Faz em Fevereiro cinco anos que a Santa Casa da Misericórdia abriu a Loja Social. Desde o início do projecto, já foram apoiadas mais de 19 mil famílias, salienta o Provedor da instituição, traçando um balanço “muito positivo”
Salomé Fernandes
Prestes a entrar no seu sexto ano de funcionamento consecutivo, a Loja Social da Santa Casa da Misericórdia já apoiou 19.113 famílias, com a entrega de cabazes no primeiro sábado de cada mês a agregados familiares com dificuldades financeiras.
Em 2017, as despesas mensais foram de 300 mil patacas, com o número de famílias beneficiadas a atingir uma média mensal de 367. Este ano, o número deverá manter-se semelhante.
“Pensamos angariar o mesmo patrocínio, o mesmo montante todos os meses de 300 mil patacas. Por isso não vamos aumentar o número de famílias beneficiadas”, disse António José de Freitas à TRIBUNA. O Provedor da Santa Casa explicou que inicialmente os patrocínios eram de cerca de 200 mil patacas por mês, tendo desde 2014 ascendido a 300 mil.
“Para além dos operadores de jogo temos o Banco da China, alguns beneméritos em nome pessoal. São só seis operadores de jogo, por isso temos sempre seis meses em que a Santa Casa tem de conseguir os respectivos patrocinadores para os meses que faltam”, explicou o Provedor. Este mês, é a sucursal do Banco da China em Macau a dar apoio, com a primeira distribuição do ano a decorrer no sábado.
António José de Freitas fez um “balanço muito positivo” deste projecto lançado em Fevereiro de 2013. “Vejo da parte dos patrocinadores uma vontade de continuar a apoiar este projecto. Já passaram cinco anos, vamos entrar no sexto ano, e tudo aponta deste ponto de vista a que continue por mais anos”. Para isso acontecer, destacou não apenas os patrocínios como também o apoio dos voluntários. “Sem eles a distribuição não pode correr de forma normal”, comentou.
Para além das equipas de voluntários das empresas nos meses em que há apoio por parte das operadoras, salientou a participação de membros da Associação de Jovens Macaenses em Dezembro passado, quando o donativo foi feito por uma pessoa a título individual.
Em relação à possibilidade de a Loja Social vir a apoiar Trabalhadores Não Residentes (TNR), apesar de ter admitido em Dezembro poder vir a ponderar a situação, António José de Freitas deu a entender ser uma realidade distante. “Nesta fase ainda não, porque não temos dados nem logística para seleccionar estas pessoas”, disse, recordando que as famílias que recebem cabazes são seleccionadas também pela União Geral dos Moradores e pela Federação das Associações dos Operários de Macau.
“São eles que têm os dados, porque não podemos distribuir os cabazes a pessoas que dizem simplesmente que são carenciadas. É preciso conhecer as pessoas, o terreno, e a Santa Casa não tem a logística nem os recursos humanos para seleccionar também os TNR carenciados”, frisou.
Preparadas comemorações do 450º aniversário
Actualmente, a instituição aguarda a aprovação do projecto da nova creche e já está a realizar os preparativos para o 450º aniversário da Santa Casa da Misericórdia, que será assinalado em 2019. “É uma data que é importante comemorar. Hoje em dia é difícil haver uma instituição que depois de 450 anos continua viva e dinâmica numa conjuntura social e política diferente”, sublinhou. Há registos da existência da Santa Casa da Misericórdia em locais como o Japão, Tailândia, Filipinas ou Timor, que desapareceram com o tempo, permanecendo a de Macau como “a única ainda viva” no continente asiático.
Quanto ao projecto de reaproveitamento do terreno do Centro de Reabilitação de Cegos, cujo pedido foi feito à Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes há três anos, mantém-se pendente. Embora no início de 2017 alguns membros do Conselho do Planeamento Urbano tenham expressado preocupação com a zona de construção por causa do Canídromo, tendo sugerido transferir o Centro de Cegos para outro lugar, o objectivo do Provedor é que se mantenha na mesma localização. “Não é fácil arranjar um outro lugar para instalar o centro de cegos. Todos eles moram na zona norte, já estão habituados”, apontou.
A decisão de fechar o Canídromo também não teve impacto no projecto, tendo António José de Freitas assegurado que a instituição não pretende mais área do que a do terreno da Santa Casa para a nova edificação do Centro de Cegos.



