Foram 46 os indivíduos e entidades ontem reconhecidos pelo Governo da RAEM com medalhas e títulos honoríficos decorrentes das suas conquistas, bem como da contribuição para a sociedade e território. Em vários casos, os galardoados consideraram que o reconhecimento era colectivo, tendo a médica Maria Paula Simões destacado a “importância” da medicina portuguesa em Macau e o embaixador Vítor Sereno enaltecido “uma comunidade portuguesa sem paralelo no mundo inteiro”. Já o Bispo de Macau acredita ser um sinal de que o Governo e a Igreja trabalham em conjunto pela sociedade
Salomé Fernandes
O Chefe do Executivo, Chui Sai On, entregou ontem pessoalmente Medalhas e Títulos Honoríficos do ano 2018 a 46 indivíduos e representantes de entidades, em reconhecimento por feitos pessoais, contributos para a sociedade ou serviços prestados a Macau.
O sector da saúde teve vários destaques, tendo sido atribuída a Maria Paula de Matos Pimenta Simões a medalha de mérito profissional. A médica dos Serviços de Urgência do Centro Hospitalar Conde São Januário mostrou-se honrada com a distinção. “Penso que será pessoalmente pelo meu trabalho, que estou cá desde 1995, mas sobretudo vejo isto como um reconhecimento pelo contributo e pela importância que a medicina portuguesa tem tido em Macau e continua a ter. Pelos colegas que já cá trabalharam, pelos que continuam a trabalhar e pelos que esperamos que venham”, afirmou após a cerimónia.
A profissional de saúde reconhece haver falta de médicos portugueses, já que estão a ser recrutados, e indica que as condições de trabalho se foram modificando, pelo que “depende das pessoas que as pessoas têm lá e pelo regime em que se encontram a trabalhar”. Ainda assim, considera que Macau “oferece condições aliciantes”.
Vítor Sereno “partilhou” Título de Prestígio com a comunidade portuguesa
Na atribuição do prémio, o Executivo destacou o trabalho que desenvolveu em 2003, quando ocorreu a SARS, uma vez que apesar das circunstâncias exigentes ligadas à epidemia não houve disrupção dos Serviços de Urgência. Caso se verifiquem outros episódios de epidemias, “estaremos preparados para dar o apoio necessário à população nessa situação”, analisou.
Ma Hok Cheung, director do hospital Kiang Wu desde 2014, galardoado com um título honorífico de valor, foi de curtas palavras. “Estou extremamente honrado e feliz por o meu trabalho ter sido reconhecido pelo Governo de Macau, e pelo Chefe do Executivo, além das pessoas de Macau. É muito encorajador para mim”, disse.
O mesmo título foi atribuído a Vítor Sereno, antigo Cônsul de Portugal no território, que regressou a Macau propositadamente para participar no evento. “Este não é um reconhecimento ao Vítor Sereno. No meu entender, é um reconhecimento em primeiro lugar à comunidade portuguesa, que esteve comigo ao longo destes últimos cinco anos e meio. A todas as portuguesas e todos os portugueses que diariamente aqui trabalham e vivem. É um reconhecimento da figura de Cônsul Geral que na altura se chamava Vítor Sereno”, disse.
O embaixador reconheceu ainda o trabalho da equipa que chefiou, dedicou o título honorífico à sua família e mostrou-se feliz e emocionado por rever “tanta pessoa amiga”. “Saudades de Macau vão existir sempre, como existem de outros postos por onde passei. Agora Macau, como sabem, foi muito marcante na minha vida profissional e também na pessoal. (…) Temos aqui uma comunidade portuguesa sem paralelo no mundo inteiro. Em termos de qualificações, de ajuda à representação diplomática e do interesse pelo próprio país. Já trabalhei em quatro continentes e nunca vi isto em sítio nenhum”, assegurou.
Vítor Sereno aproveitou ainda a ocasião para falar na aposta na língua portuguesa existente no Senegal, onde ocupa agora o cargo de Embaixador, e nos 45.000 estudantes da língua de Camões nos países que o seu posto diplomático cobre. Aí, trocou a diplomacia desportiva pela económica, por ter como objectivo “colocar as exportações portuguesas no mapa, no top 25” quer do Senegal quer da Costa do Marfim. “As nossas relações com os outros países, como a Libéria e a Serra Leoa são obviamente importantes do ponto de vista político mas do ponto de vista comercial são muito residuais”, comparou.
União entre Governo e Igreja
Bispo encara a medalha como “muito significativa” para a Diocese
D. Stephen Lee, que recebeu uma medalha de mérito de altruísmo, indicou que o reconhecimento é “muito significativo” para a Diocese porque “precisamos de união para trabalhar para as pessoas de Macau, e isto é um sinal de que o Governo, a Igreja e todas as outras instituições e indivíduos colaboram em conjunto pela paz, harmonia e contribuição para a sociedade”.
Recordando que na história de Macau a Igreja sempre trabalhou em prol dos necessitados, o Bispo considerou que o Governo reconheceu o trabalho feito até à actualidade. No que toca às relações entre a China e o Vaticano para 2019, disse que “o papel de Macau é colaborar em tudo o que for necessário”. “Rezamos juntos e o que precisarem, como habitualmente, vamos ajudar como podemos”.
Quanto à censura de símbolos religiosos na China durante épocas festivas como o Natal, o Bispo assumiu preocupação, mas questionou a validade do conteúdo noticioso dos meios de comunicação. “Não é fácil distinguir se é verdade ou há outras razões detrás. Vou esperar para reunir mais informações antes de tecer mais comentários”, declarou.
Relativamente à participação dos jovens na Igreja, comentou que “têm as suas prioridades por enquanto, mas nos próximos três anos vamos tentar colaborar com os jovens e pedir para tomarem a iniciativa”. “Porque são cheios de amor, energia e gostavam de ajudar as pessoas com necessidades. (…) E ao fazê-lo vão ficar mais fortes na sua fé, no amor pelo país, pela sociedade e pela humanidade”, defendeu.
Director do Kiang Wu recebeu Título de Valor
Questionado sobre a possibilidade da Universidade de São José receber estudantes da China Continental, D. Stephen Lee referiu ainda não ter resposta.
No âmbito educativo, Sou Chio Fai, coordenador do Gabinete de Apoio ao Ensino Superior, sublinhou que este ano vai trabalhar “com todas as universidades e instituições do ensino superior e o primeiro objectivo é definir o plano de médio e longo prazo do desenvolvimento do ensino superior de Macau”, frisando ainda a necessidade de juntar esforços de “para trabalhar sobre a Grande Baía”.
A medalha de mérito educativo, considerou, é também um prémio colectivo já que “é uma confirmação da dedicação dos colegas e dos trabalhadores no sector da educação durante estes anos”.



