Um “gesto de saudar” e um “sinal de apreço” enquadrado num momento de convívio que comprova o apoio do Governo aos macaenses e mostra que a comunidade não é esquecida, destacam alguns dos 30 representantes que almoçaram ontem com Chui Sai On. O líder do Governo destacou o “valioso esforço” de macaenses e portugueses no intercâmbio cultural e desenvolvimento do território
Catarina Almeida
Mais de 30 representantes da comunidade macaense participaram ontem em mais um almoço de convívio promovido pelo Chefe do Executivo. “Na esteira do que tem acontecido há muitos anos, desde o tempo do doutor Edmund Ho, há um momento do ano em que o Chefe do Executivo entende que deve estar à mesa com alguns membros da comunidade macaense”, disse Anabela Ritchie à TRIBUNA DE MACAU.
A antiga presidente da Assembleia Legislativa encara esta iniciativa como um “sinal de apreço pela comunidade macaense e de vontade de que continuemos a contribuir para a construção do Macau de hoje”. “No fundo, o agradável nesta refeição é a regularidade com que tem sido feita. Sabemos que por esta altura do calendário há este almoço e, dentro de uma certa informalidade, é uma possibilidade de convívio e de reencontro de pessoas que não se vêem todos os dias”, notou.
No almoço, Chui Sai On reconheceu o contributo dos macaenses na construção da RAEM durante “grandes dificuldades e desafios, em que a população, incluindo a comunidade macaense, tem permanecido ao lado do Governo para ultrapassar os desafios, por mais graves que sejam”.
Segundo o Gabinete do Chefe do Executivo, sublinhou também a vontade de materializar a criação da nova imagem “Macau Cultural”, para “aumentar a competitividade da cidade”. “Devido aos motivos histórico-culturais, os macaenses e os portugueses residentes em Macau possuem culturas, costumes e hábitos característicos, o que lhes permite desempenhar um papel importante no fomento do intercâmbio cultural entre a China e os países estrangeiros, participando na construção da RAEM, com o seu valioso esforço e contributo”, frisou.
Para Leonel Alves, este evento “tradicional” tem um significado político precisamente pela sua continuidade. “Manter esta prática é um acto simbólico, revestido de muito significado, de que não somos esquecidos, de que também fazemos parte da sociedade de Macau e que o nosso contributo também é relevante para a construção e prosperidade de Macau”, destacou.
O antigo deputado nota que esta iniciativa de Chui Sai On está em linha com as palavras inscritas no relatório das Linhas de Acção Governativa sobre o papel das comunidades macaense e portuguesa. “Este é um facto político de que o papel das comunidades aqui exercido ao longo destes 18 anos nunca foi esquecido pelos altos responsáveis, a começar pelo Chefe do Executivo”, afirmou.
“É um facto realçado no discurso que antecedeu ao almoço que é de convívio, de amizade. Nem todos têm a oportunidade de contactar com facilidade com o Chefe do Executivo, portanto, foi uma ocasião óptima para as pessoas dialogarem e conviverem”, disse Leonel Alves.
Por sua vez, o Provedor da Santa Casa da Misericórdia interpreta este encontro anual como um gesto de “cortesia” e, sobretudo, de “amizade e consideração” pelos macaenses. “É um tradicional almoço e é sempre uma honra para a comunidade ser convidada pelo Chefe do Executivo. Foram palavras de incentivo, de importância e realce do papel da comunidade macaense em Macau, apelando para que, em conjunto, continuemos a construir Macau”, destacou.
António José de Freitas realçou ainda o facto do líder do Governo ter salientado a “solidariedade” entre a comunidade macaense aquando de alguns desafios, como o tufão “Hato”.
José Luís Sales Marques também atribui “muito valor” ao gesto do Chefe do Executivo. Para o presidente do Conselho das Comunidades Macaenses, trata-se de um “gesto de saudar” porque permite “salientar a importância e o contributo da comunidade, assim como da cultura, nos vários aspectos, incluindo a questão gastronómica que está hoje em dia bastante assinalada devido à [distinção] de Cidade Criativa”.
Sales Marques confere ainda importância à iniciativa pela “altura em que estamos a viver, na celebração do novo ano, de novas esperanças e de esperanças novas. É um bom sinal para o presente e o futuro”.
“Grande incentivo” para a gastronomia
Devido à classificação de Macau como Cidade Criativa em Gastronomia, em Novembro de 2017, o líder do Governo não poupou elogios à gastronomia macaense bem como ao trabalho da comunidade na sua preservação. Esta postura é vista por Luís Machado como “um grande incentivo para a gastronomia de Macau, incluindo evidentemente a macaense que é talvez a mais antiga e a que faz parte – como disse o Chefe do Executivo – da cultura de Macau”.
“O Chefe do Executivo disse que, em princípio, este galardão que a UNESCO nos atribuiu vai, com certeza, incentivar ainda mais as pessoas ligadas à restauração e a todo este comércio que não pode ficar parado e que tem de evoluir. De facto, os desígnios são muito bons para nós – falo em nome da gastronomia macaense – mas é evidente que a cidade da gastronomia é um título muito vasto: é uma cidade onde entram produtos desde o pastel de nata até à bifana, e toda essa gastronomia que se vende nas ruas”, acrescentou o presidente da Confraria da Gastronomia Macaense.
Durante o discurso, Chui Sai On salientou que, na construção do Centro Mundial de Turismo e Lazer, “a cultura macaense assume um importante papel por ser uma marca representativa que valoriza o território enquanto cidade multicultural”. Segundo Luís Machado, esse elogio demonstra que o “Governo está muito interessado em continuar a apoiar os macaenses e a gastronomia”.
No entanto, ressalva, “é preciso continuar a promover”. “Esperemos que o Instituto de Formação Turística e o Turismo de Macau também acompanhem estes impulsos dados pelo Governo”. Desses impulsos entenda-se, por exemplo, a classificação, em 2012, da gastronomia macaense como Património Cultural Imaterial – como também relembrou Chui Sai On.



