Integrada na lista de 42 galardoados pelo Executivo por serviços excepcionais prestados à RAEM, a Equipa de Mergulhadores dos Serviços de Alfândega tem esperança que a Medalha de Valor estimule candidaturas a essa especialidade profissional de forma a ultrapassar insuficiências nos recursos humanos. Já o chefe do Corpo de Bombeiros sublinha que se sente mais próximo da população depois do auxílio prestado durante o tufão “Hato”
Salomé Fernandes
Na sexta-feira, serão publicamente distinguidos por serviços excepcionais prestados à RAEM 42 indivíduos, associações, empresas e departamentos públicos. A Equipa de Mergulhadores dos Serviços de Alfândega e a Equipa de Operações Especiais de Socorro do Corpo de Bombeiros foram dois dos grupos agraciados com a Medalha de Valor pela sua atitude destemida face ao “Hato”.
Ip Kuok Pang, homem-rã na equipa de mergulhadores, espera que a atribuição da medalha leve a que haja “pessoas a quererem juntar-se à equipa para nos apoiar porque não temos pessoal suficiente”. A equipa, que iniciou trabalhos em 1975, encontra-se com problemas de recursos humanos. Daí que Ip Kuok Pang tenha agradecido não apenas ao Governo e à população pelo reconhecimento do trabalho, como também aos mergulhadores aposentados que durante a passagem do tufão voltaram ao trabalho para apoiar a equipa. Foram nove. No total, a equipa tem agora 16 mergulhadores em funções, e seis a terminar a formação para se juntarem a eles.
Durante a passagem do tufão “Hato”, os Serviços de Alfândega estiveram envolvidos em operações de resgate em auto-silos. “O primeiro trabalho que recebi foi para efectuar os trabalhos de busca nos parques de estacionamento de classe B, e depois obtivemos também informações de que outros parques de estacionamento tinham também pessoas presas e mudámos de lugar. E nessa altura encontrámos uma pessoa presa”, descreveu Ip Kuok Pang, o homem-rã que esteve responsável pelos edifícios Fai Tat, Hang Tak e Grandeur Heights.
Durante a passagem do tufão “Hato”, diferentes níveis de inundação afectaram os auto-silos. O edifício Fai Tat foi o mais afectado, tendo ficado completamente inundado. “Antes pensava que a situação dos parques só existia nos filmes, mas afinal isto acontece na realidade. Também dá para as pessoas saberem que devem ser mais cautelosas e prestar mais atenção às condições climáticas”, alertou o profissional.
Foram várias as informações sobre pessoas presas em auto-silos, e a primeira vez que a equipa de mergulhadores realizou buscas em parques de estacionamento, mas Ip Kuok Pang garantiu que com as acções de formação que tiveram ao longo do tempo isso não representou um entrave ao trabalho. O que não significa que não tivesse encontrado dificuldades. “Os carros flutuavam, não estavam como antes, portanto é difícil para o nosso trabalho. Até porque temos de salvaguardar a nossa segurança para poder continuar os trabalhos de busca”, explicou.
U Chin Keong, inspector alfandegário, confirmou a necessidade de contratar mais pessoal. “Ainda não temos o número concreto [de homens-rã], mas iremos acrescentar o pessoal adequado para enfrentar os nossos trabalhos”, indicou.
Para além dos recursos humanos, há insuficiências materiais. “Estamos cientes de que os nossos equipamentos não são satisfatórios, portanto também elaborámos uma lista dos equipamentos que temos de adquirir com urgência [na sequência do tufão]”, revelou.
“No âmbito da nossa gestão de áreas de mar depois da altura em que começámos a gerir as áreas marítimas estamos a acrescentar os recursos humanos e a adquirir mais barcos e equipamentos, e já temos um plano quinquenal”, respondeu o inspector alfandegário quando questionado sobre a alocação de trabalhadores para o Porto Marítimo.
Em termos de material, estão a chegar barcos de nível A e de nível C. Ou seja, embarcações para navegação oceânica e costeira.
“Temos colaborado com o Corpo de Bombeiros, eles têm auto-bomba tanque. E usando as condições que conseguimos adquirir para fazer a limpeza dos homens-rãs, não se sentiram mal dispostos depois dos trabalhos de busca”, afirmou U Chin Keong.
Para além de as operações não terem causado impacto físico nos mergulhadores, os homens-rãs não registaram sentimentos ou mal estar psicológico, garantiu o inspector. “Quando eles têm algum problema temos os nossos métodos e também os psicólogos para os apoiar, mas não recebemos nenhuma queixa a este nível”, disse.
Bombeiros mais próximos dos cidadãos
Chefe Fong Sio Meng, do Corpo de Bombeiros
Relativamente aos membros da Equipa de Operações Especiais de Socorro do Corpo de Bombeiros, o chefe Fong Sio Meng afirmou apenas que os dados sobre apoio psicológico “não são públicos”.
O chefe Fong Sio Meng entrou para o Corpo dos Bombeiros há 20 anos. Durante esse tempo de serviço nunca tinha enfrentado um tufão como o “Hato”. O impacto que teve em Macau “afectou muito os cidadãos”, disse em conferência de imprensa, acrescentando que “depois dos trabalhos sinto que tenho uma relação muito estreita com os cidadãos”.
No total, a entidade tem actualmente 1.331 indivíduos a exercer função de bombeiros, sendo o quadro de pessoal de 1.589 pessoas. A Equipa de Operações Especiais de Socorro, constituída por 30 bombeiros, esteve de serviço 24 horas por dia a dar apoio aos cidadãos durante o tufão. Realizou operações de busca e salvamento, trabalhos de drenagem, e apoiou a retirada de destroços da destruição causada no território.



