A lista das lojas típicas classificadas pelos Serviços de Economia é composta por 12 estabelecimentos, incluindo 10 na área de restauração, uma ourivesaria e uma do comércio a retalho. À TRIBUNA DE MACAU, o responsável pelo restaurante Seng Kei Congee disse existir um problema de falta de pessoal que domine conhecimentos de gestão. Por sua vez, na gelataria Lai Kei espera-se mais divulgação das lojas antigas junto dos turistas e uma renovação das embalagens

 

Rima Cui

 

O resultado da classificação das “lojas típicas de Macau”, um programa lançado pelos Serviços de Economia (DSE), traduziu-se na selecção de 12 estabelecimentos. Dez estão ligados à área de restauração (metade vende sobremesas), uma é ourivesaria e a outra integra o sector de comércio a retalho. As vencedores são a Ourivesaria Che Lee Yuen, Pastelaria Ng Teng Kei, Restaurante Solmar, Luk Kei Noodle, Pastelaria Fong Kei, Tong Lec Pak Fa Fui Loja de Achares, Pastelaria Chui Heong, Gelatina Mok Yi Kei, Restaurante Indonésio Medan, Seng Kei Congee, Companhia de Produtos da China e Sorvetes e Doces Lai Kei.

Aberta em 1933, a gelataria Lai Kei é parte da memória colectiva de várias gerações do território. Para o proprietário da gelataria, como não havia um registo do género do estabelecimento, o que é importante, decidiu candidatar-se ao programa de apoio às lojas típicas.

Em declarações à TRIBUNA DE MACAU, Kuong Wing Tsan confessou que ainda não sabe muito bem o que vai acontecer depois da loja ser classificada, mas considera ser melhor haver alguns produtos novos e uma embalagem com design que corresponda aos gostos das pessoas de hoje em dia.

Durante o processo de classificação, o estabelecimento foi alvo de uma renovação com a ajuda do Governo. Alguns espaços e instalações já antigos e deteriorados foram reparados e estão “mais bonitos”.

Para Kuong Wing Tsan, a classificação pode fazer com que mais turistas conheçam a profunda essência da cultura tradicional das lojas antigas. “Os visitantes normalmente não conseguem distinguir entre as lojas com história mais longa e as novas. Mesmo que estejam interessados em explorar a história por detrás das lojas antigas de Macau, têm pouco conhecimento. A classificação vai resultar em mais divulgação”, antecipou.

O dono da gelataria disse que dará as boas-vindas se o Governo ajudar a loja a promover produtos junto do mercado exterior.

Por sua vez, Leong Heng U, proprietário da Seng Kei Congee, aberta ainda antes de 1937 e que hoje tem cinco lojas na Península e na Taipa, apontou a este jornal que, apesar de ser muito popular entre locais e turistas, o estabelecimento de “congee” enfrenta problemas de gestão. Por isso, espera que a classificação possa ajudar a resolver o problema.

“As nossas lojas enfrentam um problema de falta de funcionários que percebam de gestão e tenham vontade de assumir a responsabilidade de gerir o espaço”, lamentou.

“Muitos funcionários já são mais velhos mas pretendem continuar a trabalhar e não querem ceder o posto aos jovens formados em gestão. Além disso, os mais velhos preocupam-se demais com as palavras dos outros colegas quando gerem a equipa”, acrescentou Leong Heng U.

Nesse sentido, o dono do estabelecimento tem esperança de que, com esta classificação, o Governo possa cumprir a garantia de apresentar às lojas antigas conhecimentos profissionais e actualizados na área de gestão.

Ao contrário da gelataria, a “Seng Kei Congee” não quer renovar os produtos, com o dono a mostrar-se confiante na qualidade e nos preços dos produtos existentes. Além disso, pretende assegurar uma continuação fiel dos produtos actuais.

Leong Heng U confessou que nunca aposta nos trabalhos de divulgação, mas revelou o desejo de abrir mais uma loja na Taipa.

De recordar que o Governo recebeu um total de 29 pedidos de classificação, dos quais 21 entraram na fase final de selecção. Ao longo do processo, a DSE notou que as lojas antigas dedicam-se muito à operação, no entanto, negligenciam o valor histórico do estabelecimento em si ou a necessidade de preservar o património cultural.