O evento foi organizado pela terceira vez pelo Instituto de Desporto, desta feita com mais competições e actividades e um mundial universitário incluído. As equipas da RAEM somaram quatro medalhas, uma das quais de ouro, numa organização que esteve na rua a mostrar o espectáculo do wushu

 

Vitor Rebelo

 

Macau é, de há muito, uma potência do wushu, não só asiático, onde já conquistou várias medalhas de ouro, mas também a nível mundial, igualmente com muitas idas ao pódio, colocando-se agora no mapa das grandes organizações internacionais, graças ao Encontro de Mestres, que decorreu durante quatro dias em três pavilhões e também ao ar livre.

No fecho do evento, ontem à tarde, residentes e turistas tiveram oportunidade de ver de perto muitos desses mestres de wushu, numa Parada que incluiu também os participantes nos campeonatos de Dança do Leão e do Dragão, num percurso realizado desde o Largo do Senado, até à Praça do Tap Seac, passando pelas Ruínas de São Paulo, locais de grande afluência de turistas.

Foi assim o cair do pano de um certame que teve componentes competitivas e de pura demonstração, numa grande jornada de divulgação do Wushu, como tinha já acontecido nas edições anteriores, mas agora com maior número de actividades.

Uma das novidades deste ano foi o Campeonato do Mundo Universitário, uma estreia absoluta da Federação Internacional do Desporto Universitário, que trouxe a Macau (ao Pavilhão do Forum), atletas representantes de 24 países ou regiões.

 

Investimento na modalidade

Já na abertura do Encontro, com o desfile de todas as delegações, o Secretário com a pasta do desporto do Governo de Macau, Alexis Tam, havia considerado este evento de excelente nível, com o Executivo a disponibilizar, através do fundo de desenvolvimento desportivo da IDM, 17 milhões de patacas, o mesmo montante da edição de 2017, mas com mais aliciantes para o público e para os atletas das modalidades incluídas no Encontro de Mestres.

O Executivo tem investido bastante no desporto de base deste espectáculo-competição, o wushu, que tantas alegrias tem dado a Macau desde há cerca de uma década, período em que muitas medalhas foram conquistadas além-fronteiras, num autêntico “boom” deste desporto de características tipicamente chinesas.

E as alegrias prosseguiram neste Encontro de Mestres, primeiro pelo sucesso organizativo, que mexeu com a cidade e teve boas assistências nos pavilhões onde as provas se realizaram, e depois pelas medalhas conquistadas, em especial no Mundial Universitário, sector masculino.

 

Ouro para Chi Wai Keong

Já na derradeira jornada, ontem de manhã, a delegação do território chegou ao ouro, graças à performance de Chi Wai Keong, em Nanquan, somando 9,45 pontos, mais três décimas do que o seu principal rival, o indonésio William Ajinata.

Pouco depois, medalha de bronze para Cheong Wai Seng, em Gunshu, numa prova ganha pelo malaio Khaw Jun Lim.

Nos dias anteriores e logo na ronda inaugural do Mundial, já Chong Ka Seng, na categoria de Taolu, especialidade Taijijian, conseguira a medalha de prata, totalizando 9,47 pontos, ficando a seis décimas do campeão, o chinês Wang Jingshen.

Na segunda ronda, sexta-feira, fora a vez de Chio Wai Keong também falhar por pouco a medalha de ouro, em Nangun, alcançando o segundo posto, atrás do japonês Yoshitaka Asayama.

Pelo meio, um quinto lugar de Cheong Wai Seng, em Daoshu e um sétimo de Chong Ka Seng em Taijiquan.

Estes resultados dos jovens atletas da RAEM, vêm na sequência de outros recentemente obtidos, principalmente no último Mundial de Juniores, que decorreu em Julho em Brasília, onde a comitiva da RAEM deu nas vistas, regressando a casa com 13 medalhas, quatro das quais de ouro (mais seis de prata e três de bronze), terminando o ranking da competição num excelente sexto posto, logo atrás da República Popular da China, entre 30 países ou regiões, num campeonato com o Irão na frente do ranking, seguido de Hong Kong, Estados Unidos e Malásia.

 

Sanda não deu pódio

É, portanto, mais uma demonstração da valia do wushu da RAEM, cujo principal responsável técnico é Iao Chon In, que igualmente deu nas vistas na Competição Internacional de Taolu (demonstrações semelhantes às que se realizaram no Mundial Universitário), que teve como palco o Pavilhão do Estádio do Centro Olímpico (Taipa).

Aí, em foco os triunfos de Wong Wai Man e Si Hoi Hou (masculinos) e Cheong Lao Leng, por duas vezes (femininos).

O mesmo êxito não foi alcançado na outra especialidade de Taolu, versão chinesa do kickboxing, denominada Sanda, que teve combates em pavilhão (Tap Seac) e ao ar livre, ali ao lado na Praça do mesmo nome, neste caso com a designação “Campeonato dos Desafiadores de Sanda”.

O contacto físico é pouco favorável aos representantes do território, que o melhor que fizeram foi a qualificação para as meias-finais de Kan Kai Wa, em 60 quilos masculinos, após triunfo nos “quartos” sobre o filipino Jomar Balangui, caindo depois nas “meias” face ao iraniano Riki Alireza.

Voltando a este Encontro de Mestres, a competição de Dança do Leão do Sul e do Dragão Luminoso, realizada no pavilhão do Tap Seac, contou com quatro formações de Macau, ao lado de equipas de Hong Kong, China, Indonésia, Malásia, Singapura e Tailândia.

Já ontem ao fim da tarde, houve boxe tradicional no “Torneio dos Campeões” levado a efeito no Wynn Palace pela Federação Internacional de Boxe das Regiões “Uma Faixa, Uma Rota”, com os combates a decorrerem durante um Jantar de Gala, numa altura curiosamente em que se efectuava a cerimónia de encerramento do encontro de Mestres de Wushu 2018, no Pavilhão Polidesportivo do Tap Seac.

No meio de toda esta autêntica festa do wushu e dos desportos que lhe estão associados, há também a destacar o “Festival Wushu do Verão”, na Praça do Tap Seac e no Jardim do Mercado de Iao Hon, efectuado nos quatro dias do evento, com espectáculos em palco, sorteios e workshops criativos de artes marciais, com tendas de jogos e experiências em especial para as crianças, tendo como objectivo, da organização, levar o wushu ao público, residente de Macau e não só.

 

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