O resultado líquido do BNU duplicou nos primeiros nove meses de 2023, impulsionado em grande parte pelo aumento de 205 milhões de patacas nas receitas líquidas de juros

 

Entre Janeiro e Setembro deste ano, o Banco Nacional Ultramarino (BNU) gerou um resultado líquido não auditado de 459,9 milhões de patacas, valor que representa um acréscimo de 102% ou 231,7 milhões em relação ao mesmo período de 2022.

Num comunicado ontem divulgado, o banco salienta que o seu desempenho nos primeiros nove meses de 2023 “foi impulsionado principalmente pelo aumento de 205,2 milhões de patacas, ou 38%, nas receitas líquidas de juros, devido ao aumento das taxas de juro e um menor impacto de imparidades quando comparado com o período transacto”. Em contrapartida, as receitas líquidas de taxas e comissões decresceram 16% ou 13,1 milhões em termos anuais, “reflectindo as incertezas no crescimento económico”.

Nos primeiros nove meses deste ano, o BNU registou um montante líquido de imparidade em crédito e aplicações financeiras de 21,8 milhões de patacas, uma diminuição face aos 85,2 milhões de patacas contabilizados em 2022. De acordo com o comunicado, esta redução derivou sobretudo da “imparidade pontual de determinados investimentos financeiros desvalorizados em 2022”.

Já despesas operacionais cresceram 2% no intervalo de um ano, “uma vez que as iniciativas de redução de custos apenas compensaram parcialmente o aumento das despesas com a digitalização para melhorar a experiência do cliente e aumentar a eficiência interna”, pode ler-se na nota. “Também para melhor servir os seus clientes, o BNU tem-se dedicado à reengenharia de agências, incluindo a agência principal, que se tornou mais moderna, interactiva e alinhada com o novo paradigma bancário”, acentua ainda.

O banco sublinha também que a sua agência na Ilha da Montanha continua a atender às necessidades financeiras de investidores de Macau e Hong Kong, incluindo indivíduos e empresas, visando o crescimento e a integração financeira da Grande Baía e da Zona de Cooperação Aprofundada em Hengqin. Com esta agência, o BNU pretende “reforçar a conexão entre a China continental, Macau e países de língua portuguesa, fornecendo vários produtos financeiros e ajudando a construir um ambiente de economia mais diversificada” na RAEM e na Grande Baía.

O BNU destacou ainda os seus “fortes níveis de liquidez e a manutenção de um “robusto rácio de solvabilidade de 24%”, que aumentou dois pontos percentuais em comparação com o terceiro trimestre de 2022, situando-se bem acima do requisito regulamentar mínimo de 8%. “O desempenho financeiro do Banco e o seu compromisso contínuo com os clientes e partes interessadas demonstram a sua força e resiliência, apesar da volatilidade económica”, remata a mesma nota.