A Wynn Macau registou uma subida dos seus lucros para mais do dobro no primeiro trimestre deste ano em comparação com o período entre Janeiro e Março de 2017. A falar numa conferência telefónica, pela primeira vez na qualidade de presidente da Wynn Resorts, Matthew Maddox realçou o empenho da empresa em reinvestir em Macau destacando as mudanças que ainda vão ser implementadas nos dois hotéis-casino
Inês Almeida
Os lucros líquidos da Wynn Macau mais que duplicaram nos primeiros três meses deste ano, em relação ao período homólogo de 2017, atingindo 227,1 milhões de dólares americanos, o equivalente a 1,8 mil milhões de patacas.
Numa conferência telefónica, o presidente do grupo Wynn Resorts, Matthew Maddox, assegurou que a operadora vai reforçar o investimento no território. De recordar que Matthew Maddox substituiu Steve Wynn na liderança da Wynn Resorts a 6 de Fevereiro depois de o fundador da empresa se ter demitido das suas funções devido a acusações de assédio sexual.
O novo presidente adiantou que foram definidas novas prioridades para Macau e aceleradas “oportunidades de investimento”. “Em 2018, vamos arrancar um programa de investimentos de 100 milhões [de dólares americanos], na Península. Inclui um rejuvenescimento do casino, construindo dois novos restaurantes, retirando muito do espaço exterior dos ‘junkets’ que não é produtivo, criando uma atmosfera vibrante”, anunciou Matthew Maddox.
“Acreditamos que o retorno aos accionistas vai ser impressionante quando acabarmos. Também vamos remodelar os nossos quartos do Encore. Alguns dos quartos mais populares em toda Macau vão começar a ser remodelados este ano”, destacou.
No que respeita ao Wynn Palace, o restaurante “Red 8” abriu em Fevereiro com muito sucesso. “A equipa está actualmente a trabalhar em dois novos conceitos para restaurantes que planeamos construir ainda este ano e que vão continuar a adicionar elementos não-jogo ao Wynn Palace. Além disso, estamos a conceptualizar o que devemos fazer com os 11 hectares de terreno junto ao Wynn Palace”, disse o presidente, numa referência aos planos de expansão.
Maddox escusou-se a quantificar o retorno que poderá advir das mudanças porque são uma questão de acrescentar elementos que levem a estadias mais prolongadas. “Em termos de renovação, sei que as equipas têm trabalhado com muito cuidado na remodelação da torre dos quartos do ‘Encore’, um dos nossos produtos mais populares em Macau, para garantir que não estamos a pôr em causa o negócio. A torre funciona com 95% de ocupação, por isso, retirar os quartos para remodelá-los é uma dança delicada e estamos a trabalhar para garantir que minimizamos o impacto no negócio”.
O presidente da Wynn Macau, Ian Coughlan, frisou que se trata de uma “leve remodelação para que possa haver uma gestão mais eficiente”. “Fizemos isso com a Wynn Tower. Não antevemos um grande impacto na ocupação”.
No fundo, destacou, “estamos completamente comprometidos com o futuro de Macau”. “Vamos continuar a reinvestir nos empreendimentos. A nossa relação com o Governo (…) tem sido sempre muito próxima. Nós, enquanto indústria, criamos muito sucesso para Macau. Temos sido bons cidadãos. Tomamos muito bem conta dos nossos funcionários. Trouxemos muita estabilidade à economia e temos todos os indícios de que o processo vai decorrer ainda este ano e que temos um futuro em Macau”, sublinhou Ian Coughlan. “Tal como as outras concessionárias, continuamos concentrados no futuro de Macau, no reinvestimento e desenvolvimento”, acrescentou.
No Wynn Palace, a operadora continua “a integrar agressivamente o mercado de massas e não apenas de massas premium”, frisou Matthew Maddox. “Na realidade, o nosso [mercado de] massas premium cresceu para mais do dobro do que era neste período do ano passado, mas a procura pelo mercado de massas aumentou mais de 70% em relação ao ano passado”. “As receitas do jogo de massas, incluindo das ‘slot machines’, representaram quase 48% das nossas receitas brutas de jogo, comparativamente a apenas 39% no quarto trimestre de 2017. As receitas do jogo VIP continuam a representar 39%, por isso, está tudo bem aí”.
O presidente do grupo americano destacou ainda que o Wynn Macau manteve a sua quota de mercado durante este trimestre com o volume do jogo VIP a crescer 29% comparativamente ao ano anterior.
Questionado sobre o impacto da abertura do MGM COTAI, Matthew Maddox apontou que o empreendimento vizinho terá de passar pelas mesmas etapas de desenvolvimento. “Não há milagres quando se abre um novo empreendimento e nós temos registado um aumento dos visitantes. Um pequeno indicador é o facto do tráfego nas nossas gôndolas ter aumentado 18% desde que o MGM abriu as portas e o volume de visitantes cresceu sete ou 8%, por isso, há mais pessoas na rua. O Metro Ligeiro foi significativamente limpo e estamos à espera da abertura da ponte entre nós e o City of Dreams”, destacou por sua vez Ian Coughlan.
Wynn Palace não pára de crescer
Além dos lucros líquidos terem crescido 119,2% nos primeiros três meses do ano, a Wynn Macau registou receitas operacionais de 10,3 mil milhões de patacas, mais 27,8% em relação ao período homólogo do ano passado. No total, as receitas dos dois casinos em Macau cresceram 28%, para cerca de 8,9 mil milhões de patacas.
As receitas operacionais do hotel-casino Wynn Macau fixaram-se em 618,2 milhões de dólares, ou seja, 4,9 mil milhões de patacas, o que representa uma subida anual de 11,9%. O EBITDA ajustado do empreendimento na península (resultados antes de juros, impostos, amortizações e depreciações) foi de 1,6 mil milhões de patacas, ou seja, mais 15,9% em relação ao período homólogo do ano passado.
As receitas do casino do Wynn Macau, espaço que mais gera receitas na Península, foram de 4,3 mil milhões de patacas, reflectindo um aumento de 10,5%.
Os elementos não-jogo seguiram a mesma tendência de crescimento ao nível dos ganhos. As receitas desta área do Wynn Macau foram de 640,2 milhões de patacas (mais 22,3%). As receitas com os quartos foram de 229,5 milhões de patacas, resultantes de um aumento de 19%.
No Wynn Palace, as receitas operacionais no primeiro trimestre foram de 5,3 mil milhões, correspondentes a um aumento homólogo de 47,2%. O EBITDA ajustado foi de 1,7 mil milhões, mais 89,4%. As receitas do casino foram de 4,5 mil milhões de patacas ou seja, mais 50,7% em termos homólogos.
O desempenho em Macau ajudou a minimizar os prejuízos do grupo Wynn Resorts, que atingiram 204,3 milhões de dólares devido às despesas com litígios judiciais.
Participação da Galaxy focada em sector não-jogo
A aquisição de acções da Wynn por parte da Galaxy Entertainment, no valor de mais de 920 milhões de dólares americanos e correspondendo a 4,9% do capital total, faz parte de uma estratégia para continuar o investimento no sector não jogo, defendeu Matthew Maddox, frisando que isso vai trazer um maior número de hóspedes a Macau. “Fazemos estes investimentos porque sentimos que há óptimas oportunidades aqui. Vamos continuar a revisitar a nossa política de dividendos no que respeita ao fluxo livre de capitais”. O CEO da Wynn Resorts destaca que tanto a Wynn como a Galaxy estão focadas na “qualidade e experiência”.



