O Colégio Mateus Ricci foi criticado pela mãe de um aluno de 6º ano com problemas de audição, sendo acusado de ter ignorado e até escondido situações de “bullying”, ao longo de três anos. Se por um lado, a escola insiste em desvalorizar a gravidade do assunto, por outro, a progenitora assegurou que, por causa do “bullying”, o filho sofre de ansiedade e depressão, tendo até pensado em suicídio
Rima Cui
Um aluno com problemas de audição que agora frequenta o 6º ano no Colégio Mateus Ricci chegou a pensar em suicídio, depois de ter sido alvo de “bullying” na escola durante três anos, afirmou a mãe, acusando o estabelecimento de ensino de “nunca dar atenção à situação”.
Em declarações ao jornal “Exmoo News”, a progenitora partilhou uma das situações ao relembrar que quando o filho estava no 2º ano vários colegas despiram-lhe as calças durante uma aula. Devido aos problemas de audição e expressão, o aluno não contou a situação aos pais e a escola também não os informou sobre o caso.
O filho só contou o episódio à mãe quando chegou ao 4º ano, depois de um encontro com um psicólogo da Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ). Mais tarde, a progenitora foi falar com os responsáveis da escola para apurar responsabilidades. Apesar do Colégio ter admitido falhas no tratamento do assunto, a progenitora acredita que o caso foi escondido propositadamente.
O vice-director do estabelecimento defendeu ser mais adequado definir a situação como “comportamento entre colegas travessos”, considerando que há margem para discutir se o caso deveria ser classificado como de “bullying”.
Mesmo com a apresentação da queixa junto da direcção do Colégio, a situação não foi atenuada. No 5º ano, numa aula de caligrafia, o aluno terá sido totalmente pintado com tinta por vários colegas. Segundo a mãe, a educadora da turma e o vice-director disseram-lhe que desconheciam essa situação.
De acordo com a queixosa, para além das referidas situações, o filho foi ainda desprezado pelos colegas que o tratam com uma alcunha negativa. Sobre este assunto, a escola apontou para um “mal entendido inocente”, derivado da proximidade dos estudantes.
Sofrendo com essas situações, o aluno começou a fugir da escola, a morder os dedos sem parar, mesmo que sangrassem, e tinha muito medo de ir à casa-de-banho. O terapeuta concluiu que o aluno sofre de ansiedade e depressão.
Embora tenha comunicado o caso à DSEJ, a mãe diz que a situação não melhorou. “O meu filho disse-me que se queria matar, até me contou ao pormenor como é que o iria fazer. Foi muito assustador”, salientou.
A família tentou mudar de escola, mas foi muitas vezes rejeitada, por necessitar de educação integrada.
Depois do filho ter entrado no 6º ano, a mãe diz não ter relatos de mais situações de “bullying”, mas acredita que isso se deve simplesmente ao receio da escola de ser alvo de investigação das autoridades.
O testemunho surgiu numa altura em que já acabaram as inscrições nas escolas e as respectivas entrevistas de selecção. A mãe esclareceu que resolveu revelar o caso para pressionar a escola e chamar a atenção da sociedade para as dificuldades das crianças com necessidades especiais. Na sua opinião, as escolas têm capacidade para prevenir esses casos, mas preferem adoptar uma postura passiva.



