Depois da participação de seis empresas de joalharia na Feira Internacional de Hong Kong, através da Rota da Filigrana – lançada pela Câmara Municipal de Gondomar – o autarca Marco Martins quer agora entrar no mercado de Macau começando com uma exposição de ourivesaria em filigrana, cujos detalhes estão a ser ultimados com o Cônsul-Geral Vítor Sereno. À TRIBUNA DE MACAU, Marco Martins frisou o papel da RAEM na promoção da ourivesaria portuguesa, com enfâse na filigrana

 

Catarina Almeida

 

O presidente da Câmara Municipal de Gondomar, Marco Martins, está a ultimar com o Cônsul-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, Vítor Sereno, a concretização de uma exposição de filigrana (obra de ourivesaria formada de fios de ouro ou prata delicadamente entrelaçados e soldados) ainda antes do Verão, revelou o autarca à TRIBUNA DE MACAU.

A ideia é “aproveitar as instalações para mostrar não só aos portugueses que aqui vivem mas também para divulgar junto do mercado comercial de Macau e tentar introduzir o produto” fazendo do território “uma âncora” para que depois a filigrana em Gondomar possa vingar no Oriente, frisou.

Este plano nasceu da participação de seis empresas de joalharia portuguesa bem como da Associação de Ourivesaria e Relojoaria Portuguesa na Feira Internacional de Joalharia em Hong Kong no âmbito da Rota da Filigrana – projecto criado pela Câmara de Gondomar há dois anos que permite “aos turistas visitarem as oficinas artesanais de filigrana” do concelho onde “mais ourivesaria em filigrana” se produz em Portugal. “São oficinas pequenas, com 10 a 30 funcionários em que os turistas chegam à loja de turismo de Gondomar e vão, gratuitamente, fazer um programa de meio dia, um dia, dois dias visitando os artesãos, vendo como se faz o processo de uma peça em ouro ou prata tendo a oportunidade de experienciar podendo, obviamente, adquirir o produto”, explicou Marco Martins.

Uma aposta do autarca que visou reavivar a indústria e, ao mesmo tempo, virar Gondomar para o exterior. “Esse produto turístico que estamos a promover acoplado à mostra da Filigrana já teve 5.000 visitas em 21 meses de actividade. Como Gondomar é colado ao Porto os operadores turísticos estão agora a comercializar a Rota da filigrana. O que a Câmara fez foi juntar as partes, os operadores, artesão e isto há-de se autogerir porque até agora foi a Câmara que suportou os custos de divulgação, organização, logística, etc”, disse.

Neste contexto de comercialização, entrou a participação em feiras internacionais, nomeadamente Hong Kong, e Tóquio – onde estiveram há um mês e meio. O balanço é mais do que positivo, vincou Marco Martins. “Estas empresas já fizeram contactos, algumas já concretizaram encomendas, outras já receberam em adiantado, abrimos aqui uma porta muito importante para o mercado asiático – nomeadamente para a China, em Hong Kong em particular. As empresas estão muito contentes. Ainda não temos a avaliação financeira do impacto desta vinda mas foi, garantidamente, um sucesso. As empresas nem tinham o objectivo de vender o mostruário mas acabaram por ser forçadas, tal foi a pressão dos visitantes da Feira [de Hong Kong]”, destacou.

Além de todo um “trabalho de credibilização”, a autarquia de Gondomar lançou-se na divulgação da ourivesaria, em particular da Filigrana, também porque se tem assistido a uma mudança na abordagem, sobretudo no interesse dos mais jovens. “A chave neste sector tem sido a inovação através do design que tem permitido dar o salto e recriar toda a indústria da ourivesaria para que ela possa vender mais e ter outra visibilidade no exterior”, explicou.

“O negócio da ourivesaria em Gondomar que passou por uma grande crise no final da década de 90 até 2014, mas agora representa 3.500 postos de trabalhos(directos e indirectos) num concelho com 160 mil habitantes. Pode-se dizer que já é um sector com algum peso e que queremos industrializar ainda mais”, sublinhou.