“The Impossible Truth”, livro da autoria de João Miguel Barros, aborda a selecção da fotografia final da performance para a Bienal de Veneza de 1999, a qual desencadeou rivalidades e disputas sobre a autoria da performance. A publicação inclui 27 documentos inéditos que lançam nova luz sobre o conflito e demonstram o poder do “lobbying”

 

O mais recente livro da autoria de João Miguel Barros vai ser apresentado em Macau, depois da divulgação já ter sido feita em Lisboa e Xangai (durante a última Photo Xangai). O evento de apresentação decorrerá na sexta-feira, 22 de Maio, pelas 18h00, na Livraria Portuguesa.

Segundo se pode ler na sinopse, “The Impossible Truth” (ou “The Possible Truth”), é uma publicação inesperada e controversa que assinala o 30º aniversário de uma das mais significativas performances artísticas da arte contemporânea chinesa, “To Add One Meter to an Anonymous Mountain”. Resulta de uma investigação aprofundada realizada ao longo dos últimos três anos, que envolveu numerosas entrevistas e conversas, a análise de informação dispersa por várias fontes e a consulta dos arquivos da Bienal de Veneza e do “Getty Research Institute”, em Los Angeles, segundo refere um comunicado.

A obra abrange um período de quase uma década, começando com o surgimento da comunidade onde viviam os artistas que encenaram a performance (que ficou conhecida como “Beijing East Village”) e terminando, em 1999, com a Bienal de Veneza desse ano. “To Add One Meter…”, apresentada a 11 de Maio de 1995, “foi uma celebração da dissolução da comunidade, ocorrida em meados de 1994”, refere o autor na introdução do volume de 472 páginas.

Porém, assinala, “embora tudo tivesse sido consensual à época, a selecção da fotografia final da performance para a Bienal de Arte de Veneza de 1999 desencadeou rivalidades e disputas quanto à autoria da performance”.

O exemplar, ilustrado, está escrito num “estilo simples e acessível”, contextualizando as várias fases do processo histórico, “não omitindo nenhum dos factos estabelecidos, mesmo os mais controversos”, diz o fotógrafo, advogado de profissão.

A compilação inclui 27 documentos oficiais inéditos que lançam nova luz sobre o conflito que surgiu em torno da autoria da performance durante a Bienal de Arte de Veneza e que demonstram o poder do “lobbying” na defesa dos interesses de representação de um dos artistas.

Enquanto obra documental, “The Impossible Truth” apresenta testemunhos inéditos dos 10 artistas performativos, do curador e dos fotógrafos chineses que registaram o acontecimento para a posteridade, bem como vários outros testemunhos relevantes de artistas, curadores e críticos de arte.

O livro, que será apresentado por Margarida Saraiva, conclui com uma extensa cronologia de acontecimentos políticos e culturais, abrangendo o período desde o final da Revolução Cultural (1976) até ao ano de 1999.

Segundo João Miguel Barros, o manual tem particularidade de apresentar “um jogo de sombras a envolver o título”, uma vez que o ficheiro é em pdf mas facilmente se converte em imagem. “Quando o livro está aberto é que se pode aceder ao título completo ‘The Impossible Truth’, mas quando se vê só a capa, o que se lê é ‘The Possible Truth’”, observa, acrescentando que, “na lombada o IM é transformado em “I´M” para realçar a individualidade dos artistas ou a unidade dos dez durante a performance”.

 

V.R.