Lawrence Ho marcou presença na abertura do “G2E Asia”
Lawrence Ho marcou presença na abertura do “G2E Asia”

Além do “Morpheus”, a Melco Resorts & Entertainment promete novidades no “City of Dreams” e no “Studio City” com uma reinvenção do comércio a retalho e maior investimento no entretenimento, respectivamente. Lawrence Ho reiterou ainda o interesse em investir no Japão

 

Inês Almeida

 

Apesar de se estar a aproximar a abertura do “Morpheus”, o director executivo da Melco Resorts & Entertainment aproveitou a presença na sessão de abertura do “G2E Asia” para anunciar que as novidades não ficam por aí.

“O que vai ser melhor no Studio City? Vamos investir no entretenimento de uma forma louca. Temos novos parceiros, a ‘Stufish’, que criou alguns dos maiores espectáculos ao vivo ao longo dos últimos 20 anos, desde Queen, a Lady Gaga ou aos Jogos Olímpicos. Eles aplicam uma nova abordagem e vão fazer isso para nós num incrível espectáculo que vamos inaugurar em Dezembro, depois de abrirmos a maior zona de realidade virtual da Ásia, uma terra de aventura em tecnologia, e uma nova rua de restauração”, avançou Lawrence Ho.

As mudanças vão também chegar ao “City of Dreams”. “Estamos a reinventar o retalho. Pela primeira vez vamos criar o nosso próprio ambiente de compras, convidando algumas das marcas mais ‘cool’ do mundo, num espaço de 1.500 metros quadrados que será operada por nós”, anunciou. “É uma abordagem completamente diferente da que temos agora. Porquê? Não por ser fácil, porque não é, mas porque tudo está a parecer igual. Estamos a fazer o mesmo com os restaurantes, a incentivar os nossos parceiros a serem originais”.

No fundo, frisou Lawrence Ho, “trata-se de criar ambientes e experiências diferentes”. “Por isso, estamos a incentivar a diferença. Na hotelaria, temos o ‘Morpheus’, o moderno, o ‘ultra-chique’ clássico chinês Nuwa, e Libertine, o ultra ‘funky’, rebelde e ‘sexy’”, sublinhou o director executivo.

“Embora não possa entrar em detalhe, há um novo aspecto relacionado com o jogo que depois também vamos revelar em Junho”, antecipou, por outro lado.

Falando também de jogo, o director executivo da operadora reiterou o interesse em investir no Japão. “Quem me conhece, sabe do meu fascínio pelo Japão. Na minha primeira visita, nos anos 80, Tóquio era literalmente uma cena do ‘Blade Runner’ e, para mim, foi sempre o sítio mais avançado do mundo, mas há mais do que o meu fascínio pelo seu gosto e cultura”.

A título de exemplo, Lawrence Ho focou-se no desenvolvimento do turismo. “Em 2017, houve 33 milhões de visitantes em Macau e 29 milhões no Japão inteiro. Para terem um sentido de escala, seria possível inserir 73 ‘Macaus’ em Tóquio apenas. A nossa indústria turística é cerca de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) e dá emprego a um décimo da população activa. No Japão, o número desce para 6,7%. É muito subaproveitado”, defendeu, questionando ainda: “E que turistas estão a bater às portas do Japão? Os chineses das massas premium, curiosos”.

O líder da Melco Resorts & Entertainment indicou ainda que a China contribuiu para cerca de 60% dos turistas que visitaram o Japão nos últimos cinco anos. “Os números de visitantes premium que chegarão ao Japão, segundo as previsões, devem aumentar de 64 milhões hoje para 120 milhões em 2025, mesmo a tempo da abertura do nosso primeiro resort integrado no Japão”, destacou.

 

O percurso da Melco a par do COTAI

“Para planear o futuro temos de reflectir sobre o passado e perceber como chegámos aqui”, disse Lawrence Ho e foi exactamente isso que fez. “Quando comecei neste negócio em 2003 o luxo não existia verdadeiramente, o entretenimento não existia, portanto, quando propus construir um hotel de cinco estrelas, com um ‘spa’ e restaurantes, toda a gente disse que era louco porque as pessoas não se importavam muito com esse tipo de coisas, só querem ir ao casino e comer noodles”.

Desde aí, “muito mudou e muito depressa”, disse Lawrence Ho, notando que ele e Sheldon Adelson, da Las Vegas Sands, foram os primeiros a investir no COTAI. No entanto, ressalvou, desde início os dois tiveram algumas diferenças de visão. “Ele [Sheldon Adelson] pensou que todos queriam Las Vegas e réplicas, eu pensei de outra forma. Logo desde início tive confiança nos consumidores chineses, na sua visão”.

Entre as mudanças registadas nos últimos 10 anos, Lawrence Ho salientou a situação dos “junkets”. “Há 10 anos Macau era só junkets. Eles ocupavam-se de tudo, mas a nossa filosofia sempre se baseou no facto de querermos ter uma relação directa com os nossos clientes”.

Na mesma altura, frisou Lawrence Ho, a operadora “conseguiu ver o potencial das massas premium”, decidindo assim construir “um destino, algo diferente, único, focado no estilo e na qualidade”. Essa ideia presidiu também à criação do espectáculo “House of Dancing Water”.