Os lucros das operadoras de autocarros públicos subiram novamente em 2025. A Transmac conseguiu lucros de 47,85 milhões de patacas, uma subida anual de 17,6%, tendo mesmo ultrapassado os ganhos de 2019. A TCM, por seu turno, obteve lucros de 49,25 milhões de patacas, uma subida anual de 6,6%. Segundo os relatórios de contas, no seu conjunto, as duas empresas assinalaram ganhos de 97,1 milhões
CATARINA PEREIRA
No ano passado, os lucros das duas companhias públicas de autocarros da RAEM subiram novamente. No seu conjunto, a Sociedade de Transportes Colectivos de Macau S.A. (TCM) e a Transmac – Transportes Urbanos de Macau S.A.R.L. contabilizaram ganhos na ordem dos 97,1 milhões de patacas, traduzindo-se num acréscimo de 11,7% em termos anuais. Os lucros da Transmac foram os que registaram maior aumento, tendo mesmo ultrapassado o nível de 2019.
Segundo o relatório de contas da Transmac, publicado ontem em Boletim Oficial, “devido ao reforço de gestão de eficiência e de controlo de custos, bem como à descida dos preços dos combustíveis em relação a 2024”, e empresa alcançou lucros líquidos após os impostos de 47,85 milhões de patacas. Em termos anuais, verificou-se um aumento de 17,6%, já que em 2024 tinha conseguido ganhos de 40,7 milhões.
Pela primeira vez, a Transmac conseguiu superar os lucros atingidos no período pré-pandemia. Em 2019, a operadora de autocarros tinha registado ganhos de 45,26 milhões de patacas, pelo que se verificou, assim, uma subida de quase 6%.
Apesar disso, a verdade é que, “devido à concorrência da linha Seac Pai Van e linha de Hengqin do Metro Ligeiro, o número de passageiros transportados desceu para 107 milhões em 2025”, correspondendo a uma média diária de 293 mil passageiros. Feitas as contas, observou-se uma quebra de 1,5%.
Por outro lado, contudo, com o desenvolvimento das indústrias do jogo, do turismo e das actividades económicas, a Transmac diz que registou “um aumento de cerca de 15% na actividade de aluguer de automóveis pesados de passageiros, compensando parcialmente a redução da actividade dos autocarros públicos”. Assim, o volume de negócios total da empresa cresceu 1,5% em termos anuais.
O relatório refere ainda que a quilometragem de percurso de autocarros públicos atingiu cerca de 26 milhões quilómetros, representando um aumento de 0,8%. “Além disso, focou-se no reforço da frequência de circulação nos horários de ponta para melhor escoar o fluxo de passageiros”, vinca.
O relatório de contas da TCM, por seu turno, mostra que nos resultados operacionais de 2025 a empresa conseguiu um lucro líquido de 49,25 milhões de patacas, o equivalente a uma subida anual de 6,6%. Em 2024, recorde-se, a TCM tinha lucrado 46,2 milhões.
Ainda assim, a companhia não conseguiu atingir o nível de 2020, quando registou lucros de 52,85 milhões, e ficou ainda mais longe dos resultados de 2019, ano em que conseguiu ganhos de 72,36 milhões.
A TCM refere que continuou a “optimizar a rede de rotas, permitindo a utilização eficaz dos recursos de transporte colectivo e a operação eficiente”, empenhando-se em “satisfazer as necessidades de deslocação dos passageiros”. No ano transacto, o número total acumulado de passageiros atingiu os 125 milhões, “alcançando um novo recorde”, pode ler-se. Em 2024, tinha transportado 119 milhões de pessoas.
Olhando para 2026, a TCM promete manter a “missão original” de servir o público e de trabalhar para melhorar os serviços de autocarros. Já a Transmac observa que será “um ano cheio de desafios”. “Sob os grandes impactos negativos na economia, na vida da população e no preço dos combustíveis provocados pela instabilidade da conjuntura política global, precisamos de reforçar a qualidade dos serviços e, ao mesmo tempo, optimizar a gestão de custos operacionais”, antecipou.
Aposta nos autocarros amigos do ambiente
A TCM sublinhou ainda que tem continuado a actualizar a frota operacional, “atingindo um novo avanço na aplicação de veículos movidos a energias renováveis”. No ano passado, “continuou a contribuir para a construção de uma cidade com emissão de carbono reduzida, pelo que adquiriu 30 novos autocarros ecológicos”.
Um desses autocarros é “movido a energia eléctrica”, tendo sido introduzido, “pela primeira vez, na operação do sector de transporte colectivo”, referiu.
A empresa garantiu igualmente que tem continuado a implementar trabalhos relativos à gestão de segurança, “elevando os padrões”. Mais concretamente, menciona a formação em segurança dos condutores, através de acções de formação, e o reforço da segurança através da tecnologia. Neste campo, a TCM diz que continuou a impulsionar a cobertura integral do sistema inteligente de gestão da segurança dos veículos.
A Transmac, por sua vez, lembra que, desde 2018, foi pioneira na introdução de autocarros eléctricos com extensor de autonomia e também que em 2024 substituiu 410, permitindo alcançar uma frota movida a nova energia. “Desta forma, alcançou-se uma poupança de combustível entre 35% e 40%, e cumpriram-se o objectivo ambiental da primeira fase de propulsão totalmente eléctrica e emissão extremamente baixas”, acrescenta.
Já em 2025, adquiriu oito autocarros movidos a novas energias para o reforço de operação, sendo que três foram mini-autocarros “100% eléctricos”. Com o aperfeiçoamento da tecnologia de baterias, a companhia compromete-se a efectuar uma “avaliação completa na adequabilidade da nova geração de autocarros 100% eléctricos no ambiente de operação de Macau para proceder a um planeamento antecipado com vista a reforçar a protecção ambiental, a eficiência energética e a promover o desenvolvimento dos transportes públicos verdes”.



