O Centro de Operações da Protecção Civil, o Serviço de Urgência do hospital público e o segundo-comandante do Corpo de Bombeiros são algumas das personalidades e organismos agraciados com medalhas e títulos honoríficos este ano. Todos se mostram muito orgulhosos pelo reconhecimento do seu trabalho, destacando sobretudo a evolução que permitiu que as consequências do tufão “Mangkhut” fossem muito menos devastadoras do que as do “Hato”, que assolou Macau um ano antes
Inês Almeida
Amanhã o Governo atribuirá medalhas e títulos honoríficos a individualidades e entidades que se notabilizaram por diversos motivos. Entre o rol de agraciados está o Serviço de Urgência do Centro Hospitalar Conde de São Januário, que vai receber uma Medalha de Valor.
Para o chefe daquele serviço, o prémio “significa que o trabalho árduo e todos os esforços merecem reconhecimento da população”. “O serviço de urgência faz parte dos serviços da primeira linha, ou seja, lida directamente com os pacientes e realiza actividades de grande dimensão”, defendeu Lei Wai Seng. “A nossa equipa fez uma preparação para responder às situações imprevistas, como catástrofes ou calamidades, e os nossos colegas têm diversos trabalhos, além dos do quotidiano, e têm de enfrentar situações durante a passagem de tufões”.
Chao Ka Cheong, segundo-comandante do Corpo de Bombeiros, enaltece empenho dos “soldados da paz”
Essa actividade foi particularmente visível em 2017, aquando da passagem do tufão “Hato”, que vitimou 10 pessoas, e no ano passado, do tufão “Mangkhut”. “Recebemos muitas pessoas com a passagem do tufão ‘Hato’ e tivemos de nos preparar para situações que possam ser semelhantes a essa”, frisou Lei Wai Seng. Isso significa, por exemplo, destacar pessoal específico.
Por sua vez, uma médica assistente destacou que o serviço de urgência todos os dias tem a responsabilidade de “prestar serviço aos cidadãos” pelo que é necessária compreensão em face do trabalho “árduo”. “Além das tarefas quotidianas, também prestamos assistência em situações de calamidade e de tufão e sentimos um grande orgulho por termos conseguido obter o reconhecimento da população”, sublinhou Ieong Pui I.
Questionada sobre a situação que mais a marcou no seu trabalho no serviço de urgências, a clínica salientou que na sua profissão há muitas “experiências inesquecíveis”. “Tive o caso de uma idosa que estava ligada a um ventilador. Sendo profissional de saúde, tenho de pensar se o que estou a fazer é o que a pessoa quereria. Será que aquela idosa tinha intenção de continuar a viver?”, interrogou a médica.
A lista de individualidades premiadas inclui o segundo-comandante do Corpo de Bombeiros (CB), agraciado com uma Medalha de Valor. Chao Ka Cheong começou por agradecer o reconhecimento e apontou que “quando os cidadãos enfrentam desastres ou grandes incêndios, os bombeiros permanecem corajosamente”.
“Quando o CB salva com sucesso os cidadãos é devido à união e dedicação dos bombeiros. Queria agradecer a todos os colegas que arriscam as suas vidas e aos familiares”, sustentou o segundo-comandante.
Ambos os tufões que atingiram sinal nº 10 ao longo dos dois últimos anos representaram trabalhos “desafiantes”, admitiu Chao Ka Cheong, referindo que o número de saídas de ambulâncias aumentou em comparação com os 10 anos anteriores devido a situações como desabamento de ruas, que levam a pedidos de socorro dos cidadãos.
“Em relação ao tufão ‘Mangkhut’, depois da passagem do ‘Hato’, ao longo do ano que separou as duas calamidades “o CB e o Centro de Operações da Protecção Civil (COPC) reforçaram a divulgação e a evacuação, bem como a comunicação com as associações e instituições e aumentámos os elementos de salvamento. Portanto, no tufão em Setembro tivemos uma evolução em relação ao ‘Hato’”.
Honra que dá “energia”
Também o COPC será distinguido pelo Governo, com uma Medalha de Valor. “É com muita alegria que o COPC recebe a Medalha de Valor. A nossa equipa fica muito contente e a medalha representa um grande estímulo. No futuro, esta honra vai transformar-se em energia para podermos continuar a aperfeiçoar os trabalhos da protecção civil de forma a garantir a segurança da população e dos turistas em situações de calamidade”, frisou a subcomissária do grupo de difusão de informações do COPC.
Kam Chit Soi aproveitou a ocasião para recordar que a protecção civil “não depende só da actuação do Governo, de entidades privadas e públicas, também da participação dos residentes”.
A subcomissária deixou ainda uma palavra especial de agradecimento aos familiares dos membros da Protecção Civil uma vez que assim que é içado o sinal nº 8 os profissionais têm de estar ao serviço e as famílias vêem-se forçadas a “enfrentar situações de emergência sozinhas em casa”.
Subcomissária de grupo da Protecção Civil destaca progressos na prevenção de catástrofes
De olhos postos no futuro, Kam Chit Soi recordou que será criada uma direcção de serviços de protecção civil e que está em consulta pública a Lei de Bases da Protecção Civil. Além disso, realçou o trabalho que tem sido feito para melhorar a actuação dos profissionais desta área.
“Durante a passagem dos tufões ‘Hato’ e ‘Mangkhut’ fui responsável pela difusão de informações. Durante a passagem do ‘Hato’ vi os meus colegas a esforçarem-se muito nos trabalhos de protecção civil, mas, não obstante termos empenhado todos os esforços, Macau foi gravemente afectado e houve vítimas mortais. Foi muito triste e ficámos muito frustrados”, admitiu.
No entanto, após um ano que foi de “preparação” e de “trabalhos de aperfeiçoamento”, os profissionais do COPC verificaram melhorias, uma vez que não houve vítimas mortais decorrentes da passagem do “Mangkhut”. “O nosso esforço foi compensado”, destacou Kam Chit Soi.
A cerimónia de entrega de Medalhas e Títulos Honoríficos está agendada para amanhã, às 16:00, no Centro Cultural de Macau.



