Para o próximo ano estão previstos 298 projectos de obras viárias, um número menor que o deste ano, no entanto, há um aumento dos projectos de grande envergadura. Muitas obras prevêem a melhoria dos sistemas de drenagem e escoamento, nomeadamente para evitar cheias em zonas como o Porto Interior. Apesar de há um ano o Grupo de Coordenação de Obras Viárias ter prometido punir as empresas por atrasos e premiar as que concluíssem as empreitadas antes do tempo, ontem, os responsáveis não souberam dizer quantos prémios ou multas foram aplicados

 

Inês Almeida

 

O Grupo de Coordenação de Obras Viárias recebeu 298 projectos de obras viárias que devem acontecer no próximo ano, menos 3% em relação aos 307 projectos de 2018. No entanto, em 2019 devem ser realizadas 57 obras de grande dimensão, o que revela um aumento de 42% neste tipo de empreitadas em comparação com o ano passado.

“Os projectos principais são o escoamento de inundações do Porto Interior e o Dique do Porto Exterior. Estas obras estão previstas para o fim de 2019”, indicou o chefe da Divisão de Coordenação da Direcção dos Serviços para os Assuntos de Tráfego (DSAT), Mok Soi Tou. O Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) planeou também alguns projectos de grande dimensão.

“Temos 12 obras de grande envergadura como a estação elevatória de águas pluviais e o sistema de drenagem”, explicou o Chefe de Divisão de Vias Públicas do IACM. Uma delas prevê a repavimentação do Lago de Sai Van. As obras terão a duração de 20 dias, anunciou Lei Wa Pao.

Outro dos projectos é a construção de uma estação elevatória nas proximidades da Avenida de Demetrio Cinatti. “Naquela zona talvez cause maior pressão ao tráfego mas, quanto às ruelas, não vai afectar muito. Há mais de 700 dias de execução e nós iremos executar as obras de forma faseada, primeiro nas ruelas, depois perto do parque de estacionamento de estacionamento, e então até ao mercado do Patane”, acrescentou o mesmo responsável.

As obras na Avenida do Almirante Lacerda, que visam a construção de um colector pluvial, são as que podem vir a causar maiores transtornos ao trânsito. “Temos recolhido dados quanto às chuvas torrenciais que podem causar grandes inundações e, depois dessas obras, através do colector podemos reduzi-las”. “Sabemos que na Avenida do Almirante Lacerda há canais do sistema de drenagem e temos falado com a DSAT para executar as obras de forma faseada”. A empreitada terá a duração total de 180 dias.

“É a obra que vai causar maior pressão no trânsito”, advertiu Lei Wa Pao.

 

Nenhuma informação sobre multas ou prémios

Por sua vez, o Gabinete para o Desenvolvimento de Infra-estruturas (GDI) estará responsável por 14 projectos, maioritariamente na Taipa e no COTAI. “Iremos proceder a obras de melhoramento no túnel subaquático da Universidade de Macau e vamos fazer obras de beneficiação na Rua Marginal da Concórdia. Outro projecto situa-se perto da Piscina Olímpica e já está em curso”, indicou o chefe funcional do GDI, Tomás Hoi.

“Na rotunda da piscina olímpica já ampliámos uma faixa perto do Galaxy e prevemos que no final deste ano ou em Janeiro serão reabertas as faixas já reconstruídas. Na Avenida dos Jogos da Ásia Oriental estamos a fazer as fundações e também iremos ter três faixas”, explicou.

A Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (SAAM) também vai ser responsável por uma série de obras nas vias públicas ao longo do ano e distribuídas por todo o território. Vão ser alvo de intervenção zonas como a Avenida de Venceslau de Morais, a Rua do Almirante Sérgio, a Avenida do Conselheiro Ferreira de Almeida e a do Conselheiro Borja. Estão também previstas na Rua de Coelho do Amaral, perto da Estrada do Repouso. “No ano passado também não houve condições e vamos para o ano tentar avançar com este projecto”, sublinhou a directora de operações da SAAM, empresa que vai tentar avançar ainda com um projecto na Rua do Campo perto do edifício da Associação Geral das Mulheres de Macau.

Segundo Annie Chan, já foram concluídos os trabalhos para a colocação de uma quarta conduta de abastecimento de água em diversas áreas no COTAI, incluindo em parte do lote onde será erguido o Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. “Só há três partes que ainda não conseguimos concluir e vamos tentar que fique acabado no próximo ano”.

No ano passado, Lam Hin San assegurou que seriam lançadas 10 medidas para reduzir o impacto das obras no trânsito, incluindo um mecanismo de recompensas e penalizações, com sanções para atrasos e prémios no caso da conclusão antecipada das obras.

No entanto, o Grupo de Coordenação das Obras Viárias não foi ontem capaz de indicar quantos prémios e multas foram aplicados até agora. “Uma das 10 medidas era para solicitar aos contratantes uma cláusula de prémios e, portanto, isso varia consoante os contratos”, destacou Chiang Ngoc Vai, da DSAT. “Não cabe à DSAT mas sim às concessionárias ou entidades que executam os contratos pelo que não temos os números em mãos”, sublinhou.

De recordar que em Maio do ano passado, um relatório do Comissariado de Auditoria apontou que o IACM e outras entidades públicas que integram o Grupo de Coordenação de Obras Viárias mereciam nota negativa no que respeita à ineficácia de funcionamento e insuficiências nos procedimentos administrativos de apreciação e autorização de licenças. A auditoria detectou “lapsos” de fiscalização do IACM no andamento das obras, resultando em multas por passar em casos de incumprimento de prazos.

 

SAAM vai substituir canalizações em amianto no próximo ano

Em Macau existem ainda 1,4 quilómetros de canalizações com amianto que vão ser substituídos em 2019. “Temos ainda 44 projectos que vamos realizar ligados a essas obras. As canalizações de amianto são muito dispersas, pequenas e nos cruzamentos das ruas, por isso, não tínhamos condições para fazer a renovação. Vamos tentar realizar as obras dentro do próximo ano”, indicou a directora de operações da Sociedade de Abastecimento de Águas de Macau (SAAM) ressalvando, no entanto, que estas canalizações correspondem a menos de 1% do total. Annie Chan garantiu que a substituição dos canos já tem sido feita desde os anos 90, porém, actualmente há melhores condições para esse trabalho. “O motivo da substituição é porque [a canalização] é um pouco mais fraca e com a mudança de estação e a diferença de temperatura pode ficar danificada e afectar as ruas, as estradas ou o trânsito. Por isso, nos últimos anos estamos a promover o plano de substituição de canalizações de amianto e não devido à higiene pública”, esclareceu a directora de operações da SAAM, admitindo, ainda assim, que sabe dos perigos associados àquela substância.