Até domingo, o Largo do Pagode do Bazar vai ser palco de um mercado com destaque para os produtos do mundo lusófono e de Macau. A iniciativa deverá, posteriormente, chegar a outras zonas da cidade. É pelo menos essa a intenção do IPIM, conforme explicou Glória Batalha Ung. No futuro, além de produtos alimentares, poderá ser exibido vestuário e artesanato. Expositores no local destacam a importância de iniciativas deste género
Inês Almeida
Arrancou ontem e prolonga-se até domingo o primeiro mercado com destaque para os produtos de países lusófonos e Macau nos bairros comunitários. “Temos vários pontos de exposição dos produtos alimentares dos países de língua portuguesa e, desta vez, fazemos isto num bairro. O objectivo é uma combinação da indústria, do Governo, da população e das escolas”, frisou Glória Batalha Ung.
Gabriela Cheang
“Este evento tem o objectivo de atrair não só profissionais mas também turistas, pessoas de Macau, toda a gente”, indicou a vogal executiva do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM), organismo que organizou o mercado em conjunto com a “Macau Association for Promoting Community Economic Development” e o Secretariado Permanente do Fórum Macau.
Os produtos em exposição são da responsabilidade de alguns dos 150 expositores que ocupam habitualmente o Centro de Exposição de Produtos Lusófonos. “Escolhemos produtos que são mais novos, comuns, e que têm um elemento de Macau também. É um convívio de todas as coisas”, explicou a mesma responsável.
Ainda este ano, Glória Batalha Ung quer organizar novos eventos do mesmo género noutros pontos do território. “Estamos a discutir várias zonas mas ainda temos de discutir mais pormenores. Dentro de um ou dois meses vamos fazer mais comunicados à imprensa para informar a população porque temos de fazer promoção com antecedência”.
Outra questão a ter em conta é o estado do tempo. “Daqui a um ou dois meses vai estar calor, se calhar temos de esperar até Setembro, Outubro ou mais tarde”, admitiu a vogal executiva do IPIM.
Não apenas o Largo do Pagode do Bazar está envolvido neste evento. “Esta actividade não está só neste largo, mas em toda a Rua Cinco de Outubro. Combinámos com muitas lojas que querem participar e temos cupões. Os visitantes quando vêm aqui, participam, fazem compras, andam um bocadinho e recebem um cupão. Com ele, podem ir às lojas que têm os posters com o mesmo símbolo para fazer compras ou comer e ter um desconto”, explicou Glória Batalha Ung.
Glória Batalha Ung
O IPIM, em parceria com o Secretariado Permanente do Fórum Macau, está também a estudar a hipótese de expor outros produtos ligados à cultura dos países lusófonos. “O IPIM está agora a promover produtos alimentares mas, no futuro, vamos alargar as áreas e colaborar mais no artesanato, pintura, escultura, para que os países de língua portuguesa possam aceitar, realmente, que Macau é uma plataforma não apenas para os produtos alimentares”.
Este evento é também uma forma de trazer mais visitantes ao Largo, defende Glória Batalha Ung. “Esta área não é muito turística mas ali em cima temos as Ruínas de São Paulo e mais para fora o Largo do Senado. Temos funcionários a dirigirem as pessoas para cá”.
Vendedores optimistas
O evento começou ontem num clima de optimismo manifestado por alguns dos vendedores. Gabriela Cheang, está no Largo do Pagode do Bazar a representar a loja das conservas, que se instalou em Macau há cerca de dois anos. “Temos muitos tipos de conservas, por exemplo, sardinha, atum, mexilhão, bacalhau”, contou à TRIBUNA DE MACAU.
A jovem defende que o pastel de nata é já muito conhecido, porém há outros produtos que devem merecer o mesmo reconhecimento.
Ana Manhão
Apesar de estar no local há apenas algumas horas, a banca já tinha registado algum movimento. “Normalmente querem sardinha. Por exemplo, esta marca, ‘Porthos’, é muito famosa em Macau porque já cá está há mais de 90 anos, mas nós vendemos um produto diferente do supermercado, o nosso é ‘vintage’, a maneira de fazer as conservas é muito tradicional”, explicou Gabriela Cheang, destacando que ao longo dos próximos dias espera mais movimento dada a aproximação dos feriados da Páscoa.
Por sua vez, Ana Manhão, da empresa “MPC”, está no mercado a apresentar produtos que considera serem procurados no território. “Temos chouriço, pastéis de bacalhau, estamos à espera de piri-piri e de pastéis de nata, que são os produtos que Macau está a pedir”, sublinhou.
“As pessoas perguntam-nos como podiam comprar mais no futuro, sobretudo o presunto e chouriço. Querem saber como comprar para os próprios restaurantes”, sublinhou a mesma responsável, dizendo esperar um maior volume de pessoas entre sexta-feira e domingo.
Ana Courela
Ana Courela também se mostra optimista. “Estou a representar uma empresa portuguesa, ‘Branco Carvalho Neto’. Neste momento temos vários produtos portugueses aqui em Macau, nomeadamente num armazém de um parceiro nosso em Coloane, desde fruta desidratada a azeite, ervar aromáticas, vinhos e licores”. Desta forma, “tentamos trazer um pouco de Portugal a Macau e manter aqui um determinado ‘cheirinho’ de Portugal”, frisou.
Apesar de a empresa apresentar uma série de produtos, há um maior interesse pelas ervas ou chás e “mesmo os vinhos” despertam curiosidade.
Para Ana Courela, a iniciativa é boa e “tem tudo para dar certo”, até porque “as pessoas são muito agradáveis” e “estão curiosas”.
Além de produtos alimentares, o mercado inclui um workshop de artesanato de azulejos, demonstração de artes culinárias, workshops de chá e espectáculos de música e dança.



