À margem do Fórum Médico Internacional Sino-Luso, que versou sobre dermatologia e gestão de cuidados de feridas, o JTM falou com o cirurgião João Peixoto, um “veterano de Macau” que foi responsável pela criação da antiga unidade de queimados do hospital público, onde trabalhou entre 1981 e 1992. A inexistência deste serviço no presente entristece o especialista, até porque, adverte, “os queimados são pacientes especiais”

 

Sandra Lobo Pimentel

 

João Peixoto regressou a Macau há três anos para abraçar o projecto da Malo Clinic na área da cirurgia plástica e estética, mas define-se como um “veterano de Macau”, uma vez que esteve no território entre 1981 e 1992. “Fui o primeiro cirurgião plástico ocidental em Macau”. Foi também o especialista que criou o serviço de cirurgia plástica e reconstrutiva do hospital público.

“Neste momento não tenho nenhuma ligação ao hospital governamental, mas sei que quando saí em 1992, tinha deixado criada uma unidade de queimados básica. Foi a menina dos meus olhos, mas para a governação a seguir à minha partida, terá sido num curto espaço de tempo e sinto-me muito triste com essa situação”, disse ao JTM.

Sublinhando a existência de uma população de 600 mil habitantes, o médico considera que “Macau necessita de uma unidade de queimados específica”, explicando que “são pacientes muito especiais e não podem ser tratados como qualquer outro paciente. Têm que ter condições para que haja melhor recuperação e possa haver uma sobrevivência maior”.

Sobre o facto de este serviço ter deixado de existir nestas condições, João Peixoto confessa não estar em condições de aprofundar o assunto. “A única coisa que sei, é que não existe uma unidade de queimados no território de Macau e é algo que me entristece”.

Não conhece os números actuais, mas garante que durante os 11 anos que cá esteve, “as estatísticas demonstravam claramente que era necessário ter uma unidade de queimados”. O serviço então criado, “tinha três quartos, um bloco operatório e uma sala de tratamentos específica”, que diz ter sido feito “com base num ratio do número de queimados que apareciam todos os anos”.

Das condições da prestação de cuidados de saúde nos hospitais do território, confessa que nada sabe em concreto, ouve apenas o que as pessoas comentam relativamente a uma “aparente degradação”.“Pelo que ouço, estamos necessitados de um novo hospital”.

 

Orientais ávidos pela estética

Sobre a sua especialidade, e em concreto a experiência na Malo Clinic, conta que “a população oriental, em todas as regiões à nossa volta, está ávida de todas as novidades que se relacionam com a cosmética e com a estética e o anti-envelhecimento”.

Faz uma analogia com a moda e a forma como os orientais adoptam as novidades que vêm de fora, e aponta como responsável a internet e o fácil acesso a informação que possibilita. “Vêem notícias sobre botox, fillers, lasers e procedimentos cirúrgicos e a avidez é de saber. Tenho muitos pacientes que vêm, especialmente, para saber o que posso fazer por eles”.

No que respeita à procura da Malo Clinic, o especialista entende que “está no bom caminho”, não obstante “algumas situações não muito bem sucedidas no desenvolvimento global da empresa”. No que há plástica e estética, não há queixas, “bem pelo contrário”, e a procura tem-se estendido bastante para além dos residentes.

Os pacientes que procuram a clínica e vêm de fora de Macau situam-se numa percentagem de cerca de 40 por cento, segundo João Peixoto, mas com tendência a aumentar. “Não diminuindo o número da procura dos locais, com o aumento dos pacientes de fora, esta percentagem tende a inverter-se”.

O Fórum Médico Internacional Sino-Luso, que decorreu no fim-de-semana, juntou especialistas de Macau, Portugal e do Continente, para discutir e partilhar experiências no que à dermatologia e gestão de cuidados de feridas diz respeito.

Billy Chan, assistente executivo do reitor da Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Ciência e Tecnologia de Macau, entidade que organizou o 13º simpósio de dois dias, falou ao JTM, sublinhando o sucesso do evento que contou com mais de 200 participantes.

“Trouxemos muitos cientistas e investigadores proeminentes e especialistas, não só locais, mas também de Portugal e do Continente”. No que a este ramo da medicina diz respeito, Billy Chan considera que a RAEM “está a ficar bastante melhor do que era”, frisando as várias formações que são proporcionadas, “especialmente, em desenvolvimento de técnicas e para os médicos mais novos e recém-formados”.

O professor Yan Hong, do Instituto de Investigação de Queimados, localizado em Chongqing, no Continente, a maior unidade de queimados da China em tratamento e investigação, foi um dos oradores do fórum. “Viemos comunicar as nossas experiências e novas técnicas no tratamento de feridas”.

Ao JTM explicou que “a China tem muita população e temos muitos casos, por isso, em números, somos o primeiro do mundo”. O especialista considera “importante estabelecer sinergias e promover o nosso trabalho”.

 

Pediatria com horário alargado

O Hospital da Universidade de Ciência e Tecnologia (UCTM) vai prolongar o horário dos seus serviços de pediatria, estendendo o fecho das actuais 19 horas para as 21 horas, revelou o director clínico Man Hon Ming, justificando a medida com a crescente procura. A data de início do novo horário ainda não está definida, mas o plano aponta para Julho ou Agosto. O mesmo responsável adiantou ainda, sem pormenorizar, que o hospital da UCTM planeia oferecer serviços de saúde vocacionados para turistas.

 

V.C.