O Venetian volta a acolher a “Global Gaming Expo Asia” em Maio. Os organizadores esperam atrair 15.000 visitantes a um evento que regressa com novidades, com destaque para a tecnologia e as lotarias. Num momento de crescimento do jogo, nomeadamente no segmento VIP, uma analista da Bloomberg aconselhou os investidores a prepararem-se para a volatilidade do sector
Salomé Fernandes
A “Global Gaming Expo Asia” (G2E Asia) regressa ao Venetian Macau entre 15 e 17 de Maio deste ano, com destaque para sectores novos, nomeadamente o das lotarias. No total, esperam-se 220 expositores em 37.000 metros quadrados, e 15.000 visitantes ao longo dos três dias, sendo que a edição deste ano apresenta um crescimento global de 30%.
“No último ano tivemos visitantes de 78 países, pelo que é um evento muito internacional. E esperamos aproximadamente o mesmo número este ano”, salientou Josephine Lee, directora de operações da “Reed Exhibitions Greater China”, empresa que organiza a exposição.
Cada dia vai ter temas diferentes em debate, que vão consistir no futuro do jogo, dos complexos integrados, bem como do conteúdo digital e tecnologia. Apesar de ser um evento voltado para a indústria do jogo, o entretenimento, clubes e bares, e soluções de negócio e tecnologia são também abordados.
De entre as novidades desta edição, encontra-se a partilha do espaço com a “Asia Lottery Expo and Forum”, que pretende ser uma plataforma de negócios, aprendizagem e contactos destinada a profissionais da área. “Há muitos investidores a investir em lotarias, apostas e afins. E é por isso que estamos a prestar atenção a este conteúdo. Alguns destes produtos estão a ser criados com base no inquérito que fizemos junto dos nosso compradores. É isto que esperam ver na mostra”, explicou Josephine Lee.
O sector de conteúdos digitais e tecnologia também ganha novo destaque nos segmentos especializados, e procura oferecer ideias inovativas e conhecimento das mais recentes regulamentações na área. Para além disso, a aplicação do evento para telemóvel vai incluir novas funcionalidades, como navegação em 3D.
Este ano junta-se também a actividade “New Games Experience Tour”, onde os visitantes que se inscreverem com antecedência vão poder experimentar máquinas de jogo electrónicas dos manufactores, para que se inteirem das tendências globais da indústria.
Os prémios regressam, mas desta vez sob o nome “G2E Asia Awards”, e deverão ser entregues a 15 de Maio. Vão ser dirigidos tanto a aspectos relacionados com o jogo como sem serem associados ao jogo do entretenimento asiático. Para criar este novo formato de entrega de prémios, a organização estudou diferentes práticas de outros eventos, tendo-as adaptado para este contexto.
Existem 12 categorias, e espera-se que expandam e se alterem para acompanhar as mudanças na indústria. Vão ser premiados, por exemplo, “melhor contribuição de responsabilidade social”, “melhor promotor de jogo VIP”, “melhor inovador da indústria”, entre outros. Em sectores sensíveis, os jurados vão ter direito a anonimato.
Macau arrisca instabilidade
“Estamos a ver Macau a subir desde 2016 e esse crescimento tem sido muito acelerado pelos clientes VIP. O sentimento anticorrupção começou desvanecer, e começamos a ver os jogadores ricos chineses a regressar. E geralmente a terem um bom tempo porque têm estes serviços que se enquadram às suas necessidades”, destacou Margaret Huang, analista de jogo da “Bloomberg Intelligence”.
No entanto, a analista deixou um alerta. “Estamos a falar de um mercado em que a chegada de um jogador pode mudar os resultados, por isso como investidor é preciso estar preparado para um caminho instável”, disse, acrescentando que “sempre que os números mensais saem as acções das Bolsas de Valores variam e isso representa um risco de volatilidade”. Apesar disso, a Bloomberg acredita existir uma procura saudável e constante, bastando os investidores prepararem-se para as irregularidades que possam decorrer do sector VIP.
Questionada sobre os riscos que o caso Wynn pode acarretar, Margaret Huang declarou ser uma situação muito específica. “No caso dos EUA tem de certeza impacto, mas em Macau, por enquanto, os negócios decorrem com normalidade. Nos EUA tem um impacto directo por causa da reputação dele e de as pessoas o associarem à marca. Na Ásia, o complexo é um produto mas menos associado a quem é Steve Wynn”.
Até 2020, o sector vai manter-se dinâmico, com a fase quatro do Galaxy a ser concluída nesse ano, e a entrada em funcionamento do “The Londoner”. A questão que se coloca, indica a analista, é o que se segue. “Vai depender da maturação do mercado. Vê-se todo este desenvolvimento até lá, mas é preciso perceber como continuar competitivo. Tem de se perceber até que ponto é que Macau vai ser um mercado em crescimento”, explicou.
Sublinhando que a indústria está a ter avanços significativos nas Filipinas, descartou a possibilidade de este crescimento afectar negativamente a RAEM. “As Filipinas, como são dominadas pela procurar local, o tipo de cliente VIP que lá vai é um pouco diferentes dos que se dirigem a Macau”.
Por outro lado, questionada sobre a possibilidade da China autorizar a indústria do jogo em Hainão, avançada por uma notícia do sector de informação da Bloomberg, comentou que “considerando os interesses do ponto de vista da China uma proposta dessas poderia acontecer, mas é cedo demais para afirmar”.



