Marina de Senna Fernandes vai participar na 13ª edição de um congresso internacional de ‘chefs’ agendado para entre os dias 21 e 23 deste mês, em Nova Iorque, para falar sobre a história da gastronomia macaense e fazer uma demonstração de confecção de alguns pratos. À TRIBUNA DE MACAU disse ser “uma honra e um privilégio” participar no evento e assegurou que irá incentivar os ‘chefs’ a respeitar a gastronomia tradicional
Inês Almeida
O Centro de Exposições de Brooklyn, em Nova Iorque, receberá entre os dias 21 e 23 deste mês o “13º Congresso Anual Internacional de Chefs” que, este ano, conta com a participação de Marina de Senna Fernandes, encarregue de dar a conhecer a gastronomia macaense ao lado de um ‘chef’ que reside nos Estados Unidos. O convite surgiu da participação na redacção de um livro de receitas.
“Eu e mais algumas pessoas como Florita Alves e Aida de Jesus colaborámos na elaboração do livro de um casal de ‘chefs’ americanos, criámos uma amizade porque eles ficaram-nos muito gratos por terem tido muito sucesso, tanto assim, que abriu um restaurante só macaense que tem tido muito sucesso”, explicou Marina de Senna Fernandes à TRIBUNA DE MACAU, referindo-se ao livro “Fat Rice” e ao restaurante com o mesmo nome, situado em Chicago.
Este ano, Abe Conlon, um dos proprietários e ‘chef’ do restaurante foi convidado para participar no evento e “achou por bem levar um dos mentores, como ele diz, para falar mais sobre a comida macaense e a organização [do evento] achou interessante”.
Assim, Marina de Senna Fernandes junta-se a Abe Conlon para uma apresentação agendada para o primeiro dia do certame. “Aprenda como Conlon actualiza as receitas macaenses no restaurante e como Senna Fernandes ajuda a preservar a cultura centenária de Macau”, lê-se num resumo da sessão no ‘site’ oficial do evento. Haverá ainda espaço para uma demonstração culinária.
“Ele [Abe Conlon] pediu-me para fazer um prato simples. Gostou imenso da nossa jagra e vou fazer minchi mosca, que é diferente do resto. Hoje em dia já não se come nos restaurantes. Este minchi leva curcuma, orelha de rato e massa feita de farinha de feijão, aquela massa transparente que às vezes aparece nos restaurantes. A massa em vez de ser cozida é frita e pode ser acompanhada com carne picada, com folhas de alface”, explicou Marina de Senna Fernandes.
O menu inclui ainda jagra acompanhada com queijo. “O ‘chef’ é de ascendência açoriana, portanto, foi aos Açores e trouxe queijo de São Jorge e vamos servir esse queijo e um pão típico”.
Marina de Senna Fernandes e Abe Conlon vão também dar a conhecer a história da gastronomia macaense e a forma que ela ganhou na actualidade. “A nossa gastronomia é centenária e vou falar sobre a história. Embora não tenha muita informação, tenho lido em livros diferentes de vários autores sobre como os portugueses chegaram a Macau, como fizeram essa viagem toda e como era a comida que trouxeram, por exemplo, as vinhas de alho, a carne conservada em vinhas de alho, o bacalhau, que também se come”, explicou.
Outra questão a ser abordada tem a ver com as dificuldades em defender a cultura nos dias de hoje. “Outra coisa é falar sobre a dificuldade que a comunidade vai tendo em defender a nossa cozinha, porque temos poucos recursos e apoios e, portanto, há cada vez mais elementos da cozinha a ser alterados e acho que as pessoas têm muita falta de informação também”, destacou.
Por outro lado, Marina de Senna Fernandes pretende deixar uma mensagem a todos os ‘chefs’. “Desejava que eles respeitassem e não fizessem uma cozinha tradicional no aspecto só comercial, porque está provado que há um grande sucesso neste restaurante [Fat Rice] e acho que os ‘chefs’ devem aventurar-se em explorar novas cozinhas, em especial a nossa que é centenária”.
Para Marina de Senna Fernandes é “uma honra e um privilégio ter uma plataforma para falar com 1.500 participantes” sobre o que é a gastronomia macaense. Na sessão que vai protagonizar estarão cerca de 300 pessoas, “um auditório muito bom”.
“Sou, se calhar, a primeira a levar a nossa cozinha para um certame tão importante. Claro que é uma honra e só mostra que a nossa cozinha tem importância, desperta interesse e é diferente”, sublinhou Marina de Senna Fernandes.
Documentário sobre macaenses exibido na EPM
O Auditório da Escola Portuguesa de Macau recebe amanhã, pelas 18:30, a apresentação do quinto documentário da série “Macau, 20 anos depois”, intitulado “Macaenses em Macau – Renovando a identidade”, produzido pela Livremeio Produções em parceria com a Associação dos Macaenses. O quinto filme da série realizada por Carlos Fraga foca-se na comunidade macaense residente no território. De recordar que o realizador está novamente em Macau para a realização do último documentário da série, “Uns e Outros: 20 anos depois”, centrado na comunidade chinesa e que deverá contar com a participação do antigo presidente do Instituto Cultural, Guilherme Ung Vai Meng. A série será apresentada na sua totalidade no próximo ano, em Macau e em Lisboa por ocasião das comemorações do 20º aniversário da transferência da soberania de Macau para a China.



