No quadro do projecto da Grande Baía, caberá a Macau desempenhar um “papel de ligação entre elites” para, em conjunto, criar a “melhor baía do mundo e elevar o conjunto de cidades “irmãs” a um nível internacional, destacou Lionel Leong durante o Fórum de Boao para a Ásia. O Secretário para a Economia e Finanças anunciou ainda a conclusão do acordo que permitirá investimentos da RAEM em Guangdong

 

A nova conjuntura de desenvolvimento com base na cooperação regional implica a “participação activa” de Macau na construção da Grande Baía, destacou o Secretário para a Economia e Finanças numa sessão temática enquadrada no Fórum de Boao para a Ásia 2018. Para Lionel Leong, Macau deverá desempenhar um “papel de ligação entre elites” o que torna “a sua participação no projecto mais abrangente e resulta numa integração profunda no contexto de desenvolvimento do país”.

O Secretário frisou ainda, segundo uma nota oficial, que a construção da Grande Baía vai permitir a Macau aprofundar a “cooperação a nível regional e integrar-se no desenvolvimento do país, sendo esta também uma grande oportunidade para garantir a prosperidade e estabilidade da cidade a longo prazo”. Actualmente, disse, o líder do Governo da RAEM está a “coordenar os trabalhos” dessa participação.

De um modo geral, serão feitos esforços para “concretizar os planos para o desenvolvimento da Grande Baía” e, em conjunto com as “cidades irmãs”, criar a “melhor baía do mundo e elevar esse conjunto de cidades a um nível internacional”, destacou Lionel Leong.

Colocando o foco no modelo “Um País, Dois Sistemas”, o governantes defendeu ainda a ideia de que aquele princípio irá abrir “oportunidades de cooperação regional que até aqui nunca tinham sido aproveitadas, o que pressupõe o surgimento de novas ideias, mentalidades e concepções em prol do desenvolvimento”. Face a isto, é necessário “fazer uma nova abordagem ao modelo de cooperação para criar o mecanismo de colaboração”.

Além disso, sustentou que cabe a Macau “potenciar as vantagens oferecidas pela comunidade de chineses ultramarinos, nomeadamente a ligação das elites de Macau às do interior da China, dos Países de Língua Portuguesa, da União Europeia e da ASEAN, que pode ajudar a atrair investidores estrangeiros para a Grande Baía e a conquistar mercados em outros países e regiões”.

 

Concluído acordo para investir em Guangdong

O Secretário referiu especificamente que um dos pontos de partida para a construção da Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau passa pela cooperação entre a RAEM e a província de Guangdong. Neste sentido, já estão concluídas as negociações sobre o fundo de desenvolvimento para a cooperação Guangdong-Macau, cujo montante será de 20 mil milhões de renminbis, anunciou, apontando que o acordo será assinado o mais rápido possível.

Reconheceu ainda a necessidade de acelerar a construção do Parque Científico de Medicina Tradicional Chinesa de modo a “promover a internacionalização e padronização” da indústria.

No seminário, salientou também a importância de “potenciar as vantagens proporcionadas pela longa relação histórica entre a cultura oriental e ocidental, bem como desenvolver de forma mais célere a construção de uma base de intercâmbio e de cooperação que, tendo a cultura chinesa como dominante, promove a coexistência de diversas culturas”.

Além de Lionel Leong, foram convidados na sessão temática de ontem à tarde a Chefe do Executivo de Hong Kong, Carrie Lam, e o governador da província de Guangdong, Ma Xingrui.