Carlos Dias começou a fotografar jovem, mas parou durante mais de 30 anos. Mostra agora ao público o resultado do seu retorno à actividade depois de 2013, com ruas de Macau à luz da chuva no Jardim Lou Lim Ieoc

 

Salomé Fernandes

 

Entre hoje e 11 de Maio, a exposição de fotografia “A Magia das Ruas de Macau” vai estar patente ao público no Pavilhão Chun Chou Tong no Jardim Lou Lim Ieoc. O artista Carlos Dias foi convidado há dois anos pelo Instituto Internacional de Macau (IIM) para fazer a exposição, mas adiou até hoje. Na altura ainda não tinha fotografias suficientes, reunindo agora um conjunto significativo. Deu duas centenas de fotografias a escolher ao IIM, mas a limitação de espaço permite apenas cerca de 100 em exposição.

“Há umas por exemplo da chuva e nevoeiro que eu gosto mais”, contou. As condições atmosféricas, acredita, já não representam um desafio. “Na era digital é muito mais fácil do que antigamente. É que antigamente era muito difícil conseguir uma fotografia apresentável, hoje é muito mais fácil, e com Photoshop ainda mais”, comentou.

Carlos Dias, fotógrafo local com credenciais e prémios internacionais, já passou por uma fase de rejeição da actividade. Era funcionário público do então Leal Senado quando, em 1969, se começou a dedicar à actividade, tendo obtido prémios em salões internacionais. Porém, aos 37 anos perdeu interesse e parou. “Ninguém me conhecia, ainda não havia internet. Hoje é mais diferente, com o ‘facebook’ os meus amigos encorajaram-me a voltar a fotografar”, disse à TRIBUNA DE MACAU. Foi com esse encorajamento, e a oferta de uma câmara fotográfica por parte da filha, uma Canon 5D, que ao fim de mais de 30 anos decidiu voltar a dar o clique.

Esta exposição “são fotografias novas, de quando recomecei em 2013, até á presente data. São todas fotografias de ruas de Macau, como o nome da exposição sugere”, disse o fotógrafo macaense. Carlos Dias encontrou nas redes sociais uma forma de espalhar a sua arte e de registo periódico de momentos da cidade. “Tenho publicado no ‘facebook’ as minhas fotografias quase todas, uma ou duas vezes por semana, e tenho bastantes seguidores. Actualmente são quase 15 mil”, contou.

Apesar de gostar de fotografar retratos, desporto ou até pássaros, mas não são esses os temas centrais daquela que é a sua primeira mostra individual. “Não tenho preferência. Mas como Macau é pequeno só me dá para tirar fotografias de ruas”, afirmou com simplicidade. Actualmente reformado, Carlos Dias mantém a fotografia como ocupação dos tempos livres, percorrendo com a lente ruas mais conhecidas, como a Avenida Almeida Ribeiro ou a Rua do Campo, mas também outras ruelas e travessas da cidade.

“O IIM pretende com esta exposição, manter viva esta magia, retratada em imagens dos vários cantos desta cidade, que vão para além das atracções turísticas de Macau”, disse o Instituto através de comunicado. A exposição recebeu apoio da Fundação Macau, tendo sido o efeito Instituto Cultural a ceder o local. Depois da mostra, o IIM pretende lançar ainda este ano um livro com as fotografias.