Viu-se “forçada” a sair das instalações em Coloane, mas acabou por assinar contrato para um novo espaço próximo da zona. No entanto, surgiram impedimentos que fizeram com que a Masdaw voltasse a ficar sem abrigo para alojar os animais. Esta falta de espaço impossibilita também a associação gerida por Fátima Galvão de receber fundos do Governo. Uma das fontes de financiamento vem das caixas de donativos espalhadas por Macau e Ilhas e que, recentemente, foram alvo de furto. Os dois casos já chegaram às autoridades policiais
Catarina Almeida
A Associação para os Cães de Rua e o Bem-Estar Animal em Macau (Masdaw) apresentou às autoridades policiais um caso de furto num dos 50 espaços que têm caixas de donativos da Masdaw.
É a segunda ocorrência do género num espaço de três/quatro meses, ambos em zonas antigas do território. Fátima Galvão, da Masdaw, diz que ainda não houve resposta da Polícia Judiciária. “São assaltantes profissionais porque como dá para ver vão com bonés com palas, levam um saco onde metem o dinheiro dentro e a sorte é que tínhamos mudado a caixa há cerca de uma semana”, explicou à TRIBUNA DE MACAU.
A presidente da Masdaw interpreta estes casos – ainda que não consiga apurar quanto dinheiro está em causa – como um alerta já que “muitas associações quer ligadas a questões de protecção animal ou outras também tiveram este [tipo de] caixas furtadas e também foram apresentadas queixas”. “Mas, no fim, a PJ vai-nos dizer que não conseguiu identificar o indivíduo. Esperemos que com estas câmaras de segurança todas que existem possa haver uma forma de eventualmente seguir o rasto”, vincou.
Esta recolha de donativo espalhada por várias lojas de Macau, Taipa e Coloane é mais uma forma de apoiar financeiramente a Masdaw que, segundo lamenta Fátima Galvão, está numa fase complicada: uma vez que não conseguiu ainda um abrigo, a associação não preenche os requisitos necessários para receber apoios do Governo.
A Masdaw já teve um abrigo em Coloane mas viu-se “forçada” a abandonar o espaço. Surgiram vários impasses que acabaram por ser ultrapassados, com o grupo de apoio a animais a assinar contrato para ficar com um espaço junto ao “Hellen Garden”. No entanto, a associação voltou à estaca zero com esse contrato a cair por terra.
“Primeiro dizem que está tudo bem e que é para avançar, mas depois começam a pôr pedras no caminho. Afinal o contrato é por um ano, mas para nós é impensável a partir do momento em que temos de fazer um investimento de insonorização, impermeabilização é preciso mais de um milhão de patacas – dinheiro que não temos”, revelou.
Ora, para ter financiamento dos cofres públicos, a Masdaw precisava de ter um espaço alugado. Fátima Galvão lamenta toda esta situação e diz mesmo que está perante algo “horrível”. “Esta terra é um pesadelo para as associações de protecção dos animais”, salientou. “Neste [último] espaço, o homem depois disse que sim e que não se importava de fazer um contrato de cinco anos mas nós tínhamos de mostrar o projecto e se os vizinhos se queixassem tínhamos de sair”.
Para a responsável, “estamos a lidar com gente absolutamente sem escrúpulos, que só quer saber do dinheiro. Andamos desesperadamente à procura de soluções. É tudo caríssimo”. “Em Coloane, é tudo contratos de papel de arroz. Resultado: para o Governo a maior parte não tem validade, logo, não podemos receber subsídios porque nenhum advogado vai dar a cara por um contrato que na prática não é legal. É uma situação horrorosa. Para os animais é o fim do mundo”, criticou Fátima Galvão.
Campanha de prevenção
Apesar das dificuldades em arranjar um abrigo, a Masdaw vai continuando com os seus trabalhos de prevenção e apoio em prol do bem-estar dos animais.
Actualmente, uma das prioridades é recolher fundos suficientes que permitam comprar medicação para administrar aos animais no espaço de um ano. O objectivo? Fazer frente aos casos de esgana, parvovirose e febre da carraça que têm prejudicado os animais. “Como não há vacina é absolutamente preventivo e vamos tentar abranger o maior número de animais possível porque já há formas de prevenção que podem ser dadas por alimentação e, por isso, é mais fácil do que estar a pôr os anti-parasitantes tópicos. Para isso é preciso tocar nos animais”, explicou.
Ademais, Fátima Galvão considera que esta iniciativa é também um trabalho público na medida em que “a febre da carraça já é uma questão de saúde pública porque transmitem febre através da picada aos humanos”.
Por outro lado, em conversa com este jornal, Fátima Galvão aproveitou para apelar às autoridades que agilizem a forma como os animais são enviados para fora de Macau, na perspectiva de quem os adopta cá e quer regressar a casa com o novo membro da família. “Tivemos um casal que adoptou uma cadela nossa e tiveram de a mandar num porta-contentores para Hong Kong porque não se podem levar os animais directamente daqui para a Tailândia. É inacreditável. Espero que com a abertura da ponte o Governo tente agilizar e que faça negociações com Hong Kong para que os cães possam ir directamente daqui para o aeroporto”, defendeu.
“É absolutamente injusto para quem gosta de animais, e para os próprios animais. O facto é que também já morreram animais a ir daqui para Hong Kong, é verdade, ninguém merece passar por uma situação destas”, relatou Fátima Galvão que, frisou, irá continuar a levar “um dia de cada vez” sempre com o objectivo e prioridade de ir “salvando os animais”.



