A RAEM está em 19º lugar no Progresso no Estudo Internacional de Leitura e Literacia (PIRLS). A directora dos Serviços de Educação acredita que o resultado é positivo, sobretudo tendo em conta que Macau participa pela primeira vez, no entanto, admite que há espaço para melhorias ao nível dos hábitos de leitura, uma vez que menos de 10% dos estudantes disseram ler com regularidade

 

Inês Almeida

 

Os resultados do Progresso no Estudo Internacional de Leitura e Literacia (PIRLS, na sigla inglesa), ontem divulgados, mostram que apesar de os estudantes de Macau terem tido um bom desempenho, ainda há um caminho a percorrer. Quem o diz é a directora dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ), defendendo que estas conclusões servem de referência para delinear políticas educativas futuras. “Através de estudo vemos que os alunos precisam de progredir a nível da leitura”, destacou Leong Lai.

Macau participou no PIRLS pela primeira vez, surgindo na 19ª posição, entre 50 países e regiões, com 546 pontos, acima da média a nível internacional, 500. O topo da lista é ocupado pela Rússia, Singapura e Hong Kong, com 581, 576 e 569 pontos, respectivamente.

O teste destinou-se a alunos do quarto ano do ensino primário, com idades compreendidas entre os nove e os 10 anos. Participaram um total de 56 escolas, 62 sessões e 138 turmas. Foram um total de 4.059 estudantes de Macau. No mundo, foram alvo do teste 319.000 crianças. Entre os mais de 4.000 estudantes locais que participaram, 3.615 frequentam escolas chinesas, 407 escolas inglesas e 35 estabelecimentos onde o Português é a língua veicular.

Os resultados foram apresentados por Tse Shek Kam, professor da Faculdade de Educação da Universidade de Hong Kong, que defendeu que a intervenção da família é muito importante neste campo. “Avaliamos também se os pais gostam de ler. Quantos mais os recursos a que os alunos têm acesso, melhor o seu desempenho”, frisou o académico.

Neste campo, ainda há trabalho a fazer. Segundo os resultados, apenas 17% dos pais disseram “gostar muito” de ler, 62% admitiram gostar pouco e 22% não gostam. As actividades de leitura com as crianças em ambiente familiar seguem a mesma tendência. Apenas 10% dos encarregados de educação garantem desenvolver “muitas vezes” este tipo de actividades com as crianças em casa, 82% dizem fazê-lo “às vezes” e 9% “nunca ou quase nunca”, de acordo com valores que foram alvo de “arredondamento”, revelou o académico.

Os centros de explicação não são vistos como solução. “Quanto mais tempo passam nos centros de explicação, menos capacidade de leitura. Os pais desperdiçam dinheiro nos centros de explicação, devem antes ir às bibliotecas”, sustentou Tse Shek Kam. No entanto, tendo em conta que 541 dos participantes frequentam este tipo de estabelecimento, o académico defende que também os explicadores “devem encorajar os alunos a criar o gosto pela leitura”.

A directora da DSEJ reconhece que, apesar do bom resultado, os alunos ainda têm de progredir. “Têm de progredir muito mais na leitura. Tentamos identificar os problemas através dos testes internacionais”. Ainda assim, ressalvou Leong Lai, “agora ficámos na 19ª posição, o que é bom para a primeira participação”. “Estamos acima de alguns países que também participaram pela primeira vez”.