Cerca de 90% da população de Macau procura informações através de plataformas como o “WeChat” e “Facebook”. Por outro lado, apenas 27,7% partilham por iniciativa própria novidades que descobrem, concluiu um estudo desenvolvido pelo Centro de Pesquisa dos Media de Macau da UCTM. Segundo a pesquisa, mais de 70% dos entrevistados não comunicam com dirigentes do Governo ou participam em protestos, através dessas plataformas
Rima Cui
Desde 2016 que o Centro de Pesquisa dos Media de Macau da Universidade de Ciência e Tecnologia (UCTM) tem analisado a utilização das novas plataformas de comunicação no território. O mais recente estudo apurou que, apesar de 87,4% dos residentes de Macau utilizarem essas plataformas para fazer um “gosto” em publicações, apenas 27,7% recorrem a redes sociais para revelar novidades que “descobrem”.
“Embora conte com um grau de participação relativamente alto, Macau tem muito poucos líderes de opinião”, apontou Guo Yu, docente da Faculdade de Humanidades e Artes da UCTM.
Entre os diferentes tipos de informação disponível, as notícias de cariz social cativam maior atenção (91,3%), seguindo-se as categorias da política actual (86,3%), entretenimento e moda (84,8%). Notícias financeiras e desportivas são as menos atractivas para os residentes.
“Mesmo assim, o estudo concluiu que os jovens de Macau prestam atenção a informações diversificadas”, indicou Guo Yu, sustentando que “mais de 80% dizem que costumam acompanhar todos os tipos de notícias”.
“Curiosamente, descobrimos que, apesar de serem de Macau, os inquiridos estão mais atentos às notícias da China. 92,8% dos locais seguem notícias do Continente, 90,9% vêem informações internacionais, enquanto as notícias locais contam com a atenção de 88,7% dos inquiridos”, revelou o académico.
Novos media usados mais para caridade
No âmbito da “participação social”, incluído pela primeira vez no estudo, 80,23% dos participantes mostram interesse em participar na angariação de fundos para a caridade, através dos novos media. Para o organizador, isso “mostra um fenómeno único de Macau em que os cidadãos se preocupam profundamente com os bairros onde vivem”.
Além disso, também utilizam muito essas plataformas para “discutir política” e “acompanhar as medidas do Governo”. No entanto, 72,53% e 73,46% dos inquiridos garantem, respectivamente, não usar essas plataformas para participar “comunicar com dirigentes do Governo” ou em “actividades de protesto e manifestação”.
“Isto quer dizer que os residentes estão habituados a discutir temas ligados ao próprio interesse e ao bem-estar do público, mas não aos ligados efectivamente a movimentos sociais”, apontou Guo Yu.
Utilização do “Facebook” aumenta consoante nível salarial
Um dos principais colaboradores do estudo, Lin Zhongxuan da Universidade de Zhongshan, referiu que 95% das pessoas de Macau utilizam frequentemente o “WeChat” e 65% lêem notícias online.
“É de salientar que este ano o uso de vídeo em directo e a aplicação de partilha de vídeos curtos também foram bem recebidos pela população, correspondendo respectivamente a taxas de utilização de 42% e 47,9%”, mencionou Lin.
Apesar de apenas 45,8% dos inquiridos com rendimentos baixos utilizarem o “Facebook”, a rede social norte-americana atrai 58,3% e 86,6% utilizadores com remunerações médias e altas.
“A maioria dos inquiridos aproveita o WeChat para fazer amigos e saber deles, mas só 17,1% o usam para divulgar novidades”, rematou o investigador da Universidade de Zhongshan.
O estudo foi feito com base em 1.155 inquéritos válidos.



