Paulo Cheang jogava na selecção desde os 19 anos de idade
Paulo Cheang jogava na selecção desde os 19 anos de idade

A equipa principal de futebol da RAEM foi derrotada por 2-0, depois de já ter perdido também a primeira mão em casa. O jogo em Guangdong marcou a despedida da selecção de Paulo Cheang, que continuará ao serviço do Monte Carlo

 

Vítor Rebelo*

 

A selecção de futebol de Macau perdeu o segundo Interport consecutivo, agora diante de uma equipa amadora, campeão da cidade de Dongun, que representou a província de Guangdong. O “onze” orientado por Ieong Choi Ieng, derrotado há duas semanas no Interport com Hong Kong (6-1), foi batido nos dois desafios com Guangdong, primeiro em casa, no Estádio da Taipa, por 2-0, e na segunda mão, na sexta-feira em Cantão, por 2-0, golos apontados na primeira parte.

O conjunto do território tinha nesta edição do Interport uma boa oportunidade para recuperar o troféu, alcançado pela última vez em 2016, quando o treinador era Tam Iao San – tendo vencido nesse ano fora do seu ambiente, por 2-1, repetindo o triunfo em casa por 3-1 – uma vez que o adversário apresentou, pela primeira vez, uma equipa totalmente amadora. A selecção que representou Guangdong ganhou o campeonato não profissional da região, integrado nos novos moldes do quarto escalão do futebol da China, cuja federação decidiu acabar com a IV Divisão, substituindo-a por uma competição totalmente amadora, com várias dezenas de equipas, de diversas províncias.

Apesar de se saber que, mesmo a nível amador, o desporto-rei chinês tem mais qualidade do que em Macau, esperava-se maior réplica, no conjunto das duas mãos, dos pupilos de Ieong Choi Ieng, que, no primeiro desafio desperdiçaram ocasiões para construir um resultado diferente, depois de terem estado a vencer por 1-0 até aos derradeiros seis minutos.

No entanto, Macau não se apresentou na máxima força nos dois encontros e seguiu para Guangdong também sem as duas referências atacantes do momento, Nicholas Torrão e Leong Ka Hang, para já não falar em ausências importantes, como Filipe Duarte, Lao Pak Kin, Chan Man, Vítor Almeida e Leonel Fernandes, que se encontra a estudar em Pequim e não deverá actuar nos próximos meses no futebol do território.

“Faltaram-nos vários jogadores experientes, tanto em casa como agora fora, e assim é difícil ganhar a equipas chinesas com outra rotina de competição e com um futebol bem mais rápido do que o nosso. Guangdong, representado por Dongun, é amador, é certo, mas trata-se do campeão da província naquele escalão. Nós já tínhamos perdido por 2-1, num encontro em que poderíamos ter ganho e por isso tudo se tornava mais difícil fora de casa”, disse ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU o capitão Paulo Cheang, que, ao contrário do desafio da primeira mão, em que foi substituído quando a equipa ganhava por 1-0, actuou ao longo dos noventa minutos.

 

O adeus à selecção

Este médio, que, a nível de clubes, veste a camisola do Monte Carlo, já tinha decidido colocar um ponto final na carreira de internacional, por isso, este Interport assinalou o adeus de Paulo Cheang à camisola da RAEM.

“Comecei a envelhecer e é melhor para mim deixar para já a selecção, embora tenha intenção de continuar a actuar no futebol interno de Macau, com a camisola do Monte Carlo, por mais três ou quatro anos. Penso que chegou o momento de dizer adeus à selecção, onde estive desde os meus 19 anos”, sublinhou Paulo Cheang, actualmente com 34 anos de idade.

O jogador terá vestido por mais de 80 vezes a camisola de Macau e disputado várias eliminatórias do Mundial, Taça da Ásia, Ásia Oriental e Taça Solidariedade.

“Quero começar aqui um ciclo de maior dedicação ao desenvolvimento das camadas jovens, para, talvez daqui a uns anos, seguir a carreira de treinador, iniciando pelas selecções de Sub-16 e Sub-18. Para isso tenho de ganhar mais experiência”, afirmou Paulo Cheang, que ocupa actualmente o cargo de coordenador das escolas de futebol do IDM e considera ser fundamental no sucesso de um treinador, “o respeito pelos adversários acima de tudo o resto, começando pela verdadeira escola, que são as camadas jovens, muito importantes para o futuro, tanto como jogador, como treinador”.

Um dos que tem estado nos últimos anos sempre ao lado de Paulo Cheang na selecção principal, é Nicholas Torrão. “Fomos os dois capitães em diversos jogos no passado, ele capitão e eu vice e é das pessoas que sempre apoiou a entrada na selecção dos jogadores que não são locais. Foi muito importante para a integração dos jogadores, portugueses e não só. Todos nós agradecemos por isso ao Paulo Cheang todo o apoio prestado. É um grande profissional e sei que vai continuar a jogar no Monte Carlo, para depois, quando se retirar, provavelmente ser um dia seleccionador de Macau”, disse Torrão.

 

Exemplo para os jovens

Também Tam Iao San, ex-seleccionador da RAEM, quis deixar o seu testemunho na hora do adeus à selecção do antigo pupilo: “É um bom exemplo para os jovens, honesto, trabalhou sempre muito para o futebol de Macau, quer dentro quer fora do campo. Como jogador, teve sempre uma mentalidade evoluída, uma boa atitude, mostrando ser uma influência positiva para os outros, jovens ou não. Como capitão, liderava a equipa da melhor forma, nos bons e nos maus momentos”.

Tam Iao San, que continua a ser o treinador de Paulo Cheang no Monte Carlo, seguindo-se o “bolão” depois da participação na Bolinha, não esperava que o médio se despedisse já da selecção. “Penso que poderia jogar ainda por mais alguns anos, mas respeito a sua decisão. Sei que ele quer estar focado no desenvolvimento das escolas do Instituto do Desporto, preparando o futuro como treinador, uma vez que possui já a licença A. Vai ser certamente um elemento-chave do futebol de Macau a curto ou médio prazo. Tem condições para isso”, concluiu.

 

Sporting e Cheng Fung  jogam na Bolinha

O campeonato da Bolinha regressa esta semana, com dois jogos do Grupo A, o único que ainda decorre, ao contrário da outra série (B), onde Benfica e Lun Lok já garantiram a qualificação para as meias-finais. Amanhã, às 19:30, o Sporting tem a primeira de duas autênticas finais, defrontando o Grupo Desportivo da Polícia. Os pupilos de Pedro Lopes ganharam novo fôlego com o triunfo sobre Chiba (1-0), mas têm de dar continuidade às ambições de apuramento, começando desde já por superar a sempre aguerrida e experiente Polícia (ainda pode qualificar-se), cujos elementos actuam juntos há vários anos. Os “leões”, que somam 9 pontos (a um da dupla Cheng Fung e Kin Wa), vão defrontar o Kin Wa na derradeira ronda. A outra partida da noite de amanhã no relvado sintético do D. Bosco, coloca frente-a-frente o Cheng Fung e o Chiba, com favoritismo claro para a formação de João Rosa, diante de um adversário que matematicamente ainda pode passar às meias-finais, sendo no entanto pouco provável, até porque o Chiba apenas tem este desafio por realizar. O Kin Wa só jogará no dia 12, frente aos Sub-23. A última ronda deste Grupo A está agendada para o dia 15.

 

* Jornalista