O projecto de integração económica no projecto da Grande Baía continua por divulgar, apesar da insistência demonstrada ontem pelos deputados. O Governo admitiu, inclusive, não estar em condições para divulgar o plano detalhado mas garante que o território tem vantagens em todo o planeamento e será “mais do que um mero agente de contacto”

 

Catarina Almeida

 

Como recordou Angela Leong, o projecto de desenvolvimento da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau vai ser “lançado muito em breve”, porém, o Governo continua sem divulgar informações detalhadas quanto ao projecto de integração económica da região. A deputada abriu ontem o debate na Assembleia Legislativa (AL) com este tema mas, como reconheceu o director dos Serviços de Estudo de Políticas e Desenvolvimento Regional, Mi Jian, existe apenas a ideia que o território será mais do que uma “pessoa de ligação”.

“Temos já algumas bases e espaço de desenvolvimento na área da inovação e tecnologia. Estamos a estudar. […] Algumas questões não dependem apenas de Macau, mas quando avançamos com um objectivo deparamo-nos com muitos problemas. Temos de pensar em resolver essas questões passo-a-passo. O primeiro elemento para a integração económica tem a ver com a mobilidade das pessoas e […] estamos a pensar como podemos assumir este papel de ligação. Temos de sair desse raciocínio porque Macau tem vantagens em todo o planeamento”, disse.

Além disso, o território irá assumir “um papel relevante e não apenas como pessoa de contacto. Entre a China e os países lusófonos, sim. Mas para toda a Grande Baía, somos sujeito”. “Somos mais do que um mero agente de contacto. Macau também é cidade nuclear deste desenvolvimento”, vincou.

Apesar do tema ter sido lançado por Angela Leong, via interpelação oral, foram vários os deputados a insistir junto dos representantes do Governo para que sejam divulgadas mais informações, até para perceber de que forma os jovens poderão beneficiar da integração de Macau neste plano.

Porém, Mi Jian mostrou-se “sem condições” para divulgar planos detalhados. “O planeamento da Grande Baía já foi preparado há muito tempo mas ainda não demos o passo formal”, reconheceu, apontando, contudo, para “alguns preparativos”. Neste campo, referiu a criação de “um secretariado para coordenar os trabalhos dos diferentes serviços e vários grupos” mas não avançou calendários para a constituição dos mesmos.

 

Mais quadros jurídicos

Depois do alerta lançado por Pereira Coutinho, que criticou também o facto de lhe ter chegado um documento sobre esta matéria apenas em Chinês, o mesmo responsável admitiu também – numa alusão às diferenças do foro jurídico que existem entre as três partes deste projecto – “a falta de juristas bilingues” – uma realidade que “demonstra precisamente as nossas necessidades”. Para isso, a formação de quadros jurídicos tem de “ser reforçada” mas é preciso passar por uma processo. “Apresentámos um relatório sobre introdução de quadros qualificados. Este texto está em discussão e muito em breve podemos divulgar esse trabalho desenvolvido”, disse Mi Jan.

Processo esse que passa, por sua vez, por “seleccionar a entrada [de novo pessoal] tendo em conta as condições”. Apesar da explicação, Mak Soi Kun insistiu: “Há uma grande falta de tradução simultânea português-chinês e a falta é ainda mais notória no caso dos juristas bilingues”.

Pereira Coutinho lamentou ainda o atraso do território a vários níveis e o facto de solucionar problemas com a criação de grupos e departamentos. “Como é que podemos ir para Grande Baía, se estamos tão atrasados? Criar grupos de coordenação para isto e para aquilo? Em Macau, estamos cheios de grupos consultivos e de trabalho que, depois, não produzem nada. Zero”. “Temos pessoas capazes de liderar Macau na integração da Grande Baía?”, questionou.

Por sua vez, Si Ka Lon chamou também a atenção para as burocracias com os vistos comerciais que “carecem de muito tempo para a sua elaboração”. “Talvez o Governo deva coordenar com os serviços de segurança do país porque para conceder vistos comerciais leva meses e assim […] como podemos incentivar talentos inovadores para participar nesta grande iniciativa?”, rematou.