Junho, consiste na cerimónia do hastear da bandeira (09:30) no Consulado-Geral de Portugal em Macau, onde “A Portuguesa” será interpretada pela Banda do Corpo de Polícia de Segurança Pública. Para esta ocasião oficial ainda está por confirmar a presença de um membro do Governo português para as comemorações, segundo indicou Vítor Sereno à TRIBUNA DE MACAU.
Segue-se, por volta das 10:00, a deposição de flores na gruta de Camões com as celebrações a terminarem às 18:30, na recepção à comunidade portuguesa na residência consular. Uma ocasião que, no ano passado, motivou a presença de 1.230 pessoas, notou Vítor Sereno.
De salientar ainda que, como é habitual, a recepção à comunidade coincide com a inauguração de uma mostra na residência consular. Este ano serão expostos trabalhos de João Magalhães num projecto conjunto intitulado “Pedra, Tesour(o) e Papel”, com inauguração prevista às 17:30.
Na vertente musical, o grande destaque deste ano é atribuído ao concerto marcado para 8 de Junho, às 20:00, de Pedro Abrunhosa na companhia dos “Comité Caviar”. Uma actuação há muito pedida pelos fãs do cantor português. “Chegou o momento de satisfazer a comunidade”, disse Maria Amélia António, presidente da Casa de Portugal em Macau.
O concerto terá lugar no Grande Auditório do Centro Cultural e, à semelhança de todos os outros eventos deste programa, é de entrada livre. Não obstante, é necessário levantar bilhete nas instalações da Casa de Portugal que poderá ser feito já a partir do dia 23 deste mês.
Ainda no foro musical, e mais cedo, a 2 de Junho, o pequeno auditório do CCM recebe, às 16:00, o concerto “Era uma vez, a cantar em Português”. Uma iniciativa organizada pela Casa de Portugal que pretende unir pais e filhos para que juntos oiçam e cantem músicas em português mas com “letras mais acessíveis” de grandes poetas lusos. Já mais no final do mês, a 29 de Junho, irão ouvir-se canções de Coimbra, às 20:00, no Teatro D. Pedro V. Ao quarteto irá juntar-se José Basto da Silva, conhecida figura da comunidade local.
A Casa de Portugal está também responsável pela organização de uma exposição, no Consulado-Geral de Portugal em Macau, para fotógrafos amadores cujas submissões ainda estão em aberto. As fotografias devem transparecer a presença portuguesa em Macau.
Da joalharia, à arte e desporto
Uma das novidades deste ano passa pela exposição “Portuguese Jewelry Goes to Macau”, organizada pela Associação de Ourivesaria e Relojoaria de Portugal, com o apoio da Câmara Municipal de Gondomar. Além da mostra, haverá também uma demonstração de filigrana portuguesa numa iniciativa que Vítor Sereno diz ser “inédita” e sinónimo de uma “importante colaboração”. O evento terá lugar na galeria da residência consular entre os dias 28 e 29 de Junho, das 15:00 às 17:00.
Do âmbito artístico, a Casa Garden inaugura no dia 14, pelas 18:30, a exposição “Vertical Reclamation of Individual Spaces” – com vários trabalhos de Ana Aragão no âmbito da residência artística anual da Fundação Oriente. A artista, arquitecta de formação, irá exibir durante dois meses desenho em grande dimensão de cidades imaginárias e tapeçaria. A curadoria é assegurada por João Ho.
A Fundação Oriente fica ainda encarregue de concretizar uma Mostra de Cinema na Cinemateca Paixão, naquela que é a habitual extensão do “Indie Lisboa”. Nos dias 27, 28 e 29 serão exibidos oito “filmes que não entram nos circuitos comerciais”, indicou Ana Paula Cleto. Ademais, pela mesma altura, terá lugar um workshop em parceria com a Associação CUT de cinema orientado pela realizadora Catarina Mourão.
Por sua vez, o panorama do cinema português estará ainda em destaque com a presença de António Pedro Vasconcelos. O realizador estará no dia 7, às 18:30, no Café Oriente do IPOR para uma conversa centrada no seu lado “mais cívico”. António Pedro Vasconcelos estará ainda presente nas exibições dos três filmes que selecionou e que podem ser visionados no Auditório Stanley Ho, no Consulado-Geral de Portugal, nos dias 7, 11 e 12 pelas 20:30,18:45 e 18:30, respectivamente.
No desporto, está agendada a transmissão dos jogos da selecção portuguesa no Mundial da Rússia. O futebol português pode ser acompanhado no Café Oriente do IPOR.
Por outro lado, no dia 16, a equipa feminina do IPOR concretiza a sua participação nas Regatas de Barcos-Dragão. Já ainda por confirmar está o jogo de futebol entre a Casa de Portugal e a equipa do Consulado-Geral pois, segundo Vítor Sereno, está pendente do calendário do campeonato.
Por fim, à semelhança do ano anterior, o Clube Militar volta a associar-se como parceiro do “Junho, Mês de Portugal” com mais um Festival de Gastronomia e Vinhos de Portugal. Desta feita com o toque dos chefes Miguel Castro Silva e Sérgio Canas, de 7 a 17 de Junho. Já no dia 6 será inaugurada a tradicional mostra de pintura portuguesa com trabalhos de Pedro Proença, Maria João Franco e Madalena Pequito na Galeria Comendador Ho Yin.
Do Albergue SCM é prestado apoio através da mostra de escultura de António Leça: “Escultura – Um Caminho”, a apresentar na Galeria A2, às 18:30 do dia 13.
Alexis Tam quer “celebrar” Portugal ao longo de 2019
O Secretário para os Assuntos Sociais e Cultura mostrou-se ontem interessado que 2019 seja um ano dedicado a celebrar Portugal e a cultura portuguesa. “É um ano em que se celebra o 40º aniversário do estabelecimento de relações diplomáticas entre Portugal e a China. E claro, Macau faz parte da China. Para nós, 2019 vai ser um ano importante e devemos celebrar o ano inteiro. Por isso, sugeri à comissão organizadora para pensar no próximo ano”, afirmou o governante, à margem de uma reunião com membros da organização do programa “Junho, Mês de Portugal”. Segundo a Rádio Macau, Alexis Tam mostrou-se ainda “um bocado triste” com a saída de Vítor Sereno. “O nosso amigo, o cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, fez grande trabalho aqui para ajudar o Governo da RAEM a divulgar e a promover a política de bilinguismo. Estávamos a precisar do apoio da parte do governo português e Vítor Sereno estava a ajudar-nos”, realçou.
IPOR vai lançar Roteiro dedicado a Camilo Pessanha
O Instituto Português do Oriente (IPOR) pretende lançar, ainda durante o programa “Junho, Mês de Portugal” um roteiro cultural de Camilo Pessanha. A ideia é passar por alguns “espaços emblemáticos”, nomeadamente o antigo Hotel Bela Vista, da passagem do poeta português por Macau. Com o suporte de um guia em papel em versão trilingue (Português, Chinês e Inglês), será dada explicação dos lugares aos participantes sobre a “simbologia dos espaços e edifícios”, explicou João Laurentino Neves. Todavia, como ainda “não há garantia absoluta de quando será lançado o produto”, o director do IPOR referiu apenas que os pormenores serão anunciados “muito em breve”. De um modo geral, este projecto será para continuar tanto que a ideia é “que possa ser utilizado naquilo que são os roteiros culturais existentes na cidade de Macau que, como sabemos, não são tantos”, afirmou. Este projecto, na óptica do cônsul-geral Vítor Sereno contará com o “acolhimento institucional” de entidades governamentais.



