Um órgão específico dedicado a trabalhos de garantia da segurança nacional a partir de Macau é a proposta de Ma Iao Lai, membro do Conselho Executivo, por considerar que o território é “vulnerável” a vários níveis podendo, inclusive, ser usada para prejudicar a estabilidade do País 

Viviana Chan

O presidente da Associação Comercial de Macau quer que seja criado um serviço específico por forma a garantir uma melhor defesa da segurança nacional no território. Uma espécie de órgão especializado que já existe noutros países e regiões, explicou Ma Iao Lai em declarações ao Jornal “Ou Mun”. Segundo a influente publicação, o filho do empresário chinês Ma Man Kei considera que a segurança do Estado deve ser melhor defendida em Macau não obstante vigorar, desde 2009, a Lei relativa à defesa da segurança do Estado.

“Não podemos negar que esta lei é apenas uma lei de bases. Continua a ser um espaço branco a forma como se pode aplicar. Por isso, o Governo da RAEM deve elaborar as respectivas leis”, referiu Ma Iao Lai que ocupa também um lugar no Conselho Executivo do Governo de Macau.

Por outro lado, reconheceu ainda estar preocupado com as mudanças no ambiente político e social de Macau o que poderá representar mais um desafio no âmbito dos trabalho de segurança nacional. “A economia livre do mundo traz oportunidades ao país, mas o risco do sistema financeiro e protecção comercial são elementos acentuados. Isso vai criar mais riscos e desafios ao país, portanto, a segurança económica resulta da aplicação da estratégia de segurança nacional” , salientou.

Relativamente à economia de Macau cuja estrutura económica diz ser “vulnerável”, Ma Iao Lai realça o facto do território ser um porto livre de capitais estrangeiros. Deve, ademais, “ser um bom protector do país”, frisou. Nesse sentido, Ma Iao Lai adverte que cabe às autoridades locais garantir que o território não seja usado por “forças externas”. “Muitos boatos ou notícias falsas têm sido divulgados pela Internet o que afecta a estabilidade de Macau. Por exemplo, algumas falsas notícias sobre o tufão Hato abalaram a estabilidade social e afectaram a população. Portanto, é necessário que o Governo da RAEM estabeleça [mais] regras para a segurança cibernética e protecção civil”, disse.

No mesmo artigo publicado na primeira página do jornal “Ou Mun” Ma Iao Lai defendeu ainda que do ponto da vista da segurança nacional, “o Governo da RAEM não pode só pensar que é uma cidade internacional, deve agir do ponto de vista governativo”, ou seja, “gerir bem os assuntos dos serviços fronteiriços, aperfeiçoar a lei, ser prudente na avaliação das questões que podem suscitar problemas com a segurança nacional impedindo ainda que este tipo de pessoas entrem no território”, concluiu.