Os jovens locais com 15 anos de idade ocupam o 8º lugar entre 51 países e regiões no que respeita à resolução colaborativa de problemas. Embora os resultados sejam bons, a DSEJ garante que o investimento neste tipo de competências continuará a ser reforçado
Inês Almeida
A média da capacidade de resolução colaborativa de problemas dos alunos de Macau com 15 anos foi classificada em 534 valores, ocupando o oitavo lugar numa tabela composta por 51 países e economias, superando a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), fixada em 500 valores.
Durante a apresentação dos resultados, a Direcção dos Serviços de Educação e Juventude (DSEJ) referiu que mais de 85% dos estudantes atingiram o padrão de resolução colaborativa de problemas do PISA de nível 2, numa escala que vai até quatro. “Os resultados de avaliação do PISA demonstraram que a capacidade de resolução colaborativa de problemas das alunas em todo o mundo” e Macau segue a mesma tendência, com as alunas a obterem uma classificação em média 38 valores mais alta do que os estudantes do sexo masculino.
De acordo com Cheung Kwok Cheung, a capacidade avaliada tem a ver com o processo de resolução de problemas de um indivíduo com dois ou mais participantes que compartilham os seus conhecimentos, capacidades e esforços para resolver o problema com sucesso. Para tal, explicou o director do Centro de Investigação de Testes e Avaliação Educativa da Universidade de Macau, é necessário criar e manter um consenso, adoptar uma acção adequada para resolver problemas e criar e manter a organização da equipa.
Para a obtenção dos resultados apresentados 4.535 estudantes de todos os estabelecimentos de ensino de Macau fizeram o teste.
O mesmo responsável apontou que Macau está, neste campo, ao nível da Finlândia que obteve a mesma pontuação. O primeiro lugar da tabela é ocupado por Singapura com 561 valores, seguindo-se o Japão (552), Hong Kong (541), Coreia do Sul (538), Canadá e Estónia (535).
De qualquer forma, ressalvou, a resolução colaborativa de problemas não é algo que se possa ensinar como uma disciplina. Esta componente “é muitas vezes integradas nas actividades de aprendizagem dos alunos nas aulas, bem como no seu ambiente de vida e de trabalho”. “No futuro, o sistema de ensino poderá criar condições para os alunos, na sua vida escolar diária e nas actividades de aprendizagem, e delinear uma plataforma de aprendizagem apropriada, para que aprendam mais técnicas de relações humanas, contribuindo para a resolução de problemas em colaboração com outras pessoas e em diferentes contextos”.
Ainda assim, a directora da DSEJ entende que há aspectos a que pode ser dada mais atenção. “A elevação da capacidade de colaboração dos alunos é algo que já está nos currículos das nossas escolas. Os docentes devem desenvolver trabalhos para reforçar a comunicação”, frisou Leong Lai.
“A DSEJ tem vindo a trabalhar no campo da educação familiar e na nossa página oficial há já dados sobre este aspecto. Esperamos, com estes resultados do PISA, reforçar trabalhos de educação familiar e esperamos que os alunos possam adquirir mais capacidades necessárias para o século XXI”. Também a pensar em desenvolvimentos nesta área, está planeada, no próximo ano, uma visita a Singapura, que ocupa o primeiro lugar do “ranking”.
O PISA voltará a decorrer em 2018, desta vez no campo da leitura. Questionada sobre eventuais trabalhos de preparação, Leong Lai defendeu que “quando falamos de PISA não podemos usar uma qualquer disciplina para ensinar os alunos”, devendo, sim, a DSEJ dar competências aos professores para melhor prepararem os jovens. Além disso, defenderam os responsáveis, os pais devem fomentar a comunicação com os filhos e estar atentos à situação dos seus estudos.



